quinta-feira, 28 de julho de 2022

Redação & Textos: Da Argumentação - parte 3

Argumentação formal
: embora a argumentação formal seja parecida com a informal, alguns cuidados precisam ser tomados.

1. Proposição - deve ser clara, definida, inconfundível em sua negação ou afirmação e que seja sumamente argumentável

Argumentação implica divergência de opinião. E isto quer dizer que as questões técnicas fogem à argumentação, desde que os fatos, através de experiências e pesquisas, já tenham provado a verdade da tese, doutrina ou princípio. Fatos não se discutem.


A proposição dever ser afirmativa e suficientemente específica para permitir uma tomada de posição contra ou a favor.

Para argumentar a respeito de generalidades (previdência social,  propaganda, democracia,  caridade, liberdade etc) é necessário delimitá-las e apresentá-las em termos de opção; em qual sentido, qual sua importância, quem contestaria, assinalar falhas ou virtudes em determinado instante e lugar, etc.

2. Análise da Proposição - A análise da proposição não costuma aparecer na argumentação informal, mas constitui estágio da maior importância na argumentação formal. É indispensável:

*definir com clareza o sentido da proposição
*definir com clareza alguns dos termos da proposição, evitando mal-entendidos
*definir desde o início a posição do autor, declarando o que deseja provar

3. Formulação dos Argumentos - Estágio em que o autor apresenta as provas ou razões, o suporte das ideias. Coerência de raciocínio se impõe nesta fase e só os fatos provam, desde que acompanhados de condições de quantidade suficientes, com enumeração perfeita e completa, fidedignas, autênticas, relelevantes e adequadas:
*exemplos
*estatísticas
*ilustrações
*comparações
*descrições
*narrações 

Importante também é a ordem em que as provas são apresentadas, de acordo com a natureza de sua tese e que seja capaz de impressionar o leitor ou ouvinte.

Suspense: é outro recurso de convicção que mantém o leitor ansioso pela conclusão. Cuidados e atenção devem ser aqui dados, para que a paciência e a resistência do leitor não sejam mantidos por tempo demasiado, cansando-o e fazendo-o desistir.

Outros artifícios podem servir para convencer, influenciar o leitor ou ouvinte:
*confrontos flagrantes
*comparações adequadas e elucidativas
*testemunho autorizado
*alusões históricas pertinentes
*anedotas

Lembrete de dois fatores importantes:
1. frisar, nas ocasiões oportunas, os pontos principais de sua tese, pontos estes que serão englobados sucintamente na conclusão
2. antecipar ou prever possíveis objeções do opositor ou leitor, para refutar a tempo

4. Conclusão - é resultado das provas arroladas, dos argumentos apresentados. É um arremate, embora não seja uma recapitulação. Consiste em por em termos bem claros, a essência da proposição.
Muitas vezes se constitui de "considerações finais".

5. Plano-padrão da Argumentação Formal
1.Proposição
2.Análise da Proposição
3.Formulação dos Argumentos
    a.fatos
    b.exemplos
    c.ilustrações
    d.dados estatísticos
    e.testemunho
4.Conclusão

"Há de tomar o pregador uma só matéria, há de defini-la para que se conheça, há de dividi-la para que se distinga, há de prová-la com a Escritura, há de declará-la com a razão, há de confirmá-la com o exemplo, há de amplificá-la com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que se hão de seguir, com os inconvenientes que se devem evitar; há de responder às dúvidas, hpa de satisfazer as dificuldades, há de impugnar e refutar com toda a força da eloquência os argumentos contrários, e depois disso há de colher, há de apertar, há de concluir, há de persuadir, há de acabar." (In: Sermão da Sexagésima, Pe. Antônio Vieira, 1655).

In: Garcia, Othon M."Comunicação em Prosa Moderna". FGV Editora: RJ. 2007

















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