E me debruço na janela da varanda e vejo passantes seguindo em seus passos firmes, assim, tão cedo, em mais um dia de trabalho... E
lá ao longe, do mar, Alguém
me acena de um catamaran... E me debruço, e corre a imaginação A buscar no recôndito daquelas Almas viandantes, Um vestígio de paz, Pela lágrima que escorre lenta... E
lá ao longe, do mar, Alguém
me acena de um catamaran... E em outro olhar me perco a perguntar, Quantos sonhos construídos, destruídos, Teimam em seguir este caminho... E
lá ao longe, do mar, Alguém
me acena de um catamaran...
Me debruço uma última vez, E ouço o clamor que brota Da ânsia De ter, de ser, de ver-te Mais uma vez, nesta vida... E
lá ao longe, do mar, Alguém
me acena de um catamaran... O dia parte, enfim, na bruma da noite E continuo debruçada na janela, Porque lá de longe Me vem e me beija E se debruça comigo... na janela... A perscrutar caminhos... E
lá ao longe, no mar, Alguém
atraca, enfim, seu catamaran...