A Retórica é a faculdade de ver teoricamente o que, em cada caso, pode ser capaz de gerar a persuação.
Dentre as provas independentes da arte, as preexistentes, por ex.,os testemunhos, as confissões obtidas pela tortura, as convenções escritas e outras de igual espécie. Estas basta que sejam utilizadas.
Asprovas dependentes da arte são as que podem ser fornecidas pelo método e pelos nossos próprios meios. Estas precisam ser encontradas.
Provas fornecidas pelo Discurso:
1. residem no caráter moral do orador
2. residem nas disposições que se criaram no ouvinte
3. residem no próprio discurso pelo que demonstra ou parece demonstrar
A persuação é óbtida por efeito do caráter moral, sempre que o discurso de maneira a deixar a impressão do orador ser digno de confiança. O caráter moral deste constitui a prova determinante por excelência.
A persuação nos ouvintes é alcançada quando o discuros os leva a sentir uma paixão, pois oa juízos proferidos variam segundo sentimentos transmitidos, entre aflição e alegria, amizade e ódio.
É pelo Discurso que persuadimos, sempre que demonstramos a verdade ou o que parece ser a verdade.
Os meios de demonstrar realmente ou na aparência são, como na Dialética, a indução, o silogismo e o silogismo aparente. O exemplo é uma indução e o entimema é um silogismo. Os oradores procuram que as provas sejam aceitas pela demonstração, pelo emprego de exemplos e de entimemas, com exclusão de qualquer outro meio.
*atendendo a que quem quer persuadir se propõe persuadir alguém
*atendendo a que tudo quanto é persuasivo e crível, o é imediatamente e por si mesmo
*atendendo a que nenhuma arte encara o particular, por ex., a Medicina não procura o tratamento que convém a Sócrates ou a Calias, mas sim o tratamento que convém ao homem ou aos homens:
- a Retórica não encarará teoricamente o provável para cada indivíduo, por ex., para Sócrates ou Hípias, mas sim o provável para homens desta ou daquela condição, e nisso se assemelha à Dialética.
A Dialética não raciocina por silogismo, partindo de quaisquer premissas ao acaso, pois há premissas que até loucos podem admitir, mas parte do que precisa ser estabelecido pelo racicínio.
A Retórica se estriba em fatos que já estamos habituados a pro em deliberação.
Maneira de argumentar na Retórica:
Podemos raciocinar e deduzir, ora partindo de proposições já demonstradas, ora de proposições ainda não demonstradas e que necessitam de demonstração por não serem correntemente admitidas.
Daí a necessidade de se recorrer ao entimema e ao exemplo em tudo o que seja suscetível de admitir conclusão diferente.
O exemplo serve de indução e o entimema de silogismo. Este último compõe-se de proposições pouco numerosas e muitas vezes menos distintas do que o silogismo completo, pois, se uma das proposições é conhecida, não é mister enunciá-la: o ouvinte restabelece-a por si próprio.
Deliberamos e refletimos sobre as ações; todos os atos apresentam essa particularidade em comum e nenhum deles é produto da necessidade.
Das premissas, sobre que assentam os entimemas, algumas serão necessárias e a maior parte terá caráter contingente.
Quando se julga ser impossível refutar o que foi enunciado, pensa-se aduzir um tecmérion (sinal), pretendendo significar com isso que a prova está definitivamente feita e concluída.
Do exemplo: quando duas proposições estão compreendidas no mesmo gênero e uma delas é mais conhecida que outra, temos um exemplo.
In: Aristóteles. "Arte Retórica e Arte Poética". Tradução de Antônio Pinto de Carvalho.Ediouro. 17a edição. 2005.
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