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segunda-feira, 24 de julho de 2023

Livro de Cabeceira*última parte*: "tudo sobre o amor"(Bell Hooks)

 

E é nessas andanças pela vida que, de repente, nos colocam nas mãos um livro assim, tão incrivelmente fantástico a respeito do "Amor". E por ser tão maravilhoso é que não me contive e transcrevo algumas passagens marcantes. Gratidão pelo presente!!!

Cura: o amor redentor. O amor cura. Quando somos feridos nos espaços onde deveríamos conhecer o amor, é difícil imaginar que o amor realmente tenha o poder de mudar tudo. (...) Ou ainda: se em nosso passado fomos amados, sabemos que não importa a presença ocasional do sofrimento em nossa vida, pois sempre voltaremos para a calma e a felicidade recordadas.(237)

Muito antes de os termos "funcional" e "disfuncional" serem usados para identificar tipos de famílias, aqueles entre nós que foram feridos na infância os conheciam, porque sentíamos dor. E essa dor não ia embora quando saíamos de casa. Mais do que a nossa dor, nossos impulsos autodestrutivos e autossabotadores nos aprisionavam nos traumas da infância. Nós éramos incapazes de encontrar consolo ou libertação. Não podíamos escolher a cura, porque não tínhamos certeza de que poderíamos ser reparados, de que os pedaços partidos pudessem ser colados. Nós nos confortávamos fingindo. No entanto, esse consolo não durava. Geralmente, era sucedido por depressão e luto avassalador. Nós desejávamos ser resgatado, porque não sabíamos como nos salvar. Com muita frequência, nos viciávamos em viver perigosamente. Apegando-nos a esse vício, tornava-se impossível estarmos bem com a nossa alma. Assim como ocorre com qualquer outro vício, abandoná-lo e escolher estar bem era a nossa única maneira de resgate e recuperação. 
    Fingi de muitas formas ao longo de grande parte da minha vida. Quando comecei a caminhar pela trilha do amor, fiquei impressionada com a velocidade com que algumas disfunções anteriores eram alteradas. (240)

Fazer a escolha fundamental de ser salva não significa que não precisemos de apoio com problemas e dificuldades. É simplesmente o gesto inicial de assumir responsabilidade pelo nosso bem-estar, admitindo que estamos partidos, admitindo nossos ferimentos, e nos abrindo para a salvação, o que deve ser feito pelo indivíduo. Esse ato de abrir o coração nos possibilita receber a cura que nos é oferecida por aqueles que cuidam. (241)

    
A cura é um ato de comunhão. (...) A oração oferece um espaço em que falar cura. (...) A oração oferece a cada pessoa um local privado de confissão. Há verdade no axioma "a confissão é boa para a alma". (243)

Depois de fazermos a escolha de sermos curados pelo amor, a fé de que essa transformação virá nos dá a paz na mente e no coração que é necessária para a alma que busca uma revolução. É difícil esperar. (...) Quando nos entregamos `"espera", permitimos que as mudanças emerjam dentro de nós sem ansiedade ou luta. (244)

Rompendo com nosso senso de isolamento e abrindo a janela da oportunidade, a esperança nos dá uma razão para seguir adiante. É uma prática do pensamento positivo. Ser positivo, viver em estado permanente de esperança, renova o espírito. (247)

A prática de amar é a força curativa que nos traz paz duradoura. É a prática do amor que transforma. Conforme alguém dá e recebe amor, o medo vai embora. Conforme vivemos a compreensão de que "não há medo no amor", nossa angústia diminui e reunimos forças para entrar mais profundamente no paraíso do amor. (...)
    O poder transformador do amor não é acolhido totalmente em nossa sociedade, porque com frequência acreditamos, de forma equivocada, que o tormento e a angústia são nossa condição "natural". Essa presunção parece ser reforçada pela tragédia constante que prevalece na  sociedade moderna. Em um mundo angustiado pela destruição desenfreada, o medo prevalece. Quando amamos, não permitimos mais que nosso coração seja aprisionado pelo medo. (248)

Conforme ansiamos, nos preparamos para receber o amor que está vindo para nós com um presente, uma promessa, um paraíso terreno. (249)


E o livro segue, até a página 263, descrevendo a única possibilidade de auto-salvação, de auto-estima, de, sim, viver feliz. Seja consigo mesmo, seja nas relações pessoais e inter-pessoais, seja com coisas, sonhos, direitos, governos e desgovernos, enfim, em todos os aspectos de nossa vida, nossa vivência. 

