Há 25 anos, meu pai esteve nos Estados Unidos, no dia do ataque às Torres Gêmeas do WTC. Mas, para contar essa vivência de meu pai, precisamos saber como foram os dias, as semanas anteriores.
Em julho de 2001 as "Teresa's", mãe e filha, tia e prima, viajaram para o Brasil, mais precisamente para Santa Catarina, com o fim de visitar mais uma vez a família Neuwiem. Mais do que isso: Teresa-mãe passaria um tempo a mais com sua única irmã, minha mãe Janina; ou Yanka, como era conhecida por muitos. Visitaram parentes e amigos e, depois de alguns dias, Teresa-filha voltou para os USA.
Teresa-mãe ficou hospedada na casa dos meus pais, em Blumenau. Isto foi inédito na vida da minha mãe, que desde 1949 nunca mais ficara tanto tempo em companhia da irmã. E era sempre uma alegria muito grande, quando a visitava em Wilmington. Teresa veio ao Brasil pela primeira vez em 1988 e, nesta segunda vez, veio para ficar mais tempo, mais um mês, na verdade.
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| Com os parentes, no Brasil |
E então, quando setembro pronunciava a Primavera, meu pai Ingomar acompanhou-a de volta ao seu lar, me Wilmington. Este era o plano: Teresa-mãe ficaria na condição do cunhado acompanhá-la de volta para casa. Teresa era fluente em inglês, polonês e alemão, mas não no português.
Ok, dia marcado, mala empacotada, os dois embarcaram em Florianópolis rumo São Paulo e depois rumo Nova York. Tudo bem, tudo tranquilo. Meu pai ficava feliz cada vez que podia ajudar algum amigo ou parente. E se precisasse viajar, sim, faria isto também!
Os primeiros dias foram ótimos, com passeios e visita a amigos. Barbecue, hot-dogs e muito mais encantaram meu pai. Mesmo tendo passado o susto que passou, sempre expressava gratidão por estes momentos...
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| Com os parentes, nos USA |
Mas... passados alguns dias, o terror e o pavor se instalaram em nossas vidas quando os noticiários comunicavam o ataque ao World Trade Center.
Lembro que eu estava na sala da Administração da escola que os filhos frequentavam, pois fazia parte da Comissão Financeira, quando o administrador interrompeu nossa reunião e correu atrás de uma TV:
- aconteceu alguma coisa em Nova York. E é sério.
Não sei como, uma TV foi localizada, ficamos estupefatos com o que se via e a reunião terminou por alí mesmo. Não havia clima para decidir mais nada.
Dias depois, como aluna do Curso de Letras, na UFSC, enquanto assistia uma palestra, um dos professores do Curso sentou do meu lado e comentou sobre o ataque:
- você viu o que aconteceu em Nova York?
- meu pai está lá...
- o que? Como? - respondeu ele, sem entender nada...
- ele viajou para levar minha tia de volta para casa. E o atentado aconteceu. Ele está apavorado. Não sabe se vai poder voltar no dia marcado.
Os aeroportos estavam todos fechados. Meu pai chorava cada vez que falávamos ao telefone:
-isto aqui é um 'estado de guerra'... estou desesperado...
Mantínhamos contato frequente, para lhe dar suporte. Mas nós aqui, também precisávamos de suporte, pois não suportávamos a ideia dele não poder voltar. Desejávamos que tudo se resolvesse logo, e que poderíamos enfim estar juntos de novo.
Foram dias intermináveis de angústia. Os parentes deram todo suporte necessário, do lado de lá, na questão de aeroportos, passagem, etc. Acolheram-no com muita atenção.
Enquanto isso, também procurávamos saber das possibilidades de viagem, etc.
E, não bastasse todo esse susto, esse desespero durante aqueles dias, ao chegar em casa, meu pai se deu conta que estava sem a 'pochete' (bolsa de cintura)... puxando pela memória, se deu conta de ter tirado no banheiro do aeroporto em São Paulo e não pegou de volta. E lá se foram os poucos dólares e documentos...
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| Teresa-mãe e Teresa-filha |










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