segunda-feira, 26 de abril de 2021

E falando em Monteiro Lobato: "Lobateando"


 Semana passada tivemos o Dia Nacional do Livro Infantil, data em homenagem a Monteiro Lobato,  pioneiro da Literatura Infantil no Brasil. A escritora joinvillense Else Sant'Anna Brum escreveu essa história, para as crianças: "Lobatenado"

A tarde estava ensolarada e a mesa de ping-pong na varanda de casa convidava para umas boas raquetadas, mas as gêmeas Bruna e Vanessa não podiam nem pensar nisso. Estavam esperando Suzi e Amanda para um trabalho escolar. Ficaram sentadas na varanda da casa e viram as duas chegarem rindo e brincando.


(Imagem: internet)

-Por que vocês estão tão sérias? perguntou Suzi.

-Claro, né? Estamos quebrando a cabeça para achar idéias para o nosso trabalho.

-Que nada, falou Amanda, nós já pensamos sabe em quem? Monteiro Lobato.

Sendo sobre livros e leitura não tem ninguém melhor. Temos toda a coleção dele, lemos e relemos seus livros e vocês também. Cada um escolhe um livro e o pedaço que mais gostou do livro. Concordam?

-Sim, disse Bruna. Escolho Reinações de Narizinho.

-Eu também, falou Vanessa, e já vou logo dizendo que o meu pedaço é quando a turminha do Sítio usa a linguagem do "P" na aventura do país dos macacos.

-"Apavipisepe Pepenipinhapa quepe espestapamospos naspas upunhaspas despestapa hoporrependapa mapacapacapadapa." (Avise Peninha que estamos nas unhas desta horrenda macacada).

-Ópotipimopo! Disse Amanda. Eu também escolho Reinações de Narizinho, com a descrição do vestido de casamento dela com o Príncipe Escamado feito por Dona Aranha: "O mais lindo era que o vestido não parava um só instante. Não parava de faiscar e brilhar e piscar em furta-cor, porque os peixinhos não paravam de nadar nele, descrevendo as mais caprichosas curvas por entre as algas boiantes. As algas ondeavam as suas cabeleiras verdes e os peixinhos brincavam de rodear os fios ondulantes sem nunca tocá-los nem com a pontinha do rabo. De modo que tudo aquilo virava e mexia e subia e descia e corria e fugia e nadava e boiava e dançava que não tinha fim."

-Vejam, comentou Suzi, como Lobato trabalha a linguagem com arte! A parte que eu escolho se refere ainda ao maravilhoso vestido de Narizinho. Emília, muito curiosa, mantém este diálogo com Dona Aranha, a costureira:

"-Quem é que fabrica esta fazenda?

-Este tecido é feito pela Fada Miragem.

-E com que a senhora o corta?

-Com a tesoura da imaginação.

-E com que agulha o cose?

-Com a agulha da fantasia.

-E com que linha?

-Com a linha do sonho."

-Eu prefiro uma parte engraçada, disse Bruna. O pedaço em que Emília fica brava porque Tia Nastácia não acredita que ela está falando:

"-Mangando o seu nariz! -gritou Emília furiosa. Falo, sim, e hei de falar. Eu não falava porque era muda, mas o Doutor Cara-de-Coruja me deu uma bolinha de barriga de sapo e eu engoli e fiquei falando e hei de falar a vida inteira, sabe?"

As meninas completaram o trabalho com a biografia de Monteiro Lobato, dando-lhes o título de "Lobateando". A apresentação do trabalho foi muito apreciada, recebendo elogios da professora. Mas o que não se pode deixar de contar é que naquela tarde, depois de um lanche gostoso oferecido pela mãe das gêmeas, as meninas correram para as raquetes, pois a bolinha estava lá na mesa esperando por elas. 

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