sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Amyr Klink na FLIP - cenas de uma escritora

O ano: 1984. Ano em que mudamos de Blumenau para Florianópolis, no mês de janeiro. Novos ventos, novos rumos, novas perspectivas. E enfim tínhamos um lugar mais promissor para as terapias e o desenvolvimento do Vinícius, o filho portador de Síndrome de Down. 

E foi desta Ilha que acompanhei a grande travessia, talvez maluca travessia no Atlântico, de Amyr Klink. Santos sejam louvados... mas como alguém, em sã consciência, faria uma travessia tão alucinada, de um ponto da África até o Brasil?

- Tá, ele tem um barco a motor... ou à vela...
- Não! É de remo...
- Remo?...

E as notícias pelos jornais, rádio e televisão não paravam de noticiar a aventura e eu ficava cada vez mais curiosa. 

- Ele vai ser engolido pelos tubarões... não tem como. Num barco de remo? 
Ou vai ser tragado pelas imensas ondas do Atlântico. Pensa: um barquinho que é um tiquinho de tamanho, enfrentando a voracidade do oceano. Tem noção do perigo?...
- O barco é todo fechado. Tipo cápsula. Quando avista o perigo, se fecha na cápsula...
- Mas... e como vai atracar no Brasil, sem motor, sem saber onde está indo... vai se perder na imensidão do mar...
- Nada! Está tudo planejado, tudo calculado...
- Calculado???
- Sim! Cartas náuticas, bússolas e o mais importante: as correntes marítimas! São elas que vão conduzir o caminho. 
- Mas nunca ninguém fez uma viagem assim. E a comida? E as horas? Sem comissário de bordo... só piloto, simples remador.  Convenhamos, um piloto muito ousado. Que Deus o acompanhe. Amyr, no seu livro "100 dias entre céu e mar" descreve assim a partida:

    "O dia começou a nascer, envolto em uma neblina baixa que fazia as altas dunas do deserto                     parecerem nuvens sobre o horizonte."


 Os conselhos antes da partida, para desistir, foram muitos. Mas houve também, quem o incentivou, tudo por causa do "dossiê amarelo". E os dias foram se passando e as notícias acompanhando o quanto dava, de todo seu trajeto. As perguntas eram inúmeras e as respostas sempre as acompanhavam. Então, ficávamos sabendo de como dormia, como comia, como planejava os dias, as tempestades, os tubarões, as ondas gigantescas... Houve um dia em que se perguntou, em voz alta, já em alto-mar:

    "Que diabo vim fazer aqui, neste lugar maluco?"

Ficamos sabendo que o barco tinha um dispositivo que não permitia virar; ou, se virasse, desvirava. Não emborcaria nunca. Os 'lastros' eram para isso, o que foi um verdadeiro alívio para esta espectadora. E uma surpresa saber que um dispositivo assim pudesse existir. A engenharia e a engenharia naval são realmente fantásticas!  E Amyr conta detalhes de sobrevivência, como por exemplo, o acondicionamento dos mantimentos, as ferramentas e ferramentinhas, rádios, âncora, diário, cama, travesseiro, fogão... até uma carta trouxe para ser entregue no Brasil: Sedex? "Poste até às 10hs e será entregue em 100 dias!!!" - E assim aconteceu.

"O mar fazia muito barulho e foi difícil dormir. Volta e meia alguma onda passava por cima, enchendo o cokpit." (p.58)

Meu pai foi remador num clube de remo, em Blumenau. Era apaixonado pelo remo. Suas últimas palavras, no leito de morte, foram sobre o clube. Quando jovem, ele e alguns amigos começaram a construir um barco, tal era a paixão deles pelo mar. Em casa tínhamos uma batera, uma canoa, que era usada tanto no rio quanto nas enchentes que assolavam Blumenau. Ela era ótima, toda de madeira e era larga, o que permitia boa flutuação e acomodar várias pessoas. Muitas foram as travessias de pessoas, de um lado da rua para o outro, nesta batera, em dias de enchente. 

Então quando ficamos sabendo da aventura de Amyr, era comum entabular conversas a respeito. Lembro que meu pai tinha respostas para muitas dúvidas que surgiam, pela proximidade que ele tinha com a navegação.


