quinta-feira, 24 de junho de 2021

Penha de outrora T2E7: Artigo do Jornal "Der Urwaldsbote, ano1922" - Blumenau


 A LINDA ACARICIA, DA ARMAÇÃO UMA HISTÓRIA DE PESCADOR DO LITORAL DE SANTA CATARINA 

Tradução e revisão Mônica Funfgelt

15/06/2021

Depois de um mês, o casamento foi celebrado. No dia anterior, a mãe de Manoel tomou banho e deixou que as crianças inspecionassem-lhe os parasitas para depois fazer o mesmo com eles. O velho Castro mantinha sua bússola em ângulo com o céu, mas nada o fazia entrar no mar para se banhar, pois afirmava que por conta disso havia contraído Beri-Beri.

Armação inteira participou da festa, até os turistas combinaram de dar ao jovem casal um presente útil, nada de copinhos de licor. O velho Castro embriagou-se tanto na festa, que começou a discursar e se deixou viver.

Os trajes de festa dos convidados pareciam um tanto inapropriados. Era aceitável que aqueles pescadores que não dispunham de um terno preto, chegassem vestindo calça de riscado e camisa e tivessem os pés descalços, agora, Pedro Ricaço que por avareza nunca foi capaz de comprar um terno decente, usar o velho uniforme de soldado do pai que havia lutado na guerra do Paraguai e que havia guardado de lembrança, comido pelas traças, com distintivos de todas as cores, isso sim era bizarro.

Manoel também não tinha nada além de um terno de riscado um pouco melhor, no entanto um daqueles veranistas compadeceu-se e emprestou-lhe um fraque preto, que não combinava muito bem com o chapéu de palha,  já que Manoel não dispunha de outro acessório mais compatível para cobrir a cabeça. Somente a noiva estava bem vestida, mesmo não usando véu nem cauda. Aliás, ela teria ficado linda em qualquer figurino.

Um padre veio de Itajaí para celebrar o casamento na igreja da Armação. Esta fora decorada lindamente com folhas de palmeiras pelos jovens. Após a cerimônia as pessoas seguiram pela praia até a casa de Pedro Ricacho onde a mesa do banquete foi posta ao ar livre. A comida estava excelente - carnes, aves, peixes, lagosta, caramujos, mexilhões e outras iguarias agradaram a todos. Havia cachaça em abundância. A comunidade fez um trabalho incrível, a maioria deles jejuou por dias para então poder se fartar.

No final foram todos para a praia. Uma gaita de boca deu o tom à festa. Também apostaram-se carreiras. Dois velhos pangarés desempenharam o papel de cavalos de corrida que foram montados sem sela por dois jovens. Mas a carreira nunca acabou, porque os dois cavaleiros, cheios de cachaça, despencaram dos nobres corredores como sacos de farinha. Então, outros tentaram, com o mesmo sucesso. No final, apostava-se naquele que cairia por último. Foi muito divertido. Finalmente, formou-se uma grande cavalgada entre os jovens, e então, tarde da noite, todos se foram com grande alegria. Por muito tempo, a linda festa de casamento, onde tudo foi tão gostoso, foi assunto de conversa dos moradores de Armação. 

Pedro Ricaço deu aos pais e irmãos de Manoel uma linda casinha. O velho Castro recebeu a supervisão das redes, que, se necessário, também tinha de consertar e deixar em boas condições de uso. Manoel tornou-se sócio do sogro e tempos depois único dono da peixaria quando Pedro Ricaço decidiu se aposentar. O infeliz Bento atormentou o pai para vender o negócio e se mudar para Joinville. Ele não queria ouvir sobre a felicidade de seu antigo inimigo.

 Lá ele aprendeu cestaria. Ele ainda consegue enxergar um pouco com um olho. O trabalho é seu consolo.

FIM

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