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segunda-feira, 20 de março de 2023

20 de Março: Dia Nacional do Contador de Histórias

Parabéns a você, Contador de Histórias! 

"Quem conta um conto, acrescenta um ponto... " será? Pode ser... e porque não?

Se o objetivo de contar, de narrar, é encantar, é surpreender, é preencher a alma do ouvinte, com histórias, lendas, contos, poesias, até acrescentar um ponto é válido! 

Contar uma história pode trazer alegria, regozijo, humor e até um certo nervosismo, suspense, tensão.
Toda narrativa tem seu nível de tensão e está tudo bem. 

O contador de histórias é a pessoa capaz de transmitir seu conhecimento de forma oral. Isto é, sua ferramenta de trabalho, é a transmissão oral. Entreter o público, seja este grande ou pequeno, através de locução, da fala, ao ponto de cativar, ser capaz de prender a atenção do público e este ouvir atentamente.

Esta prática vem da antiguidade, quando a escrita ainda não era utilizada e a oralidade era o meio de passar de um para o outro, o conhecimento e a cultura. Não apenas contos e poesias, mas todo o conhecimento básico e científico era transmitido apenas oralmente.

A antiguidade greco-romana tem na figura do 'bardo' o primeiro narrador que se conhece. Eram os bardos que passavam histórias, lendas, canções, poemas e tudo o mais através da forma oral.

Conta-se, que na Era Medieval, nos cantos sombrios dos castelos e nos povoados existentes em áreas rurais, os bardos costumavam reunir grupos e ali contar suas histórias. 






segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

Tirando da Prateleira: "Felicidade" (Hermann Hesse)

Um autor do cotidiano, das coisas simples, mas profundas. Que tocam alma e coração. Um autor que pensa e repensa o que escreveu, se detém a meditar sobre uma palavra que usou. Uma expressão que inovou. Um autor composto na simplicidade.

"Em Felicidade" conhecemos a casa do autor, os pequenos cômodos, a paisagem de sua janela, as flores, sua gata, o armário de diferentes tipos de papéis que, no mais do que insumo para suas obras, eram retratos de seu estado de espírito: num dia áspero, noutro liso; branco, amarelado ou colorido." (da orelha do livro)

Nenhum pincel de nenhum pintor jamais tocou a tela com tanto amor, emoção e delicadeza quanto o vento estival quanto acaricia, penteia e faz assobiar o capim alto ou o campo de aveia, ou quando brinca com nuvenzinhas cor de asa de pombo fazendo-as flutuar em ciranda, e por um segundo acende em minúsculos arco-íris de luz as suas beiradas tênues. Como nos falam, nesses sinais, a transitoriedade e velocidade de toda a beleza, com seu encanto, sua branda melancolia, véus de Maia, a um tempo incorpóreos e afirmação de todo o ser! (p. 150)

Admirável capacidade de Hermann Hesse, de transportar o leitor a cenários e sentimentos praticamente impossíveis, mas totalmente percebidos, sentidos pelo leitor. Como por ex. quando diz que o vento 'acaricia', sem mãos, por não ser humano; que 'penteia', embora o capim não tenha cabelos; que assobia, quando nem boca possui;  mas são efeitos, narrações perfeitamente compreensíveis. E como então, não sentir a carícia do vento, não imaginá-lo 'penteando' o capim? Como não 'ouvir' seu assobio? Como não sentir tudo isso no próprio rosto, no próprio corpo?  

Este aspecto da leitura em  Hermann Hesse é quase mágico. É único de quem tem a capacidade de levar estes aspectos ao papel, criando textos que envolvem o leitor de tal forma a quase acreditar que viveu estas sensações. 