E aconteceu, agora em julho de 2026, a ida à FLIP, a convite da filha Heloisa. Ficamos de terça à domingo em Paraty, aproveitando tudo o que era possível, pois a programação foi maravilhosa e bem 
Marina, esposa de Amyr

extensa. E numa destas tardes, assistimos uma das mesas. A Mesa seria às 15hs, mas para não perder lugar, nos acomodamos num dos bancos às 14hs e não arredamos pé. Eu estava 'seguindo' minha filha e nem me dei conta do assunto. Perto de começar a Mesa, alguém estava online com Tamara Klink, no celular, mostrando a plateia e trocando informações sobre o evento. Foi então que fiquei sabendo onde tinha me metido... que Mesa era aquela! E era Marina, mãe de Tamara, que estava mostrando à filha aspectos do que seria a Mesa e que travava dum documentário sobre sua viagem ao Ártico. Tamara estava na Noruega, por isso não estava presente no evento. Era visível a felicidade de mãe e filha por aquele momento tão especial. E o documentário foi simplesmente maravilhoso. Como não comprar "Bom dia, Inverno!" depois de conhecer um pouco de sua história?

E, sabendo que Amyr estaria autografando na FLIP, lá fomos nós para mais uma fila em busca do seu autógrafo no livro dele, também adquirido. Sabia que existe arco-íris da lua? Amyr viu! E viu mais: Dourados, baleias, tubarões, tartarugas, gaivotas e mais gaivotas... ah, a ilha de Santa Helena: imperdível a tensão em torno da ilha de Santa Helena, da Costa dos Esqueletos... das muitas tempestades e ondas. 

Amyr autografando




















Há uma carga de tensão que prende a leitura. E quando então a gente está mergulhado na aventura, lá vem uma dose de humor! Como não rir e sorrir, depois de quase ser tragado pelas ondas magníficas, tão bem descritas, quase naufragando entre África e Brasil... como por exemplo, quando fala do seu fogão:

"Gastando uma carga de gás por semana, eu ainda poderia cozinhar por seis meses, talvez até abrir uma restaurante especializado em desidratados e frutos do mar!" 







Há 42 anos acontecia a aventura de Amyr, numa travessia louca, numa época em que não havia GPS e toda parafernália eletrônica que temos hoje em dia. Foram exatamente 100 dias. A chegada!... me surpreendeu. Lembro de alguns detalhes,  comentados em 1984. Mas agora, conheci os detalhes descritos pelo Amyr. Aventura, sonho realizado, tensão e humor permeiam os capítulos de "100 dias entre céu e mar". Inimaginável! 

Se vale a leitura? Demais!...





 Em Paraty, eu e minha filha tivemos a oportunidade de conhecer Marina e Amyr e o barco IAT/Paraty, famoso barco que proporcionou a famosa travessia. 




 





 




 































sexta-feira, 19 de junho de 2026

Por aí, em Santa Catarina: 500 anos de SC - Parte 10 (fim!)


Quando Santa Catarina comemora 500 anos de legitimidade, relembro algumas das cidades que visitei e nas quais me hospedei, ou em casa de 

Há mais de 60 anos, cruzando estradas de barro, de paralelepípedo, calçamentos de pedra e asfalto a fim de visitar parentes e amigos e, de quebra, conhecendo cantos e recantos deste Estado Brasileiro apaixonante.

Listei quase 50 cidades em ordem alfabética e uma segunda lista composta pelas cidades do Litoral, às voltas de Penha e Canto Grande.


Xanxerê

Foi lá nos idos de 80 que conheci Xanxerê: minha amiga Cida passou no concurso do BB e foi designada para trabalhar na agência daquela cidade. Naquela época, os aprovados em concurso tinham que assumir nas cidades designadas pela empresa. Depois de alguns meses ou anos, podiam pedir transferência para outras localidades. Muitas vezes, somente através de permuta com outros funcionários. Minha amiga mudou-se para Xanxerê e passou a morar com uma família: Dona Marga e seu Paulo. E quando fui visitá-la, em companhia de seus pais, também fiquei hospedada na casa deste casal. Firmamos amizade, ambos eram de origem alemã e trocamos muitas cartas e cartões de felicitações pelos aniversários, Natal, etc. Foi também em Xanxerê que fiz amizade com o dono do primeiro Foto: a família Zolet foi pioneira no segmento de fotografias em Xanxerê. E foi seu Zolet que recebeu com muito carinho e cuidado antigos negativos que tinham sido entregues a mim por meu pai. Negativos dos anos 40 e 50 e que não podiam ser revelados porque estavam manchados e até embolorados. Foram cuidadosamente tratados e escaneados pelo seu Zolet. Foi uma experiência significante, inesquecível, finalmente revellar as fotos. 




