Quando Santa Catarina comemora 500 anos de legitimidade, relembro algumas das cidades que visitei e nas quais me hospedei, ou em casa de amigos, em alojamentos, acampamentos ou hotéis.Há mais de 60 anos, cruzando estradas de barro, de paralelepípedo, calçamentos de pedra e asfalto a fim de visitar parentes e amigos e, de quebra, conhecendo cantos e recantos deste Estado Brasileiro apaixonante.
Listei quase 50 cidades em ordem alfabética e uma segunda lista composta pelas cidades do Litoral, às voltas de Penha e Canto Grande.
Palhoça
Em janeiro de 1984 mudamos de Blumenau para Florianópolis. Em maio assumi na CEF e como alguns dos amigos e funcionários eram moradores de Palhoça, foi assim que conheci a cidade. Entre um churrasco e outro, casamentos e aniversários, Palhoça acabou bem conhecida. O melhor acesso era por São José, passando-se pelo Centro Histórico, pela ponte de madeira e chegando à Palhoça. Avenida principal de duas mãos, caminho simples, comércio simples e pacato. Bem no centro havia uma praça e numa das esquinas tinha uma casa construída por um funcionário da CEF. Era uma das casas mais bonitas! Ao longo da BR-101, às margens, havia apenas muito mato, alguma pastagem e capim. Muito mato. A cidade ficava lá pra dentro. Nem se via direito da BR-101. Mas como tudo muda nesta vida, Palhoça também teve seus dias de pujança, de crescimento. Quase não reconheço mais: há muito mais vias, mãos únicas em algumas, muito mais comércio, prédios, população e um lindo Centro de Cultura. Neste ano, em abril, participei da FLIPALHOÇA, feira de livros e literatura. Nota 100 para Palhoça. Tudo bem organizado, perfeito.


Pomerode
'Bora pra Pomerode? E naquele circuito 'tour' bem característico da D.Ellen: parar na Karsten, na Porcelana Schmidt, no Centro Cultural e a loja de artesanato, Na Oxford e, de quebra, a loja de cristais em Blumenau, no Passo Manso. Se for da hora, passamos por dentro, por Timbó: a paisagem de Pomerode-Timbó ou vice-versa, é muito bucólica. "Incontaminada", ainda. Plantações, animais, casinhas antigas e algumas em estilo enxaimel. Outras mais modernas, sofisticadas, mas sempre belas.
Tenho raízes em Pomerode também, por parte da avó paterna. Tanto que a Família Blank foi homenageada com o livro/documentário "Rota Blank - da Pomerânia à Pomerode", escrito por mim e a prima Cristina Siegrist. Eu me surpreendia a cada linha que escrevia, pois sempre apareciam mais fatos e fotos, mais informações a respeito da família. Não imaginei que a Família Blank fosse tão grande, que tivesse se expandido tanto. E desde pequena tenho visitado parentes e amigos em Pomerode, com meus pais ou com amigos ou sozinha. A casa do bisavó fica um pouco antes de chegar na cidade e até foi cartão postal! Tenho levado muitos a conhecer Pomerode, fazendo aquele 'tour' que menciono lá em cima. Também foi rota de passagem para outras cidades, como Jaraguá do Sul, Joinville e São Bento do Sul. Outro dia, quando estava morando em Indaial, fomos ao Morro Azul com meu primo Lando. Fico feliz por ter levado minha mãe para visitar a cidade nas épocas de Páscoa e Natal. E foi em Pomerode que comprei meu segundo Fiat 147!!! Sobre Pomerode poderia escrever mais um livro aqui, mas não é o caso...

Presidente Getúlio
Tia Ussi é natural de Presidente Getúlio e foi através dela e família que conheci a cidade. Claro, em companhia de meus pais, quando pequena. E nos últimos anos, por conta própria. Os pais de tia Ussi tinham um sítio e a gente se deliciava comendo tangerina do pé! Pescando peixinhos no rio, nos fundos da casa. E acompanhando a hora da ordenha das vacas, da colheita de ovos no galinheiro e das verduras na horta. Era isso que a gente vivia quando era criança. Era tão bom que a saudade sempre batia, quando lembrava da casa deles! E esta saudade também foi satisfeita, quando anos atrás voltei para lá, a fim de acompanhar meus tios à casa dos parentes. Indescritível a sensação de voltar àquela casa, àquele lugar, àquele sítio... quase igual de como era há mais de 50 anos!



Rancho Queimado/ Taquaras
E de lá de Presidente Getúlio a gente pula aqui pra Serra do Mar, em Rancho Queimado, cidade natal do meu amigo Gabriel. E foi com ele e toda a turma do nosso Stammtisch, que passeei muito por Rancho Queimado, Taquaras e o Alto da Boa Vista, lugar ímpar! Pertinho de Floripa, é um pulo até lá. Gosto da época das hortênsias, no verão. Minhas filhas me pegam sempre no pé, pois todo verão convido-as para ver as hortênsias! Elas se divertem com isso... mas é um passeio deslumbrante, seguir por a estrada por dentro, de Rancho Queimado a Taquaras. Alí em Taquaras acontece a Festa do Morango, todo ano. E foi ali que, numa vinda com a família, de Vacaria, descemos a estrada de chão batido até uma pracinha. Loucos por um restaurante, o que não tinha (anos 90, por aí), pedimos água para uma senhora, numa das casas da pracinha. Ela muito gentilmente nos convidou a entrar, serviu água e contou sua história de viuvez, chorando a cada frase, lembrando do marido falecido. Taquaras era caminho dos Tropeiros, que vinham do oeste e do Rio Grande do Sul, vender mercadorias no litoral. Meu sogro era um dos tropeiros. Foi muito rico conhecer tudo isso. E mais tarde ficamos sabendo que o nome "Rancho Queimado" vem de um rancho que servia tropeiros e que, certa feita, queimou. Talvez alguém tenha deixado um lampião aceso... sei lá. Ou sapecaram pinhão dentro do rancho, sobre as brasas do fogo... Seja como for, Rancho Queimado tem muita história e recantos lindos!

Rio do Sul
Excursão do Colégio à Rio do Sul, anos 70! E, como era de praxe, trouxe junto um postal de lá. Fomos A turma do Sagrada, de ônibus. Tinha alguma competição, não lembro mais bem, mas deu tempo de passear, conhecer a Catedral e se divertir! Algumas outras vezes tive que passar por lá, tipo a caminho de Bela Aliança, onde um marceneiro atendia meus projetos de móveis. E outra vez, quando morava em Indaial, fui com o Vinícius, na época de Natal, resolver assuntos de família.

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