Quando Santa Catarina comemora 500 anos de legitimidade, relembro algumas das cidades que visitei e nas quais me hospedei, ou em casa de amigos, em alojamentos, acampamentos ou hotéis.Há mais de 60 anos, cruzando estradas de barro, de paralelepípedo, calçamentos de pedra e asfalto a fim de visitar parentes e amigos e, de quebra, conhecendo cantos e recantos deste Estado Brasileiro apaixonante.
Listei quase 50 cidades em ordem alfabética e uma segunda lista composta pelas cidades do Litoral, às voltas de Penha e Canto Grande.
Lages
Cinco horas de viagem, de Blumenau à Lages: assim era nos anos 60... SC-470 sem asfalto, estrada de chão batido, pedras e britas pelo caminho. Entrava-se em Otacílio Costa e seguia-se até Lages. E tínhamos que ir, pois era de lá que vinham as máquinas de tricô Lanofix e Elgin Brother para serem vendidas na Loja das Linhas, em Blumenau. O representante das máquinas tinha uma loja de fios e linhas, a "Casa Fio de Ouro", se me lembro bem. Lages era pequena, comparada com hoje. Quase nada de prédios no centro, frio e lareiras acesas no inverno. O dono da loja tinha muitos filhos e a loja ficava na própria residência. Brincávamos com os filhos, todos bem encasacados, numa pracinha bem perto da casa deles. As idas e passagem por Lages se sucederam ao longo dos anos, pois era caminho para Vacaria, por exemplo, onde residiam meus sogros. E o ônibus que ia à Porto Alegre também fazia parada em Lages. Essas idas e vindas aconteciam pela avenida Presidente Vargas (se não estou enganada), bairro Coral (este tenho certeza!) onde ficava a "Casa Fio de Ouro", pois naquela época a SC-282 ainda não passava direto por onde passa hoje, até alcançar a BR-116. Teve uma vez que fomos na Festa do Pinhão. Mas faz tempo e esta acontecia só num final de semana... E teve outra vez que pernoitamos no Le Canard, numa volta para Blumenau. Foi em Lages também, que minha tia Ivone, morando em Otacílio Costa, teve seu primeiro filho, o Paulinho. Isso nos anos 70. Depois disso, nunca mais parei em Lages, apenas passei a caminho de São Joaquim ou Vacaria. E foi assim que pude perceber o crescimento e as mudanças na cidade: o que antes era pujante por causa das madeireiras, agora, com o fim da exploração da madeira, estava totalmente transformado.

Laguna
Quem nunca foi pra Laguna? Cidade natal de Anita Garibaldi e conhecida pelo Carnaval. Viveu a Guerra dos Farrapos, ilumina as noites dos barqueiros e viajantes marítimos com seu Farol de Santa Marta e banham-se os turistas na praia do Molhes e Itapirubá... recentemente recebeu uma ponte nova sobre a Lagoa Santo Antônio, ponte estaiada (suspensa por cabos de aço) e que segue o caminho pela 101. Foram incontáveis as vezes que passei pela 101, rumo ao sul: Porto Alegre, Gramado, Torres e outras cidades mais. Lembro de uma vez que estávamos à caminho de Porto Alegre, no final do dia. Os restaurantes de frutos do mar nos convidaram a um jantar. Paramos, jantamos e seguimos viagem. Até Araranguá, somente, porque bateu um sono terrível e tivemos que nos hospedar e pernoitar por ali mesmo. Estávamos com as crianças. No dia seguinte seguimos para o destino. Me encanta o tipo de ponte "estaiada", pela sua estrutura, sua engenharia. A primeira ponte que vi, deste tipo, foi em Tampa, na Flórida, em 1989.
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| Criciúma |
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| Tampa-Fl |
Morro dos Conventos
E nossa passagem por Morro dos Conventos também não teve registro em fotos. Conhecida suas praias e paisagem exuberante, nos hospedamos para aproveitar a natureza e as águas. Delícia pura!
Nova Trento
2025: o ano que visitei Nova Trento e o Santuário Madre Paulina. Taiane e eu estávamos a caminho de um evento em Brusque e no caminho passamos pelo Santuário de Schoenstadt (Tijuqinhas), pelo Santuário Madre Paulina e na volta de Brusque passamos por Azambuja. Minha mãe já tinha visitado Nova Trento, com o irmão Marek. Marek faleceu em 2016 e minha mãe em 2021. Então eles conheceram o Santuário ainda no início das atividades, pois foi concluído em 2006. Talvez, na época, não havia ainda tanto suporte como tem hoje, em termos de hospedagem, restaurantes e outras conveniências. Inclusive lojinhas de lembranças. O Santuário surpreende pela sua localização, no alto da montanha. E pela sua arquitetura. Não tem como se fascinar... seguindo o caminho, fomos à Brusque. Só que resolvemos pegar um 'atalho' e pegamos uma estrada de chão. Caminho pelo interior, com subidas e descidas, muito verde nas margens. Algumas passagens bem inóspitas, às vezes assustador, outras vezes de paisagens deslumbrantes. E assim foi!

Orleans
E teve uma vez que fomos para Orleans, visitar a amiga Mary e família que estavam morando por lá. O marido, engenheiro de estradas, estava a serviço nesta cidade. Foi em 1985 e Heloisa era uma bebezinha. Passeamos pela cidade e demos umas voltas em Criciúma também, onde almoçamos. No fim da tarde retornamos para Florianópolis. Não tivemos registros em fotos.
Minha primeira viagem de ônibus, sozinha, foi para Otacílio Costa, onde meus tios Chico e Ivone moravam. Ele trabalhava na Olinkraft. Meu pai me embarcou na antiga Rodoviária de Blumenau, na rua 7 de Setembro e me fui! Feliz da vida por estar viajando sozinha! Era dezembro e minha tia, grávida, teve seu primeiro filho naqueles dias. Meu tio saiu de madrugada, de fusquinha, para a maternidade de Lages, pois Otacílio Costa, muito pequena, não tinha nem hospital. Ele voltou feliz para casa, com o nascimento do filho Paulo! Mas disse que passou um beirado na estrada, ainda não asfaltada e com muitas pedras pelo caminho. Dias depois recebi carta do meu pai dizendo que era hora de eu voltar para casa. E assim, meu tio Chico me embarcou no ônibus e voltei para Blumenau. Visitei meus tios mais algumas vezes, inclusive com meus pais. E em maio de 1973 fui ao casamento de outro tio, Andy. A noiva Ana Lizete (tia Zete) era de Otacílio Costa e a cerimônia aconteceu lá. Foi num sábado de chuva, muita chuva. Era maio.

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