Litoral: Itapema, Zimbros, Perequê e Canto Grande

Bora passar uma semana em Itapema, com a família Gabel. Elfride, a mãe, era Chefe de Lobinhos. Lá fomos nós, na Variant dirigida por ela. Anos 74 ou 75. Por aí. Íamos à praia todos os dias e teve um dia que fomos fazer piquenique em Zimbros. Umas poucas, pouquíssimas casas se viam em Zimbros. Igualmente em Itapema, havia apenas casas à beira mar, nenhum prédio: umas casas mais simples outras mais modernas e chiques. E havia vegetação rasteira, típica de praia, por sobre a areia. Perequê ficava logo ali também, era só passar a ponte sobre o rio e a gente estava em Perequê. Foi ali que fizemos um acampamento de Chefia num final de semana. Na época do Segundo Grau do Sagrada, passamos um final de semana em Canto Grande, a convite da colega Marily. Assim conheci Canto Grande, pela primeira vez. Outra vez passamos por lá com meu sogro, para que conhecesse nosso litoral. E já nos anos 2000, século XXI, levei minhas amigas Mônica e Dirlei a passeio por Canto Grande e chegamos na Praia da Tainha. Juro que nunca mais vou para lá... tal a pirambeira pra subir e descer! Fui com o coração na mão, passando toda tranquilidade possível para as amigas. Elas nem perceberam que eu estava nervosa. Íamos brincando e rindo. Ao final, o recanto, a praia, vale muito a pena! É lindo demais!



Praia da Tainha
                                       
     

Litoral: Balneário Camboriú

Havia um rio no meio do caminho... no meio do caminho tinha um rio... e lembro de passar por este rio, quando criança. O casal Goemann, amigos de meus pais, e mais outros casais, tinham casa em BC e visitávamos seguidamente. Lembro do rio que passava mais ou menos onde hoje passa a Avenida Brasil. Desta não havia nem sombra... nem prédios havia na praia. Talvez o Hotel Blumenau. E só. Muitas colegas do Sagrada tinham casa na beira da praia. Às margens da BR-101 havia apenas terrenos com mato. Podiam estar loteados, mas as casas se concentravam perto da praia. Aliás, não era muito comum "ir à praia". Não era moda e até que pontes cruzassem o Rio Camboriú, Itajaí, Itapocú e Tijucas, o acesso ao litoral era complicado. Mas os tempos trouxeram novidades, construções, pontes e estradas melhoradas. E assim desenvolveu-se também o mercado imobiliário. Balneário acabou sendo local de veraneio e mesmo de residência de muitos amigos e parentes. Tornou-se comum, para mim, passar em BC. Menos no verão, nos dias de hoje, por causa do congestionamento de temporada. Novos tempos... e se antes era difícil chegar por causa da falta de estradas ou estradas ruins, hoje é difícil chegar, na temporada, por causa do excesso de movimento nas estradas. Afff... novos tempos...
Tem Balneário mas tem também Camboriú, apenas. Antigamente chamada de Vila Camboriú. Fica do outro lado da BR-101 e lá conheci a Escola Técnica Agrícola. Era 1978 ou 1979.



 

                                           



Litoral: Laranjeiras

A família de nossa amiga Bárbara tinha construído uma casa na ponta de Laranjeiras. E por lá também íamos, vez por outra, passar um final de semana. A casa era muito fofa: parte inferior toda em pedras e a parte de cima toda em madeira. O pai dela foi quem construiu. Ele tinha muitas habilidades e uma delas era a construção. Em volta da casa havia muitas árvores, grama e flores. O local era um elevado, um morro na encosta do mar e, descendo-se a encosta, chegava-se a um recanto de pedras e mar, uma piscina natural, só nossa, no mar. Passando pelo outro lado da encosta, enormes pedras serviam de laje para se bronzear em dias de sol. E mais atrás da casa, seguindo por uma trilha, chegava-se à Praia de Laranjeiras, onde havia muito poucas casas e eram de veraneio. A praia era praticamente deserta. Muito diferente do que se vê hoje, modernizada e urbanizada.   