Título Original: All About Love - New Visions, bell hooks.
Tradução: Stephanie Borges. São Paulo: Elefante, 2021. 272p.













quinta-feira, 20 de julho de 2023

Livro de Cabeceira*parte 5*: "tudo sobre o amor"(Bell Hooks)

 E é nessas andanças pela vida que, de repente, nos colocam nas mãos um livro assim, tão incrivelmente fantástico a respeito do "Amor". E por ser tão maravilhoso é que não me contive e transcrevo algumas passagens marcantes. Gratidão pelo presente!!!

"Isolamento e solidão são cuasas centrais da depressão e do desespero. São, também, o resultado da vida numa cultura em que as coisas recebem mais importância que as pessoas. O materialismo cria um mundo de narcisismo, no qual o foco da vida é apenas comprar e consumir. Em uma cultura narcísica, o amor não pode desabrochar. a emergência da cultura do "eu" é consequência direta da incapacidade de nosso país de pôr em prática, de fato, a visão de democracia enunciada em nossa Constituição e na Declaração de Direitos. Abandonados na cultura do "eu", consumimos e consumimos, sem pensar nos outros. (139)

A disseminação do vício tanto em comunidades pobres como nas ricas está ligada ao nosso desejo psicótico pelo consumo material. Ele nos mantém incapazes de amar. A fixação em desejos e necessidades, estimulada pelo consumismo, promove um estado psicológico de interminável anseio. Isso leva a uma angústia de espírito e a um tormento tão intensos que as substâncias entorpecentes oferecem libertação e alívio, embora tragam em sua esteira o problema do vício. (144)

A maioria de nós não sabe ao certo o que fazer para proteger e fortalecer os laços carinhosos quando nossas necessidades autocentradas não são atendidas. A maioria das pessoas gostaria de encontrar o amor onde está, na vida e na relação que escolheu, mas sente que não conta com estratégias úteis para sustentar esses laços. (149)

Todos nós podemos resistir à tentação da ganância. Podemos trabalhar para transformar políticas públicas. podemos desligar a televisão. Podemos demonstrar respeito ao amor. Para salvar nosso planeta, podemos parar com o desperdício inconsequente. Podemos reciclar e apoiar estratégias de sobrevivência ecologicamente avançadas. Podemos celebrar e honrar o comunalismo (municipalismo) e a interdependência, compartilhando recursos. Todos esses gestos mostram respeito e gratidão pela vida. Quando valorizamos o adiamento da recompensa e assumimos responsabilidade por nossas ações, simplificamos nosso universo emocional. Viver com simplicidade faz com que amar seja simples. A escolha por viver com simplicidade necessariamente intensifica a nossa capacidade de amar. É como aprendemos a praticar a compaixão, afirmando todos os dias nossa conexão com uma comunidade mundial. (159)











 


terça-feira, 18 de julho de 2023

Livro de Cabeceira*parte 4*: "tudo sobre o amor"(Bell Hooks)

 


E é nessas andanças pela vida que, de repente, nos colocam nas mãos um livro assim, tão incrivelmente fantástico a respeito do "Amor". E por ser tão maravilhoso é que não me contive e transcrevo algumas passagens marcantes. Gratidão pelo presente!!!

"Despertar para o amor só pode acontecer se nos desapegarmos da obsessão pelo poder e pela dominação. (...) Os valores que sustentam uma cultura e sua ética moldam e influenciam a forma como falamos e agimos. Uma ética amorosa pressupõe que todos tem o direito de ser livres, de viver bem e plenamente.(...) No final de A arte de amar,  Erich Fromm afirma que "importantes e radicais mudanças em nossa estrutura social são necessárias, para que o amor se torne um fenômeno social, e não um fenômeno altamente individualista e marginal. (123)