...por vezes admirei letras e números inventados e produzidos tão anêmicos, tão ruins, sem amor, sem vida, sem jogo, sem fantasia nem responsabilidade, que mesmo multiplicados em metal ou porcelana traíam despudoradamente a psicologia dos que os tinham inventado. (p. 148)


Hermann Karl Hesse nasceu em julho de 1877 e faleceu em agosto de 1962. Escritor e pintor de origem alemã. Em 1946 recebeu o Prêmio Goethe e em seguida, o Nobel de Literatura.




quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Tirando da Prateleira: "O Profeta" (Kahlil Gibran)

 

Quem nunca??? Leitura de cabeceira no nosso tempo de Segundo Grau, início de Faculdade, etc...

Um jeito de entender a vida e suas nuances. Algumas respostas a questionamentos da fase adolescente e quase maturidade. Ou então, mais questionamentos surgiam! Mas era um alento, um conforto, deparar-se com um "profeta" que sabia dizer o que precisávamos ouvir.

O livro fala dos assuntos mais profundos da humanidade: o amor, o casamento, a liberdade, o trabalho, filhos, tempo, beleza, religião etc. Leva o leitor, sem sombra de dúvida, a uma profunda reflexão sobre a existência.

"Todas essas coisas o amor fará por vós a fim de que vos torneis sabedores dos segredos de vossos corações, e que, imbuídos desse saber, vos transformeis num fragmento do coração da Vida." (p.14)

"O amor não possui nem quer ser possuído;
Pois o amor ao amor se basta."(p.14)

"Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da aspiração divina pela vida.
Vêm por vosso intermédio, mas não de vós;
E embora estejam convosco, não vos pertencem."(p.19)

"Vós trabalhais para vos manter no compasso da terra e da alma da terra." (p.27)

"Ao trabalhares, sois uma flauta cujo coração o murmúrio das horas 
atravessa e transforma-se em música.
Quem de vós permaneceria silente como um junco quando tudo ao redor
canta em uníssono?" (p.27)

"O trabalho é amor tornado visível.
E se não podeis trabalhar com amor, mas somente com dissabor,
é melhor abandonar vosso trabalho e ir sentar-vos à porta do templo
à espera de esmolas daqueles que trabalham com alegria." (p.29)



"E ainda que cantais como anjos, mas não amais vosso canto,
impedis que o homem ouça as vozes do dia e da noite." (p.29)

Então um magistrado disse:
"E que dizes a respeito de nossas Leis, mestre?"
E ele respondeu:
"Vós apreciais estabelecer leis,
Contudo, vos deliciais ao violá-las.
Qual crianças que brincam na praia construindo castelos
de areia para logo destruí-los em meio a risos.
Mas enquanto construís vossos castelos, o mar traz mais areia
até a praia,
E quando os destruís, ele sorri convosco.
Na verdade, o mar sempre ri com os inocentes. (p.45)

"Vós rezais em vossas aflições e em vossas necessidades;
pudésseis rezar também na plenitude de vossa alegria e em vossos dias de abundância." (p.69)





terça-feira, 30 de novembro de 2021

Tirando da Prateleira: "Talvez" (Vitória A. Treméa)

 


Quando o ser humano se dispõe, o propósito divino se cumpre. E foi assim quando conheci a jovem e adolescente Vitória: com seus 14 anos já tinha um arquivo de poemas inéditos, maravilhosos! E tive o prazer de ser a escolhida para lê-los em primeira mão... com olhar crítico para serem, quem sabe publicados.

Li com atenção e dedicação, um por um. De uma riqueza divina, foram organizados e enviados à editora Nova Letra. Dias e semanas de planejamento, discussão, revisão, visitas à gráfica e... finalmente, o livro publicado!

"Talvez" fosse muito cedo... Vitória tinha apenas 14 anos! 

"Talvez" fosse a hora certa...tanta inspiração merecia ser pública...

"Talvez" fosse este o propósito de Deus. E se foi, cumprido está. Missão cumprida!