 
Litoral: Navegantes

Bem antigamente, quando não havia a ponte sobre o Itajaí-Açú, o acesso à Penha, Piçarras e outras cidades e regiões do norte era feito pela balsa em Navegantes. Ir para o norte do Estado, ou mesmo voltando para o sul, o acesso era feito pela balsa. E esta também se modernizou, tanto na estrutura física, em solo, quanto às embarcações. Se antes não havia portões para aguardar o embarque, agora tem até bilheteria, portões e vigilância. Navegantes não tinha deck, nem a estrada à beira mar era calçada. Pensa... passar aquela avenida toda em estrada de chão! Mas assim era, e tudo valia a pena para continuar o passeio! Dava até uns arrepios, passar por lá em época de estrada de chão, pois também muito poucas casas havia. Bem antigamente mesmo, o acesso à Navegantes, por estrada, era beirando o Rio. Hoje tem o acesso Blumenau-Navegantes, que facilita chegar em qualquer ponto da cidade. O aeroporto, que até então ficava em Itajaí, trouxe renovação e muita melhoria para a cidade. O Rio comporta portos, dos dois lados: Itajaí e Navegantes. E pra quem gosta, é apaixonante passar no Farol da Barra e aguardar a entrada dos enormes navios no Porto!  E em Navegantes tem uma casa que foi projetada por mim. 


       





Litoral: Penha e Piçarras

Penha mereceu ser escrita em forma de livro! Pois frequento Penha desde pequena, desde os tempos que meus avós tinham casa por lá. As histórias são infindáveis... as visitas de parentes e amigos, os verões que passamos por lá, as muitas aventuras não podiam deixar de ser narradas em um livro: "Minha, nossa Penha, de outro tempos". Minha prima Cristina é co-autora no livro, pois igualmente tem vivências na cidade desde pequena. E como Piçarras é logo alí, mora nos nossos corações também. O mesmo casal de amigos, os Goemann, que mencionei em BC, tinha casa às margens do rio Piçarras, ali em Piçarras. Lembro de uma vez que lá passamos e comi marisco e siri. Lembro também das muitas árvores e um enorme bambuzal no jardim e das redes penduradas pra dormir. Era um dia de festa e havia muitas pessoas. Uma e outra vez íamos da Penha até Piçarras, a pé, para tomar banho. Só que não havia ainda o molhe e o mar era mais bravio, por isso a gente não ia muito. Nossa praia preferida era a Praia Alegre. Ou a Prainha, onde no canto das pedras ficava a Bacia da Vovó. Hoje a praia levou o nome de Bacia da Vovó, não mais Prainha. O nome era devido ao formato das pedras, quase em círculo e que formava uma piscina, uma pequena piscina onde o mar passava por cima das pedras e alimentava a piscina de água. Por isso bacia... uma bacia grande de banho! Ótima para as crianças, pois tinha toda a proteção das pedras, em volta. Passei a infância e adolescência em férias na Penha. Mas fui conhecer os arredores, os pontos maravilhosos e turísticos, as muitas praias, depois de 2010: Ponta da Vigia, Praia Grande (onde visitei a amiga Letícia e o esposo), Armação (já era conhecida da infância), Praia do Cascalho, Praia Vermelha, etc.  Saudades ficam de todos os tempos, porque era tudo muito bom! 