Culturas de dominação se apoiam no cultivo do medo como forma de garantir a obediência. Em nossa sociedade, falamos muito do amor e pouco do medo. Todavia, estamos terrivelmente apavorados o tempo todo. Como cultura, estamos obcecados com a ideia de segurança. (...) Ele (o medo) promove o desejo de separação, o desejo de não ser conhecido. (..) Quando escolhemos amar, escolhemos nos mover contra o medo - contra a alienação e a separação. A escolha por amar é uma escolha por conectar - por nos encontrarmos no outro. (129)

Abraçar uma ética amorosa significa utilizar todas as dimensões do amor - "cuidado, compromisso, confiança, responsabilidade, respeito e conhecimento" - em nosso cotidiano. Só podemos fazer isso de modo bem-sucedido ao cultivar a consciência. Estar consciente permite que examinemos nossas ações criticamente para ver o que é necessário para que possamos dar carinho, ser responsáveis, demonstrar respeito e manifestar disposição de aprender. (130)

A preocupação em relação ao bem coletivo de nosso país, de nossa cidade ou vizinhança, baseada em valores amorosos, faz com que todos busquemos nutrir e proteger esse bem. Se todas as políticas públicas fossem criadas no espírito do amor, não teríamos que nos preocupar com o desemprego, as pessoas em situação de rua, o fracasso de escolas em ensinar às crianças ou os vícios. (134)

Nós nos esforçamos para fazer de nossa casa um ambiente positivo para todos. Todos concordamos que a integridade e o cuidado melhoram a vida de todos nós. (...) Aprender como encarar nossos medos é uma das formas de abraçar o amor. Talvez nosso medo não vá embora, mas já não ficará no caminho.(...) Não estamos sozinhos. (137)"








quinta-feira, 29 de junho de 2023

Livro de Cabeceira*parte 3*: "tudo sobre o amor"(Bell Hooks)

E é nessas andanças pela vida que, de repente, nos colocam nas mãos um livro assim, tão incrivelmente fantástico a respeito do "Amor". E por ser tão maravilhoso é que não me contive e transcrevo algumas passagens marcantes. Gratidão pelo presente!!!

"Estar completamente vivo é agir.[...] Compreendo a ação como qualquer forma em que podemos cocriar a realidade com outros seres e Espírito.[...] A ação, como um sacramento, é uma forma visível de um espírito invisível, uma manifestação externa de um poder interior. Contudo, conforme agimos, não apenas expressamos o que está em nós e ajudamos a moldar o mundo; nós também recebemos o que está fora de nós e remodelamos nosso eu interior. (Parker Palmer)

Compromisso com a vida espiritual exige que façamos mais que ler um bom livro ou ir a um retiro restaurador. Demanda prática consciente, uma disposição de unir a forma como pensamos e a forma como agimos. [...] Quando falo do espiritual, me refiro ao reconhecimento dentro de cada um de que existe um lugar de mistério na nossa vida onde forças que estão além do desejo ou da vontade humana alteram as circunstâncias e/ou nos guiam e direcionam. Chamo essas forças de "espírito divino". [...]

O compromisso com a vida espiritual necessariamente significa que abraçamos o princípio eterno de que o amor é tudo, todas as coisas, nosso verdadeiro destino. (grifo meu)(116,117)

Para ser significativa, a prática espiritual não precisa estar conectada à religião organizada. Alguns indivíduos encontram sua conexão sagrada com a vida em comunhão com o mundo natural ou se envolvendo em práticas que honram os ecossistemas que mantêm a vida. Nós podemos meditar, rezar, ir ao templo, à igreja, à mesquita ou criar um santuário tranquilo onde moramos para entrar em contato com os espíritos sagrados. Para algumas pessoas, servir diariamente os outros é uma prática espiritual afirmativa, que expressa seu amor por outrem. Quando estabelecemos o compromisso de estar em contato com forças divinas que influenciam nosso mundo interior e exterior, estamos escolhendo conduzir a vida no espírito. (119)"


quarta-feira, 28 de junho de 2023

Livro de Cabeceira*parte 2*: "tudo sobre o amor"(Bell Hooks)

E é nessas andanças pela vida que, de repente, nos colocam nas mãos um livro assim, tão incrivelmente fantástico a respeito do "Amor". E por ser tão maravilhoso é que não me contive e transcrevo algumas passagens marcantes. Gratidão pelo presente!!!

