Então, um lavrador disse:
"Fala-nos do Trabalho."
E ele respondeu, dizendo:
"Vós trabalhais para vos manter no compasso da terra e da alma da terra.
Pois ser indolente é intrometer-se nas estações e afastar-se da procissão da vida, que segue majestosa e orgulhosamente submissa, rumo ao infinito.
Ao trabalhardes, sois uma flauta cujo coração o murmúrio das horas atravessa e transforma-se em música. Quem de vós permaneceria silente como um junco quando tudo ao redor canta em uníssono?
Sempre vos disseram que o trabalho é uma sina e a labuta um infortúnio. Mas eu vos digo que, ao trabalhardes, estais realizando o sonho mais longínquo da terra, a vós designado quando nascestes. E, apegando-se à labuta, estareis amando verdadeiramente a vida, e quem ama a vida através do trabalho compartilha do seu segredo mais íntimo. (...)
E o que é trabalhar com amor?
É tecer o pano com o fio de vosso coração, como se vosso bem-amado fosse mesmo trajá-lo.
É construir uma casa com afeto, como se vosso bem-amado fosse mesmo habitá-la.
É plantar as sementes com ternura e fazer a colheita com alegria, como se vosso bem-amado fosse mesmo comer as frutas.
É impregnar tudo que fazeis com o sopro de vossa própria alma, e saber que todos os mortos abençoados estão vos observando de perto. (...)
E eu vos digo, não em sono, mas na plena vigília do meio-dia, que o vento não fala com mais doçura ao carvalho gigante do que à menor das hastes da relva;
E só é grandioso aquele que transforma, com seu próprio amor, o murmúrio do vento em música ainda mais serena.
O trabalho é amor tornado visível. (...)
E se tendes rancor ao amassar a uva, vosso ressentimento destila veneno no vinho.

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