Vitória tem este nome não é por acaso: sua mãe teve um parto complicado e foi dito aos seus pais, Aldo e Evani, que o bebê não andaria, não falaria, não ouviria... seria um deficiente pra toda vida. E assim recebeu o nome de Vitória, pois os pais consideraram seu nascimento uma benção. Não aceitaram o diagnóstico médico e partiram em busca de tratamentos e terapias. 

Vitória foi crescendo e vencendo cada desafio, contrariando o diagnóstico. E mais: teve a arte de escrever, sob o olhar e as mãos de Deus, aprimorada. 

Vitória anda, fala, vê, ouve... com uma perspicácia que lhe é própria. Vivenciou muitas fases de preconceito, tanto no meio familiar, de amizades e escolar. Mas venceu, cursou até o Ensino Médio, com êxito. E se mostrou capaz de ingressar na Faculdade. Vitória faz juz ao nome. É vencedora!

Na página 21 de seu livro "Talvez", encontra-se o seguinte poema:

Eu sou de Deus

Claro que é bom estar bem vestido
Disso eu não duvido
Mas não importa a minha roupa
O que importa é o que eu sou
O que importa é o meu coração cheio de amor
e não minha cor
Não importa a deficiência
Bom é ter um mais de paciência
Não importa o que eu tenho ou de onde eu venho
Porque sou de Deus e Ele me ajuda
a realizar os sonhos meus


E esta escritorinha, agora já adulta, continua sua jornada, seu propósito: publicando mensagens valiosas através do Instagram e, inclusive, com lives. 

"Talvez" nada disso tivesse acontecido, não fosse a força e a coragem de seus pais, a fé e a certeza de que juntos superariam todos os desafios. E Vitória absorveu essa força e coragem. Nunca esmoreceu na fé. 



segunda-feira, 27 de setembro de 2021

"Tem que ler de novo...": Um Conto de Natal (Charles Dickens)


Era uma vez um homem rico, de nome Scrooge, um tremendo pão duro. Um velho sovina, avarento, mesquinho, unha-de-fome e ganancioso.

Solitário e fechado como uma ostra. Onde ia, levava consigo sua frieza, que gelava o escritório mesmo em dias quentes.

Sim, ele tinha um escritório e um sócio, o Marley. E o que aconteceu com este sócio, é deveras intirigante.

Num desses dias de trabalho, perto da véspera de Natal, o de Scrooge sobrinho gritou da porta do seu escritório: -Feliz Natal, titio!
E a resposta do tio foi: -Bah! Que bobagem!

Assim era Scrooge com a maioria dos eventos e pessoas à sua volta. Tudo lhe era bobagem. Importante apenas o trabalho, o dinheiro, o trabalho no escritório. Soa bem atual... 

Seu sócio Marley era falecido há alguns anos. Mas um dia... 
Scrooge se surpreende e algo muito incomum acontece. 



Certo dia li a respeito de como surgiu o Conto de Natal. Como não encontrei o livro aqui no Brasil, numa das viagens aos USA adquiri o mesmo, numa das livrarias de lá.
Anos mais tarde encontrei a versão traduzida para o português, em livro de bolso da L&PM Pocket. Comprei, lógico! E me deliciei novamente com a leitura! 

Sua leitura é leve e a narrativa transcorre de forma a prender a atenção do leitor.  

Reza a lenda que as pessoas passaram a ter outro comportamento, após conhecerem este conto, escrito e publicado em 1843. As ilustrações do livro original são de John Leech. A repercussão positiva do seu conto foi um incentivo para escrever uma história de Natal a cada dezembro. 





Charles Dickens nasceu em fevereiro de 1812, na Inglaterra, onde viveu a era Vitoriana. Além de escritor, montou um grupo de teatro amador e foi também diretor de um Jornal. Teve como amigo o escritor de contos de fadas Hans Christian Andersen.
Faleceu em 1870 e é enterrado no Poet's corner, entre Sheakespeare e Henry Fielding (romancista inglês).  (Fonte: Um Conto de Natal, L&PM Pocket, 2008)