"Na conclusão de A arte de amar, livro perspicaz escrito em meados dos anos 1950, mas ainda relevante no mundo de hoje, o psicanalista Erich Fromm corajosamente chama atenção para o fato de que "o princípio que alicerça a sociedade capitalista e o princípio do amor são incompatíveis". Ele observa: "Nossa sociedade é dirigida por uma burocracia gerencial, por políticos profissionais; o povo é motivado pela sugestão da massa, seu alvo é produzir mais e consumir mais, como finalidades em si". A  ênfase cultural no consumo interminável desvia a atenção da fome espiritual. Somos ininterruptamente bombardeados por mensagens que nos dizem que todas as nossas necessidades podem ser satisfeitas pelo acúmulo material. A artista Barbara Kruger criou uma obra que proclama: "Compro, logo sou" para mostrar como o consumismo tomou conta da consciência coletiva, fazendo as pessoas pensarem que elas são o que elas possuem. Quando o afã de teer se intensifica, o mesmo acontece com a sensação de vazio espiritual. Por nos sentirmos vazios espiritualmente, tentamos nos preencher com o consumismo. Podemos não ter amor o suficiente, mas sempre podemos comprar." (110)

"Não por acaso tantos professores famosos de espiritualidade new age relacionam seus ensinamentos a  
uma metafísica da vida prática que exalta as virtudes da riqueza, do privilégio e do poder. Por exemplo, observe a lógica new age que sugere que os pobres escolheram ser pobres, escolheram seu sofrimento. Esse pensamento retira de todos nós que somos privilegiados o fardo da responsabilidade. Em vez de nos convocar para abraçar o amor e mais comunhão, ele, na verdade, demanda um sentimento na lógica da alienação e do distanciamento." (111)

"Quando falo de amor, não estou falando de uma reação sentimental e fraca. Estou falando daquela força que todas as grandes religiões veem como o supremo princípio unificador da vida. O amor, de alguma forma, é a chave que abre a porta que leva à última realidade. Essa crença hindu-muçulmana-cristã-judaico-budista na última realidade é lindamente resumida na primeira epístola de São João: "Amemo-nos uns aos outros, pois o amor é de Deus e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus". (Martin Luther King)"(113)










segunda-feira, 8 de maio de 2023

Livro de Cabeceira: "tudo sobre o amor" (Bell Hooks)

 

E é nessas andanças pela vida que, de repente, nos colocam nas mãos um livro assim, tão incrivelmente fantástico a respeito do "Amor". E por ser tão maravilhoso é que não me contive e transcrevo algumas passagens marcantes. Gratidão pelo presente!!!

Diz Bell Hooks: "Em uma sociedade que considera falar de amor algo naïf, a proposta apresentada por bell hooks ao escrever sobre o tema é corajosa e desafiadora. E o desafio é colocarmos o amor na centralidade da vida. Ao afirmar que começou a pensar e a escrever sobre o amor quando encontrou "cinismo em lugar de esperança nas vozes de jovens e velhos", e que o cinismo é a maior barreira que pode existir diante do amor, porque ele intensifica nossas dúvidas e nos paralisa, bell hooks faz a defesa da prática transformadora do amor, que manda embora o medo e liberta nossa alma." (grifo meu) (09)

"A melhor definição de amor é aquela que nos faz pensar o amor como ação - conforme diz o psiquiatra M. Scott Peck, trata-se da "vontade de se empenhar ao máximo para promover o próprio crescimento espiritual ou o de outra pessoa". Nota-se que o espiritual aqui não está vinculado à religião, mas a uma força vital presente em cada indivíduo. Nesse sentido, a afeição seria apenas um dos componentes do amor. Para amar verdadeiramente devemos aprender a misturar vários ingredientes: cuidado, afeição, reconhecimento, respeito, compromisso e confiança (grifo meu), assim como honestidade e comunicação aberta. (...) Dessa maneira, ao pensar o amor como ação, nos vemos obrigados a assumir a responsabilidade e o comprometimento com esse aprendizado". (12)

