Então, Almitra tornou a falar e perguntou:
"E o que nos dizes do Casamento, mestre?"
Em resposta, ele disse:
"Vós nascestes juntos, e juntos permanecereis para sempre.
Estareis juntos quando as brancas asas da morte dissiparem vossos dias.
Sim, estareis juntos ainda no silêncio da memória divina.
Mas que haja espaço em vossa união,
E que os ventos do céu passeiem entre vós.
Estareis juntos quando as brancas asas da morte dissiparem vossos dias.
Sim, estareis juntos ainda no silêncio da memória divina.
Mas que haja espaço em vossa união,
E que os ventos do céu passeiem entre vós.
Amai-vos um ao outro, mas não façais do amor um grilhão:
Que as ondas do mar passeiem entre as praias de vossas almas.
Enchei o cálice um do outro, mas não bebei do mesmo cálice.
Dai de vosso pão um ao outro, mas não comais do mesmo pedaço.
Cantai e dançai juntos, e sede alegres, mas deixai cada um de vós estar sozinho,
Como as cordas do alaúde que, separadas, vibram em harmonia.
Dai vossos corações, mas não os confiai um ao outro,
Pois somente a providência divina pode contê-los.
E permanecei juntos, mas não em demasia:
Pois os pilares do templo erguem-se separados,
E o carvalho e o cipreste não crescem à sombra um do outro."
(In: O Profeta. Kahlil Gibran. Ediouro, RJ. 2002)



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