Então, um pedreiro aproximou-se e disse:
"Fala-nos das Casas."
E ele respondeu, dizendo:
"Construí em vossa imaginação um abrigo distante da cidade antes de construirdes uma habitação dentro dela.
Pois tal como regresseis à vossa casa ao cair da noite, assim o faz vosso ser errante, eternamente distante e solitário.
Vossa casa é a extensão de vosso corpo.
Cresce ao sol e dorme na quietude da noite; e não deixa de sonhar. (...)
E dizei-me, povo de Orphalese, o que tendes nessas casas? E o que são as coisas que guardais a portas trancadas? Tendes paz, o ímpeto silencioso que revela vossa força? Tendes lembranças, os bruxuleantes arcos que se elevam nos cumes da mente? Tendes beleza, que conduz o coração das coisas feitas de madeira e pedra até a montanha sagrada?Dizei-me: tendes tais coisas em vossas casas?
Ou tendes somente conforto, e a luxúria do conforto, aquele desejo sorrateiro que entra na casa como visita, torna-se hóspede, para logo tornar-se dono? (...)
Esse desejo embala-vos o sono apenas para poder zombar de perto da dignidade de vosso corpo. (...)
De fato, a cobiça pelo conforto trucida a paixão da alma e sibe um largo sorriso durante os funerais.
Vossa casa não será uma âncora, mas sim um mastro. Não será uma película cintilante que recobre a ferida, mas sim uma pálpebra que protege o olho. (...)


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