"Nós aprendemos sobre o amor na infância, e que nossa família seja chamada funcional ou disfuncional, sejam nossos lares felizes ou não, são eles as nossas primeiras escolas de amor.(...) ...a autora demonstra o quanto o lar da família nuclear é uma esfera institucionalizada de poder que pode ser facilmente autocrática e fascista. Dessa maneira, continua ela, se queremos uma sociedade eticamente amorosa, precisamos desmascarar o mito de que abuso e negligência podem coexistir com amor". (13) 

"Começar por sempre pensar no amor como uma ação, em vez de um sentimento, é uma forma de fazer com que qualquer um que use a palavra dessa maneira automaticamente assuma responsabilidade e comprometimento. Somos com frequência ensinados que não temos controle sobre nossos "sentimentos". Contudo, a maioria de nós aceita que escolhemos nossas ações, que a intenção e o desejo influenciam o que fazemos. Também aceitamos que nossas ações têm consequências. Pensar que as ações moldam os sentimentos é uma forma de nos livrarmos de suposições aceitas convencionalmente, como a de que pais amam seus filhos, de que alguém simplesmente "cai" de amores sem exercer desejo ou escolha, de que existe algo chamado "crime passional", isto é, de que ele a matou porque a amava demais. Se nos lembrássemos constantemente de que o amor é o que o amor faz, não usaríamos a palavra de um jeito que desvaloriza e degrada o seu significado. Quando amamos, expressamos cuidado, afeição, responsabilidade, respeito, compromisso e confiança (grifo meu)". (55)

"Quando nos revelamos aos nossos parceiros e descobrimos que isso traz cura, e não dano, realizamos uma descoberta importante: relacionamentos íntimos podem ser um refúgio num mundo de aparências, um espaço sagrado onde podemos ser nós mesmos, como realmente somos.[...] Esse tipo de desvelamento - falar nossa verdade, compartilhar nossas lutas internas e revelar nossas arestas - é uma atividade sagrada, que permite que duas almas se encontrem e se toquem mais profundamente. (John Welwood)" (75)

"Muitas mulheres são casadas com homens que não as apoiaram quando decidiram investir em sua própria educação. (...) O marido e os filhos se mostravam desapontados quando a independência dela (uma mulher entrevistada) os forçava a aceitar mais responsabilidades em relação ao trabalho doméstico. No longo prazo, todos se beneficiaram. Sem falar que essas mudanças fortaleceram a autoestima dela de maneira que lhe mostraram como o amor-próprio tornou possível estar disponível para os outros de um jeito construtivo. Ela estava mais feliz e todos ao seu redor também." (98)

"Criar felicidade doméstica é especialmente útil para pessoas que moram sozinhas e estão aprendendo a amar a si mesmas. Quando nos esforçamos intencionalmente para tornar a nossa casa um lugar onde estamos prontos para dar e receber amor, cada objeto que colocamos ali aumenta o nosso bem-estar. (...) Como meu apartamento é muito menor que os lugares onde me habituei a morar, decidi levar apenas objetos que eu realmente amava - as coisas sem as quais eu sentia que não poderia ficar. É impressionante a quantidade de coisas das quais podemos nos desapegar. (...) Ao dar amor a nós mesmos, concedemos ao nosso ser interior a oportunidade de ter o amor incondicional que talvez tenhamos sempre desejado receber de outra pessoa. Quando interagimos com os outros, o amor que damos e recebemos sempre é necessariamente condicional. Embora não seja impossível, é muito difícil e raro que sejamos capazes de estender o amor incondicional aos outros, em grande parte porque não temos como exercer controle sobre o comportamento deles e não podemos prever ou controlar totalmente nossas reações a suas reações. Podemos, contudo, exercitar controle sobre as nossas. Podemos nos dar o amor incondicional que é o fundamento para a aceitação e a afirmação sustentadas. Quando nos damos esse presente precioso, somos capazes de alcançar os outros a partir de um lugar de satisfação, e não de falta. (...) A luz do amor está sempre em nós, não importa quão fria esteja a chama. Ele está sempre presente, esperando uma fagulha que o inflame, esperando que o coração desperte e nos leve de volta para a primeira lembrança de ser a força da vida dentro de um lugar escuro esperando para nascer - esperando para ver a luz". (106, 107)