Mostrando postagens com marcador Brusque. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Brusque. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Sobre a Vida Polaca (Ma. do Carmo Ramos Krieger)


"Porque relembrar é preciso!" (Maria do Carmo R. Krieger)

    Em 1999, por ocasião dos 130 anos de imigração polonesa para Brusque, organizei o Almanaque da Vida Polaca, um compêndio que foi publicado em fotocópias e distribuído. Na ocasião cerca de 20 pessoas apresentaram a leitura pessoal sobre o tema imigração polonesa, formando uma coletânea de textos diversificados, dividindo seu conhecimento. Alguns dos autores eram nomes conhecidos pelos estudos que já realizavam. Outros estreavam como escritores. Todos, porém, enriqueceram o Almanaque, numa proposta diferenciada. 

    Honrou com sua colaboração o então Cônsul da Polônia em Curitiba, Marek Makowski que citou: "No estado, os principais pontos de referência polônicos começam em Brusque como sendo lugar histórico e berço da imigração polonesa no Brasil. Seguem Itaiópolis, Altoparaguaçu, Papanduva, Criciúma, São Bento do Sul, Rio Vermelho, Rio Natal e Bateias de Baixo, como grandes aglomerações de descendentes de poloneses. Finalmente a capital Florianópolis, na qual se pode contar com o trabalho e a significativa contribuição dos numerosos professores, empresários, artistas e intelectuais de descendência polonesa."


    O geógrafo e professor Nilson Cesar Fraga destacou que "o imigrante europeu contribuiu positivamente para o desenvolvimento econômico de Brusque, conferindo-lhe características próprias, tais como o grande número de indústrias, com forte vinculação com o povo colonizador. Ao fixarem-se em solo brasileiro, os imigrantes trouxeram experiência e conhecimentos técnicos industriais que, aliados ao trabalho formaram a base do capital industrial brusquense e catarinense. Nesse contexto destaca-se a importância do elemento polonês que, em 130 anos, incorporou-se ao mosaico étnico-cultural e econômico de Brusque, ajudando na ocupação e formação socioeconômica da terra barriga-verde."

    Já o geólogo e professor Luiz Fernando Krieger Merico escreveu: "poloneses que aqui chegaram por volta de 1870, encontraram uma terra que era, certamente, graciosa e linda. Deve-se dizer, porém, que era uma terra hostil. A exuberante Floresta Tropical Atlântica, a maior biodiversidade do planeta, encontrava-se em grande preservada. O primeiro desafio foi, portanto, abrir caminhos e estabelecer-se em meio à floresta tropical."

    O historiador e escritor Aloisius Carlos Lauth lembrou: "Os imigrantes poloneses, em número de 94 
pessoas, chegaram à colônia em agosto de 1869. Os anglo-americanos estavam já em debandada, em razão das péssimas condições de vida. O assentamento deu-se na linha colonial de Sixteen Lots, ocupado anteriormente pelos ingleses. Embora a demarcação, o lote era fraco em benfeitorias e culturas. Não havia o comprometimento da presidência da Província em fornecer instrumentos agrícolas e sementes para o plantio. Em pouco tempo, também os poloneses começaram a reclamar da situação e iniciaram o movimento de êxodo, seguindo os passos de Sebastião Edmundo Wos Saporski. A transferência se dá para os terrenos nos arredores de Curitiba."

    Empresário e pesquisador, Nazareno Dalsasso Angulski recordou que "os poloneses constituíram um grupo étnico minoritário no estado e que esse grupo foi pouco pesquisado  e destacado pelos historiadores, esquecido muitas vezes pela classe política em geral. A maioria desses imigrantes procediam da Alta Silésia, Prússia Ocidental e da Grande Polônia. Valorizavam sobretudo três coisas: a religião, a pátria e a cultura, e se preocupavam muito em alfabetizar seus filhos."

In: Jornal "O Município", Brusque, em 28/10/2025


Cracóvia

Imagens: arquivo particular de Ellen Crista da Silva. Museu ao Ar Livre, Opole e Castelo da Cracóvia







segunda-feira, 1 de julho de 2024

Diegoli & Krieger: 150 anos de Imigração Italiana no BR (Maria do Carmo R. Krieger)

 

São 12 páginas... doze páginas de uma história rica em detalhes, em amor à vida e força de trabalho. 

Diegoli & Krieger, "De fábrica de macarrão à indústria do vestuário", por Maria do Carmo R. Krieger,

autora esta natural de Brusque, pesquisadora e historiadora da imigração polonesa, das histórias de Penha e agora, um relato de sua família de origem italiana:

"A busca pela genealogia das famílias de origem revela histórias as mais diversas, com aventuras de antepassados que trilharam caminhos em águas internacionais ao cruzarem, de navio, o Oceano Atlântico e depois navegarem, numa embarcação mais simples, um rio: o Itajaí-Mirim, em Santa Catarina. Vidas únicas – tal o sofrido processo de emigração pelo qual passaram em busca de um novo e surpreendente
destino, representado na própria trajetória de muitos italianos ou alemães, como a que me trouxe até aqui, através dos Diegoli e Krieger.

