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segunda-feira, 16 de agosto de 2021

"Tem que ler de novo...": O Livro da Jângal (Rudyard Kipling)

 O LIVRO DA JÂNGAL, de Rudyard Kipling e tradução de Monteiro Lobato.

Em agosto de 1975, há exatamente 46 anos, adquiri meu exemplar do livro. Na época, atuava como escotista no Grupo Escoteiro Leões, de Blumenau. E a história de Mowgli, contida no Livro da Jângal, é o pano de fundo do ramo Lobinhos, no movimento escoteiro. 

Mas o Livro da Jângal, em sua versão original, além da história do menino Mowgli, descrita nos capítulos Os irmãos de Mowgli, As caçadas de Kaa, Como apareceu o medo, Tigre!Tigre!, O ankus do Rei, O avanço da Jângal, Os cães vermelhos e A embriaguês da Primavera, traz outras aventuras de fundo igualmente a enaltecer a coragem, a bravura e a honestidade.

Como por exemplo, a história de "A Foca Branca". Em uma discussão com a foca velha, esta diz à sua amiga Foca Branca: -Insiste um pouco mais, menino. Sou a derradeira foca da extinta tribo de Masafuera, e recordo-me de que no tempo em que os homens nos andavam matando aos milheiros correu na praia uma lenda a respeito de certa foca branca que um dia, vinda do norte, nos levaria a todas para lugar seguro. Estou velha demais para ver esse dia, mas outras focas o verão. Experimenta um pouco mais.

Ou, como em "Quiquern": - Breve iremos ter com Sedna - muito breve, murmurou a menina. Em três
dias eu lá estarei. Mas será que a tua tornaq não faz nada? Canta-lhe um canto de angekok, a ver se ela aparece. 

E em "Jacala, o Crocodilo", Mugger adverte: -Lembra-te, filho, que quem detrata o Mundo, pelo Mundo será detratado.

O Livro da Jângal, escrito em 1894, é uma obra publicada pela Companhia Editora Nacional, São Paulo. Não consta data de edição. A tradução é de Monteiro Lobato. Outra obra notável da autoria de Kipling é KIM.

A eternidade, para Kipling, não estava fora do tempo, mas era seu pano de fundo; e o tempo era, para ele, o momento presente ampliado. (A.C.Ward) (Contracapa do Livro da Jângal)

Joseph Rudyard Kipling nasceu em Boambaim, em 1865 e faleceu em Londres, em 1936. Foi autor e poeta britânico, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1907. É considerado o maior "inovador do conto curto", os seus livros para crianças são clássicos da literatura infantil. Fonte: Wikipédia.

Baden Powell (Londres-1857, Nieri-1941), é o fundador e patrono do movimento escoteiro e também do movimento bandeirante, este dirigido às meninas. Para fundar o movimento bandeirante, contou com o apoio da irmã Agne e da esposa Olave. 

Baden Powell, ou B.P., como é carinhosamente chamado no escotismo, encontrou na história de Mowgli o pano de fundo para as vivências do ramo Lobinhos no movimento escoteiro, cujos integrantes tem entre 7 e 11 anos de idade. Com 11 anos, os participantes passam então, para o Ramo Escoteiro. Esta passagem é realizada numa cerimônia especial, pois o pequeno Lobinho para então, para a "terra dos homens". Mais ou menos isso!

segunda-feira, 26 de abril de 2021

E falando em Monteiro Lobato: "Lobateando"


 Semana passada tivemos o Dia Nacional do Livro Infantil, data em homenagem a Monteiro Lobato,  pioneiro da Literatura Infantil no Brasil. A escritora joinvillense Else Sant'Anna Brum escreveu essa história, para as crianças: "Lobatenado"

A tarde estava ensolarada e a mesa de ping-pong na varanda de casa convidava para umas boas raquetadas, mas as gêmeas Bruna e Vanessa não podiam nem pensar nisso. Estavam esperando Suzi e Amanda para um trabalho escolar. Ficaram sentadas na varanda da casa e viram as duas chegarem rindo e brincando.


(Imagem: internet)

-Por que vocês estão tão sérias? perguntou Suzi.

-Claro, né? Estamos quebrando a cabeça para achar idéias para o nosso trabalho.

-Que nada, falou Amanda, nós já pensamos sabe em quem? Monteiro Lobato.

Sendo sobre livros e leitura não tem ninguém melhor. Temos toda a coleção dele, lemos e relemos seus livros e vocês também. Cada um escolhe um livro e o pedaço que mais gostou do livro. Concordam?

-Sim, disse Bruna. Escolho Reinações de Narizinho.

-Eu também, falou Vanessa, e já vou logo dizendo que o meu pedaço é quando a turminha do Sítio usa a linguagem do "P" na aventura do país dos macacos.

-"Apavipisepe Pepenipinhapa quepe espestapamospos naspas upunhaspas despestapa hoporrependapa mapacapacapadapa." (Avise Peninha que estamos nas unhas desta horrenda macacada).

-Ópotipimopo! Disse Amanda. Eu também escolho Reinações de Narizinho, com a descrição do vestido de casamento dela com o Príncipe Escamado feito por Dona Aranha: "O mais lindo era que o vestido não parava um só instante. Não parava de faiscar e brilhar e piscar em furta-cor, porque os peixinhos não paravam de nadar nele, descrevendo as mais caprichosas curvas por entre as algas boiantes. As algas ondeavam as suas cabeleiras verdes e os peixinhos brincavam de rodear os fios ondulantes sem nunca tocá-los nem com a pontinha do rabo. De modo que tudo aquilo virava e mexia e subia e descia e corria e fugia e nadava e boiava e dançava que não tinha fim."

