segunda-feira, 17 de março de 2025

A Casa de Wilhelmine e Wilhelm Schulz (Benedito Novo)


 Foi em 1990 que comecei a pesquisa sobre ancestrais da Família Schulz, avós e bisavós do lado paterno. Os pais de Wilhelm, Carl Schulz e Bertha Kuhfalk, vieram da Pomerânia em 1885. Partiram da Antuérpia, Bélgica, no vapor Ohio, em 25 de dezembro. Vieram junto os filhos Paul, Wilhelmine, Anne, Maria, Emilie e Wilhelm (este, meu bisavô, com 3 anos).

Ao chegarem no Brasil, seguiram até Blumenau, onde foram surpreendidos, ao anoitecer, com o espetáculo das luzes da cidade. Dali seguiram para a Polaquia, em Indaial e depois seguiram para Bnedito Novo, onde Carl adquiriu terras no Ribeirão Tigre (Tigerbach). Mata densa, era preciso fazer caminho a facão, abrindo picadas. Construíram sua casa e iniciaram o difícil trabalho  na lavoura. Além dos 6 filhos que vieram da Pomerânia, o casal teve mais 5 filhos no Brasil: Hermann, Richard, Emil, Otto e Ida.

Wilhelm e Wilhelmine com os netos



Carl nasceu em 18.01.1953 e viveu apenas 10 anos no Novo Mundo: faleceu em 21.04.1895, atropelado pela carroça que puxava trato para os animais.






Bertha nasceu em 23.06.1853 e faleceu em 13.11.1936. Está enterrada no cemitério de Timbó.

Wilhelm, um dos 11 filhos, nasceu em 15.03.1881, em Ruetzenhagen, Kreis Schivelbein, na antiga Pomerânia (atual Rusinovo, Polônia) e faleceu em 12.01.1962, em Benedito Novo. 

Já adulto, gostava de contar sobre a "grande viagem no Atlântico", que tinha durado semanas e não via nada além de céu e mar.

Wilhelm casou-se em 30.04.1904 com Wilhelmine Lickfeld, nascida em 22.09.1886. Ambos moravam na casa dos pais, no Tigerbach, e assim o início da vida do casal se deu em volta das matas de Benedito Novo, pois foi ali perto que adquiriram terras para construir sua nova casa. 

Desta união nasceram 9 filhos: August, Clara, Erich, Frida, Elsa, Linda, Minna, Lilli e Bertold.


Wilhelm construiu sua casa em estilo enxaimel, e foi assim que seu filho August, que também ajudou na construção, descreveu-a:


A nova casa enxaimel
Quando terminou a guerra em 1918, meus pais tinham tomado a decisão de construir uma nova casa enxaimel. Também não tardou para que a obra iniciasse. Me lembro de alguns ajudantes, como por exemplo, Hermann Lamp, Hermann Keske, Oscar Lickfeld e meu pai. De manhã bem cedo se subia o morro para derrubar a mata verde. Do mato eram retirados troncos de Canela e outros tipos de árvores. Ali perto fora construído um suporte onde os pesados troncos foram acomodados e dos quais alguns foram calçados e depois empilhadas. Dos homens que tinham a serra, um se punha sobre o tronco e o outro ficava em pé, no solo, enquanto ambos serravam pra cá e pra lá no tronco, o dia todo. Assim eram manualmente cortadas todas as tábuas, com exceção das conhecidas como ripas para telhado da casa, de 10m x 9m. Minha tarefa diária era levar o almoço, morro acima, lá no mato, para os trabalhadores. Às vezes acontecia de eu tropeçar e perder-se, assim, a porção de sopa. Quando então a madeira estava praticamente toda cortada, iniciou-se a descida do morro, deslizando as tábuas.



 
Ao longo da picada havia muitos tocos decepados e o terreno apresentava-se muito irregular. Paul Paganelli agora também fora contratado para os serviços. Montamos um trilho de tábuas ao longo da picada, de forma que o final de uma tábua ficava sobre a próxima. Procuramos então por trepadeiras resistentes ou cipó com o qual pudéssemos amarrar as pontas dos troncos e descê-los por sobre as tábuas. As pesadas vigas eram então arrastadas por cavalos até às carroças, onde poderiam ser posteriormente carregadas. Este era um serviço muito pesado para nós, bem como um grande tormento, mas mesmo assim nos sentíamos gratificados com o que empreendíamos. O trabalho de amarras das madeiras era feito pelo meu tio Gustav Kirsten, de Itoupava Norte. Oswald Paganelli trabalhou como pedreiro e eu como seu ajudante. As paredes intermédias eu deveria preencher todas, bem como auxiliar para fechar juntas. Ewald Lickfeld plainava as madeiras para o soalho e confeccionava as portas e janelas. A pintura das madeiras, portas e janelas era minha tarefa. A casa ficou pronta no ano de 1921. E se estou certo, a casa custou 7.000 Réis (7 contos de Réis). A casa é a mesma onde hoje mora meu irmão Bertold com sua família. A pintura da casa, até hoje, não foi renovada. 



Em 2009 visitei a casa, cujos atuais donos são os primos Edemar e Irlete. Na época, havia o projeto, na Prefeitura, de tombamento; o que também aconteceu. E nos últimos meses a casa passou por um restauro, devido ao desgaste do madeiramento, principalmente. O engenheiro Rubens Palito é o responsável por este restauro. 
Parabéns aos primos, pelo cuidado e conservação do patrimônio!
E cumprimentos ao engenheiro Rubens Palito, que fez um belo trabalho!


Wilhelm e Wilhelmine





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