Quando Santa Catarina comemora 500 anos de legitimidade, relembro algumas das cidades que visitei e nas quais me hospedei, ou em casa de amigos, em alojamentos, acampamentos ou hotéis.Há mais de 60 anos, cruzando estradas de barro, de paralelepípedo, calçamentos de pedra e asfalto a fim de visitar parentes e amigos e, de quebra, conhecendo cantos e recantos deste Estado Brasileiro apaixonante.
Listei quase 50 cidades em ordem alfabética e uma segunda lista composta pelas cidades do Litoral, às voltas de Penha e Canto Grande.
São Francisco do Sul
Era ilha... virou um 'istmo', porque os homens assim decidiram. Não fosse a ligação de porção de terra, ainda seria uma ilha. Quantos imigrantes chegaram à Santa Catarina pelo Porto de São Francisco! Embarcações e mais embarcações trazendo imigrantes da Itália, Espanha, Portugal, Alemanha, França, Polônia, em épocas passadas, lá pelos meados de 1800 e 1900. Quem não tem antepassados imigrantes? O Brasil é uma miscigenação, uma verdadeira mistura de povos europeus, principalmente. Meu avô, em Em 1929 meu avô August Schulz participou de uma excursão à São Francisco. E deixou registrado o evento. Vou copiar o texto no fim deste artigo. Nos idos dos anos 60 e 70, São Francisco do Sul era mais pacata, simples e adornada de casas de madeira, praias cheias de barcos e seus pescadores. E o Porto, claro! Visitei a cidade, primeira vez, com meus pais. Com o 'aluguel de temporada' e com a o resgate de cultura local, foi criado o museu e a cidade se preparou e inovou para receber turistas. Foi num desses verões, a convite da cunhada Carla, e nas férias de julho de 2004, com a família, que re-visitei a cidade e conheci os novos tempos de São Francisco do Sul!


São João Batista
Era passagem obrigatória pelo Trevo de acesso à cidade, para quem não vira à esquerda, mas à direita, em direção à Brusque e Blumenau, pela Serra do Moura. Pelo menos é assim que conhecemos o trecho, muitas e muitas vezes usado na época da duplicação da BR-101, quando o destino era Blumenau. Para se livrar da mão dupla da 101 e das obras, entrávamos em Tijucas, passávamos por Canelinha, São João Batista, Brusque, Gaspar e, finalmente, Blumenau. Isso era só de passagem, mas teve uma vez que, tendo um familiar trabalhando e morando durante a semana em São João Batista, saímos naquele dia para a cidade, só para comer pastel numa pastelaria nova! Assim visitamos amigos e parentes, saboreamos pastéis e voltamos para Floripa. Outra vez parei perto do Trevo para comprar sapatos, pois a região é conhecida pelo mercado calçadista. E outra vez ainda, para tomar um delicioso café na cafeteria, ali, no Trevo, em companhia da filha. Estávamos voltando de um evento em Brusque e paramos na Cafeteria. Linda e deliciosa!

São João d'Oeste
É logo alí, do ladinho de Itapiranga... passando o lindo Portal da cidade, chega-se à pequena e agradável cidade de São João d'Oeste. A fábrica de laticínios LacLélo é presença na cidade, bem como a casa de uma fanática, torcedora gremista e que o Vinícius adorou, pois é torcedor do Grêmio também. Torce pelo Avaí de Floripa também, são os 2 times do coração dele. Passei por esta cidade em duas ocasiões, quando visitei a amiga Dirlei, que mora no oeste de Santa Catarina.
São Joaquim
De São Joaquim daria para escrever um livro, pois foram muitas as vezes que ali passei, parei, me hospedei, ou sozinha, ou com familiares. As crianças também participaram de excursões da escola e foram conhecer o Vale da Neve. Não sei se ainda existe... também conhecemos o Vale da Neve e os Xaxins centenários, invioláveis, numa trilha que ali existe e, seguindo, chega-se a um riacho e queda d'água. Era tudo bem rústico, naquela época. Idos de 80, 90. Minha cunhada Carla casou e passou a viver na cidade, onde formou família. Jorge, o marido, é técnico agrícola e, sempre que os visitava, me mostrava e ensinava muito sobre o cultivo de maçãs. Apaixonado pela profissão, falava com entusiasmo e eu gostava de ouvir. Também foi em São Joaquim que batizamos nosso afilhado, na linda catedral que fica ali, bem no centro, na praça. Praça que tem o famoso termômetro a marcar as mais baixas temperaturas de SC. E onde também os galhos das árvores seguram fios de gelo quando o frio é muito intenso. Fomos numa das primeiras Festa da Maçã, anos 80-90, por aí. Para chegar à cidade, há 3 opções: pela Serra do Rio do Rastro, pelo trevo antes de Lages (SC-282) ou aantes ainda, pelo trevo que leva à Urubici (SC-282). No inverno ou no verão, São Joaquim é um lugar que vale a pena conhecer. Ela também mora no meu coração!



São Miguel d'Oeste
Muitas e muitas cartas eram trocadas com minha amiga Mary, depois que se mudou com a mãe e avó para São Miguel d'Oeste. Localizada na fronteira com a Argentina, a cidade era pacata e, cada vez que se andava pelas ruas, voltava-se com a sola dos sapatos vermelhos por causa do barro vermelho. Assim conheci a cidade, através das cartas. Em 2023, quando fui visitar a amiga Dirlei, fui de ônibus até esta cidade e, na volta para Floripa, tomei o ônibus de novo em São Miguel d'Oeste. mas antes de embarcar, Dirlei me levou a conhecer a cidade. Creio que, desde as cartas trocadas com Mary, a cidade se modificou muito e modernizou. Com certeza aconteceram grandes mudanças. Fiquei impressionada com a beleza, limpeza e organização da cidade.
Texto escrito pelo avô August Schulz, quando foi à São Francisco do Sul:
Joinville, 4 de janeiro de 1929.
Passeio à São Francisco
No dia primeiro de janeiro fizemos um passeio a São Francisco. Viajaram três vapores: Cruzeiro, Babitonga e Dona Francisca. As saídas aconteciam entre 6 e 8h da manhã. Às 11h visitamos o grande veleiro "Grã-duquesa Elisabeth". Os marinheiros mostravam e explicavam a respeito de tudo o que se encontrava no veleiro. À tarde aconteceu um baile animado por uma banda de Joinville. Tudo era muito divertido e agitado. Para comer e beber fora servido do melhor. Às duas da tarde fomos, num bote salva-vidas da tripulação, ao Porto de São Francisco e lá passeamos pela cidade. A saída deveria ser às 16h, mas aconteceu uma hora mais tarde e debaixo de forte chuva. Com o atraso a maré já se encontrava muito baixa e quando adentramos o rio, as margens estavam bastante estreitadas para o vapor Cruzeiro, de modo que este costeava várias vezes com a proa nas beiradas. Contudo, chegamos bem na volta. Queremos fazer uma segunda excursão, assim como foi essa.