Recentemente conquistei a Cidadania Italiana por conta de ser neta de Adelaide Diegoli, mãe de Oscar Gustavo Krieger, meu pai. Quando nasci, ela já era falecida e só a conheci através das descrições e
lembranças de meus pais, irmãos mais velhos e dos meus tios paternos."

Maria do Carmo autografando

"Adelaide" era vó de Maria do Carmo; veio ao Brasil com 5 anos de idade, em 1889. A família então se instalou na Colônia Itajahy, futura Brusque, fundada em 04.08.1860.
Mas os italianos chegaram em 1875.

Gregorio, pai de Adelaide, deu início a várias atividades: era taverneiro, vendeiro, construtor de lanchas e pequenas embarcações, varejista e empreendedor. Revendia máquinas Singer!

Montou uma fábrica de macarrão que era vendido para Gaspar, Itajaí, Blumenau e Nova Trento. Veio uma crise e os negócios foram também afetados, sem, contudo, esmorecer a vontade trabalhar e vencer. Gregorio faleceu com 82 anos.

E Adelaide? Conheceu Gustav Philipp Krieger, alemão, nascido em Brusque e casou-se. Gustavo, bom em alfaiataria, abriu a "Alfaiataria Elegante" em 1898. Em 1894 mudou o nome para "Irmãos Krieger" e ficou tão famosa que o Cônsul Carlos Renaux encomendava com eles seus ternos, mesmo quando estava na Alemanha. 

Autografando em Penha


Conta Maria do Carmo, no seu artigo: "A alfaiataria, enquanto Empresa Irmãos Krieger, atuou como uma grande indústria do vestuário, com departamento de corte de trajes, departamento de confecções de calças, confecções de calças em tecido jeans, tendo possibilitado a oferta de emprego a mais de 200 funcionários e operários.

E como num conto de fadas, há que ser ter um final feliz para Adelaide e Gustavo - principal objetivo dessa crônica, cuja pretensão é dar transparência às histórias de vidas que, por merecimento, são destaque na construção da própria História do Município."

Vai aí, um 'toque', uma história memorável, rica em detalhes (vale a pena ler o artigo na íntegra), de como italianos e alemães participaram da história de Brusque.






domingo, 5 de março de 2023

5 de Março: Dia do Filatelista Brasileiro

Em homenagem ao Dia do Filatelista Brasileiro, transcrevo algumas palavras sobre "Envelopes Colecionáveis", artigo da escritora Maria do Carmo Ramos Krieger publicado no Boletim Filatélico, nro 48 - março e abril 2023 - Brusque/SC:

    "1975. Este ano é o primeiro dos muitos até 1990 - período que marca, especialmente as datas dos Envelopes de 1o Dia de Circulação - assim conhecidos os exemplares que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), popularmente conhecida como Correios, editou e que me pertencem. Refiro-me aos exemplares que nesse tempo (1975/1990) foram adquiridos por meu pai, Oscar Gustavo Krieger, de quem herdei muitos exemplares. Filatelista e Numismata, Oscar guardava envelopes datados anteriormente e acredito que sua coleção fosse maior e mais completa, porém a mim coube uma amostra, razão pela qual comentarei sobre alguns deles.

    Em algumas ocasiões os envelopes nem eram (ou são) oficiais, sugerindo sua importância como marca de um determinado fato ou mesmo pessoa. O que são Envelopes de Circulação de 1o Dia? Dizem respeito a envelopes comemorativos, com estampa, selos, impressão e seguem um padrão filatélico, com tamanho de 19cm x 10cm. A maioria dos envelopes destina-se a colecionadores. Seu lançamento acontece em datas especiais e, posteriormente, sua comercialização ocorre por meio de trocas e vendas - essas, especialmente em feiras especializadas, reunindo apreciadores e também pelas mídias através da internet, quando a busca por eles se torna muito mais visível, com referência a lotes, preços, etc.

    Por ocasião do Centenário de Nascimento de Oscar, a 1o de outubro de 2009, a família encomendou o selo (nesse caso, foi um envelope tamanho 16cm x 11cm) e depois providenciou a impressão alusiva à data, além de ter conseguido, junto à Agência dos Correios, em Brusque/SC, sua cidade natal, um momento de apresentação, com direito ao carimbo do dia."

    O artigo continua descrevendo os envelopes e os eventos alusivos a cada um e, como diz a autora, uma verdadeira relíquia. E, pesquisando no Google, encontrou a seguinte definição para 'Filatelia', dentre outras definições:

    "-é o estudo e colecionismo de selos postais e materiais relacionados."

    O Boletim Filatélico, além deste artigo, apresenta estes outros nesta edição:
        Orient Express, o trem mais famoso 
        O mundo das Graças
        Postais e Histórias 
        Envelopes Colecionáveis
        A Maçonaria na História Postal


*Maria do Carmo Ramos Krieger, pesquisadora e escritora sobre Imigração Polonesa em Brusque/SC, gosta de lembrar feitos do pai Filatelista, Numismata, Oscar Gustavo Krieger - um dos fundadores do Clube Filatélico Brusquense.