-Vejam, comentou Suzi, como Lobato trabalha a linguagem com arte! A parte que eu escolho se refere ainda ao maravilhoso vestido de Narizinho. Emília, muito curiosa, mantém este diálogo com Dona Aranha, a costureira:

"-Quem é que fabrica esta fazenda?

-Este tecido é feito pela Fada Miragem.

-E com que a senhora o corta?

-Com a tesoura da imaginação.

-E com que agulha o cose?

-Com a agulha da fantasia.

-E com que linha?

-Com a linha do sonho."

-Eu prefiro uma parte engraçada, disse Bruna. O pedaço em que Emília fica brava porque Tia Nastácia não acredita que ela está falando:

"-Mangando o seu nariz! -gritou Emília furiosa. Falo, sim, e hei de falar. Eu não falava porque era muda, mas o Doutor Cara-de-Coruja me deu uma bolinha de barriga de sapo e eu engoli e fiquei falando e hei de falar a vida inteira, sabe?"

As meninas completaram o trabalho com a biografia de Monteiro Lobato, dando-lhes o título de "Lobateando". A apresentação do trabalho foi muito apreciada, recebendo elogios da professora. Mas o que não se pode deixar de contar é que naquela tarde, depois de um lanche gostoso oferecido pela mãe das gêmeas, as meninas correram para as raquetes, pois a bolinha estava lá na mesa esperando por elas. 

sábado, 17 de abril de 2021

A história que Jujuba contou

Um conto da escritora e educadora  Else Sant'Anna Brum, para amanhã, Dia Nacional do Livro Infantil:

O palhaço Jujuba prometeu contar uma história para as crianças do circo, onde trabalhava com seu irmão Picolé.

-Lembra, dizia ele, que eu fiquei de contar uma história naquele dia em que você me contou sobre as bodas de prata do tatu?

-Lembro, disse Picolé. Você disse que histórias para crianças tem que ter bruxas, fadas, duendes, príncipes, princesas, reis e rainhas. Pois então. Vamos lá, sabichão!

E Jujuba contou que:

Num grande castelo. ao lado de um belo lago, morava uma linda princesinha de cabelos dourados,

chamada Luana. Do outro lado do lago havia uma floresta. Diziam que bem lá dentro numa caverna escura, morava uma bruxa malvada e muito feia. 

Um dia a bruxa viu a princesa Luana passeando na beira do lago e, invejando sua beleza, transformou-a num cisne. Mas, nessa hora, um príncipe que era apaixonado pela princesinha vinha chegando ao castelo e presenciou a cena.

Imediatamente voltou galopando em seu cavalo até a casa de sua madrinha, uma fada muito poderosa que veio até o castelo e com sua varinha mágica desfez o feitiço da bruxa.
Quando Luana viu o príncipe, abraçou-o dizendo:

-Que felicidade, meu querido príncipe! Você salvou minha vida!

Dias depois, com o consentimento do rei e da rainha, o príncipe casou-se com Luana e...

-Já sei, falou Júlia, uma menina que ouvia a história com bastante atenção. Viveram naquele castelo felizes para sempre.

-Não, não, disse Jujuba. Infelizmente a história não termina aqui porque a bruxa voltou a atacar.

Naquela mesma noite, quando a festa de casamento terminou, a bruxa transformou a princesa Luana numa pombinha, que saiu voando pela janela, deixando o príncipe desconsolado. Ele então montou em seu cavalo e correu alcançar sua madrinha, que não tinha ido muito longe, pois saíra tarde da festa.

A fada convocou os duendes da floresta ordenando-lhes que fossem à procura da pombinha.

-Como saberemos que é a princesa?

A fada contou que ao desfazer o feitiço do cisne deixara previsto que se a bruxa transformasse de novo a princesa em qualquer coisa, ela teria a marca de uma lua.

Assim os duendes saíram rapidamente em busca da pombinha encontrando-a não muito longe dali e a fada desfez o feitiço.

Júlia perguntou:

-Será que a bruxa não fez mais mal à princesa?

-Não, falou Jujuba. Depois disso sim, eles viveram felizes para sempre, porque os duendes fecharam a 
caverna da bruxa e ela nunca mais conseguiu sair de lá!

 
Minha mãe, eu e minha amiga escritora Else, à direita.

domingo, 8 de março de 2015

O QUE É UM BOM LIVRO INFANTIL

(Segundo a Pedagogia Waldorf e em defesa de um Cânone Literário Infanto-juvenil)
Leben ohne Liebe
ist kein Leben...

Será que existe tal coisa como um “Cânone Literário Infanto-juvenil” ? Nunca ouvi falar em algo parecido, por isso minha indagação a respeito. Tudo que se refere às crianças e aos adolescentes normalmente não é levado muito a sério, como que se o simples fato deles passarem a maior parte de sua vida infantil e adolescente brincando, aprendendo e realizando outras atividades muito lúdicas e aparentemente com pouca relação à profissão não necessitasse de atenção especial. O enfoque da “importância” da vida é geralmente dado às atividades que envolvem os adultos, uma vez que estes precisam cuidar de sua sobrevivência e de seus filhos, se for o caso. Assim, é comum ouvir-se a expressão “isto é coisa de criança” denotando a menos importância ao que se está referindo. Brincadeira de criança é coisa séria, e muito séria.