Ponta da Vigia


Praia Alegre




    Céus... lembrei ainda de Águas Mornas, cidade que visitei há tempos e este ano de novo. E Pirabeiraba, perto de Joinville, onde fizemos acantonamento com a Chefia dos Escoteiros, quando participamos do Curso da Insígnia da Madeira no ano de 1975. Um episódio marcou a viagem: findo o Curso, arrumei a mochila e voltei de carona com uma família. Mal pegamos a 101 lembrei que tinha esquecido o uniforme no varal do alojamento. Lá voltamos nós, para o campo. Uma sensação estranha ao ver tudo vazio, sem mais ninguém por ali, quando horas antes estávamos todos preenchendo aquele lugar e confraternizando. Anos depois, em 2017, tia Agathe e eu fomos visitar tia Ruth. Barra Velha foi outro lugar excêntrico, nos anos 80 ou 90, por aí. A convite de amigos, passamos o final de chuva inteirinho dentro da cabana, jogando cartas, tal era a chuva do lado de fora. Época em que Barra Velha era quase um deserto, sem prédios, com parcos recursos para o turismo. Hoje está totalmente urbanizada. Outro dia passei o Reveillon, a convite da amiga Thaís, na cobertura de um prédio Top! A família tinha o hábito de fazer a passagem de ano neste apartamento, que era de uma parente. Praia de São Miguel, onde passei um Reveillon na casa da família Lubow; Praia de Gravatá, onde mora o primo Tony e com quem tomamos café, ainda em companhia da minha mãe; e onde em tempos mais remotos acampamos com um casal de amigos. Porto Belo e Bombas/ Bombinhas: forma muitas as vezes que visitamos os amigos Dieter e Eduardo e, no tempo dos escoteiros, por lá acampamos muitas e muitas vezes. 

Porto Belo


Vista de Itapema, do Morro do Boi, quando a 101 era apenas 2 pistas (ida e volta)

Morro do Boi



Itapema antes dos prédios


    E se eu deixar, a memória vai me trazer mais cidades... estas são algumas que conheci ao longo destes mais de 60 anos de vida. Algumas foram só de passagem, como é o caso de Ilhota, Luiz Alves, Massaranduba, Guaramirim, Pouso Redondo, Rodeio, muitas outras do Oeste, etc...

Felizes 500 anos à Santa Catarina! Que é Santa e Bela, muito bela! 












sábado, 13 de junho de 2026

Por aí, em Santa Catarina: 500 anos de SC - Parte 9

 Quando Santa Catarina comemora 500 anos de legitimidade, relembro algumas das cidades que visitei e nas quais me hospedei, ou em casa de amigos, em alojamentos, acampamentos ou hotéis.

Há mais de 60 anos, cruzando estradas de barro, de paralelepípedo, calçamentos de pedra e asfalto a fim de visitar parentes e amigos e, de quebra, conhecendo cantos e recantos deste Estado Brasileiro apaixonante.

Listei quase 50 cidades em ordem alfabética e uma segunda lista composta pelas cidades do Litoral, às voltas de Penha e Canto Grande.



São Pedro de Alcântara

Primeira colônia alemã em Santa Catarina... sim senhor: é São Pedro de Alcântara! Fundada em 1829... e é logo alí, pertinho de Floripa! No caminho passa-se perto da famosa "Pedra Branca", uma montanha que se destaca na Serra do Mar. Dizem que tem este nome porque um pintor, certa vez, se dependurou em cordas e pintou a grande face da pedra com branco. Se é verdade, não sei. Só sei que quando mudamos para Floripa, nos idos de 80, esta face realmente era branca. Pintada. Se é verdade ou lenda, não sei. Só sei que foi assim. E foi num acantonamento de Lobinhos que conheci a cidade pela primeira vez. Depois, quando formamos nosso Stammtisch de professores de alemão, passei a visitar a cidade todas as vezes que o amigo Felipe vinha da Alemanha e nos convidava para a Tanzfest de Santo Amaro. Foi numa dessas que encontramos Haroldo Letzow, 1o embaixador da Oktoberfest de Blumenau e primo do meu pai. A cidade se conserva um tanto intacta, graças, pois este jeito de preservar seu ambiente, cultura, hábitos e jeitos é que a torna deliciosa, aconchegante; sem influência externa, urbana e glamurosa. Ela é glamurosa por si só, do jeitinho que permanece! 



