sexta-feira, 2 de julho de 2021

A Arte do Bordado em Blumenau - 7 (E falando em "rococó...)


Então era tempo de bordar, e bordar muito rococó! 

Será que esse tempo passou? -Nada! Tudo se transforma. E o bordado evolui junto com as transformações do mundo. Mas houve um tempo, lá pelos idos da década de 60 (bota tempo nisso!) que o bordado estava a todo vapor, em especial no ponto "rococó". 

Vestidos, blusas, golas, lencinhos, toalhas e toalhinhas, roupa infantil: ficavam mais charmosos com um 'detalhe' em rococó. Inclusive blusões e casacos em tricô levavam algum motivo, algum arranjo bordado em rococó.

Na antiga Loja das Linhas, em Blumenau, onde meus pais atuavam como gerentes, eram dados cursos de bordado e também podia-se comprar álbuns com riscos e instruções. Tipo as revistas de artes e artesanato que se veem hoje, pelas bancas. 

Na ilustração ao lado, o esquema de bordar
exclusivamente o ponto rococó. Com 
indicação de linhas e cores. O tecido em geral
era recomendado que fosse de trama mais 
fechada. Agulhas finas e longas, para não 
machucarem o pano e com furo adequado 
para introduzir a linha. 
E: mãos à obra!

As linhas mais utilizadas era do tipo "Varicôr", cuja espessura e fio brilhante permitiam um belo trabalho. Vinham em meadas com uma 'laçada' no meio da meada. Ao abrir esta laçada, tinha-se a meada no seu inteiro comprimento. Então cortava-se a meada no meio, na parte inferior e os fios, presos ao tag, já tinham a medida certa para cada uso.
O rococó pode ser bordado com outras linhas, finas ou grossas, dependendo do tecido e do risco a ser bordado. A agulha então é escolhida de acordo com a espessura da linha e do tecido. Uma linha muito usada é a "6 fios", também conhecida como "Anchor" (antiga linhas Âncora).

Nesta foto à esquerda, o detalhe do bordado mesclado com pedaços de renda. As rosinhas/flores são bordadas em ponto rococó e em toda volta desta peça há esse tipo de motivo/risco.
A peça é uma anágua, peça de roupa muito usada na época, sob vestidos e saias. 
O tecido é "pele de ovo", muito fino, delicado e sintético. Lembra muito a seda, mas é mais firme que a seda.
Esta peça era de minha mãe e foi doada ao Museu de Hábitos e Costumes, em Blumenau.


 
Paixão da época, o tal do "rococó"! 
O bordado é uma arte milenar. Mas há quanto tempo existe o dito ponto, não
descobri ainda. Um dia chego lá...
As linhas do tipo Varicôr podiam ser encontradas em uma cor ou mescladas. 
Havia mesclas da mesma cor, em vários tons; e havia mesclas em cores diferentes, 
tipo azul e rosa ou vermelho e amarelo etc. Essa mescla de tons e cores, então usados no bordado, fazia surtir os efeitos marcantes, chamativos, decorativos e harmoniosos.
Não há como não se surpreender com tais efeitos, pois que 'dão vida' à peça bordada.

A origem dos álbuns de riscos para bordar surgiram no Rio de Janeiro e São Paulo, Brasil, na década de 60 com as autoras Mary Tinoco e Elisa Hirsch Maia. Não tenho informação se antes deste período já havia álbuns de riscos. Mary Tinoco era diretora da fábrica de linhas MT (Mary Tinoco), em Nova Friburgo e era professora dos cursos de bordado. Minha tia Agathe Magnani ia com frequência a Nova Friburgo, aprender novos pontos com Mary Tinoco, em pessoa! 
E, voltando a Blumenau, ensinava nos cursos oferecidos pela Loja das Linhas e em particular, em sua casa.
Elisa  fazia parte do quadro de diretores da fábrica de linhas Varicôr e era quem elaborava seus álbuns de riscos.
Vai-se o tempo na poeira dos dias e dos anos... mas ficam as belezas que encantam a alma em forma de seus bordados trançados por linhas vivas, cheias de cor... ficam as belezas entremeadas por mãos e que perduram nas cenas, nos arranjos, nos motivos... e deixam assim, na visão e na alma humana uma sensação que não se deixa levar pela poeira do tempo... 

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