  

                      


Timbó

Quantas vezes me viste por teus caminhos? Quantas vezes nos cruzamos em idas à Benedito Novo, Pomerode ou mesmo ali, nas tuas paisagens, em casas de parentes, amigos, escritórios, igrejas e secretarias (em busca de vestígios para a Árvore Genealógica)... Casamento da amiga Geny (1975)! Aniversários de parentes também foram muitos. Visita à Casa do Poeta Lindolf Bell, ao Museu da Música (onde assistimos uma apresentação fantástica!) e várias idas ao Jardim Botânico, tanto para ensaio fotográfico com a vó Janina, quanto para almoçar com Tatiana, tia Ussi e Andrew. Outra vez participamos, eu e Vinícius, de um acampamento de Lobinhos, ali, bem pertinho do Jardim Botânico. Ser descendente de alemães me proporcionou conhecer e visitar a cidade muitas e muitas vezes. Quando morava em Indaial, vez por outra passava por Timbó para chegar à Pomerode. O caminho é surreal, com muitas pastagens e casinhas típicas que molduram paisagens bucólicas, lindas! Ah, sem contar as várias vezes que saíamos de Indaial só para almoçar em Timbó. Quantas vezes, Timbó, celebramos a amizade e a boa vida, hein?! Foram muitas...



                          







Treze Tílias

Foram duas vezes que estive em Treze Tílias: 2016 e 2025. Sabe aquele desejo de conhecer muito uma cidade porque a história, a colonização chama a atenção? Foi assim com Treze Tílias: sempre ouvia falar, lia a respeito, mas a primeira oportunidade veio pelo convite da amiga Sara. E lá fui eu, primeiro para Chapecó, onde me hospedei na casa da família e no outro dia para um passeio ao ainda 'desconhecido' por mim. Me fascinou cada canto, cada casa, cada jardim... tudo enfim! Cidade organizada, limpa, agradável e com um povo muito hospitaleiro, atencioso com os visitantes e turistas. Como não se apaixonar? E voltar? E foi assim em 2025, quando o amigo Felipe veio da Alemanha e cruzamos Santa Catarina da Ilha da Magia até Itapiranga. No caminho, um airbnb em Treze Tílias. Treze Tílias também mora no meu coração!




 
       


 



Tubarão

De Tubarão lembro de uma enxurrada horrorosa que aconteceu em 1974. Passei pela cidade, uma ou duas vezes, mas não registrei em foto. Não lembro direito quando foi, nem em qual evento. Mas que eu fui, eu fui! Aliás, caminho para o sul do Estado, Tubarão é logo ali, a duas horas de Floripa e não tem como não notar a cidade. Merece ser lembrada, mesmo que não tenha imagens guardadas. 

Urubici

Um dos caminhos para chegar em São Joaquim, é passando por Urubici. Cidadezinha que tem histórias para serem contadas... não vai dar para contar tudo, vai não... Pois sou do tempo que havia uma única avenida central, de chão batido e uma única padaria nesta avenida, onde parávamos prum rápido lanchinho e então seguíamos viagem. Não havia restaurante, pizzaria, nada... um posto de gasolina, graças a Deus... e segue toda vida, serra acima, até cambar à direita para São Joaquim. Daí você já alcançou o planalto, os altos da serra e a paisagem muda totalmente, com campos e pinheiros a perder de vista! Lindo demais! Ficaram para trás as emoções da Serra do Panelão, que também era em chão batido e cheio de curvas e mais curvas. De repente, tudo passou e a estrada leva direto àquela avenida central de Urubici. Segue toda vida e sobe-se nova serra até alcançar a via para São Joaquim. Era assim. Hoje está tudo mudado, com muito mais comodidades e estrutura para receber turistas. Em 2010 fomos convidados para passar um final de semana na cabana de um casal amigo, corretores imobiliários. Foi assim que conheci cantos e recantos de Urubici. E anos atrás, por sugestão das filhas, passamos dias de férias em outra cabana. Apreciamos um lindo por de sol na Vinícola, conhecemos a Cascata do Avencal, fomos até a Serra do Corvo Branco e, por decisão desta mãe amalucada, descemos a Serra na volta para casa. Não recomendo pra ninguém, pois a Serra é de chão batido, pedras e buracos e de precipícios por todos os lados. Chegamos bem, lá embaixo. Sãos e salvos! A motorista aqui é boa!!!


 







E assim vou chegando ao fim destes episódios, descrevendo alguns momentos vividos nas várias cidades catarinenses visitadas. Esta é a Parte 9 e pretendo encerrar com a Parte 10: Xanxerê e algumas cidades litorâneas. Agradeço a atenção de todos! Desejo que tenha sido uma boa leitura!
Parabéns Santa Catarina, pelos 500 anos!