quarta-feira, 23 de junho de 2021

Penha de outrora T2E6: Artigo do Jornal "Der Urwaldsbote, ano1922" - Blumenau

 

A LINDA ACARICIA, DA ARMAÇÃO UMA HISTÓRIA DE PESCADOR DO LITORAL DE SANTA CATARINA 

Tradução e revisão Mônica Funfgelt

15/06/2021

Finalmente eles se aproximaram e olharam em volta para tentar localizar algum resquício do barco desaparecido. Eles notaram uma mancha escura, que, meio escondida atrás dos penhascos, revelou ser a forma de um ser humano. Mas atracar onde o corpo jazia era impossível. Eles evitaram as ondas e ancoraram no lado norte da ilha, o que, se não foi bom, permitiu que aportassem. Eles se esforçaram para prender o barco à raiz de uma árvore e retornaram por uns 10 minutos para ver quem era a pessoa e se ainda poderia receber ajuda.

Era Pedro Ricaço. Ele ainda se movia mas, quando os pescadores tentaram levantá-lo, perceberam que o seu pé estava gravemente ferido. As ondas haviam lançado suas espumas sobre o acidentado e nada se via da embarcação e dos dois outros marinheiros. O velho Castro, que gostava de tomar uns goles, estava de posse de sua garrafa de cachaça que chamava de bússola o que, desta vez, foi realmente providencial. Pedro tomou um pouco daquele aguardente o que fez com que melhorasse e finalmente, com um pouco de  esforço, pudesse falar. “Oh, ele disse, vocês são meus salva-vidas, sim, eu não teria acreditado nisso, tenho muito que lhes compensar!” “Não se aborreça caro Pedro, é melhor contar como tudo aconteceu e onde estão seus dois companheiros”, falou  Manoel.

“Devo presumir que infelizmente eles se afogaram. Fomos surpreendidos pelo vento. Uma terrível rajada virou nosso barco antes que pudéssemos pegar as velas. Primeiro, segurei-o com meus dois camaradas, mas apenas por um curto período de tempo, quando uma onda me separou do barco e dos meus companheiros. A princípio tentei nadar, mas não sabia para onde ir, não conseguia ver nada da terra, então me joguei de costas e me deixei flutuar. É um milagre nenhum tubarão ter me visto. Quanto tempo eu estive vagando, seja por horas ou apenas minutos, não sei. Eu lutei desesperadamente e estava prestes a parar de me mover quando ouvi o rugido das ondas nas proximidades. Fui pego por elas e arrastado para a ilha rochosa e assim devo ter quebrado meu pé.

Com um esforço desesperado, levantei-me um pouco para que a maré não pudesse mais me atingir, e então minhas forças chegaram ao fim. Devo ter desmaiado há muito tempo porque não sei muito sobre a noite. Meu corpo dói como se estivesse todo quebrado”.

Observou-se então ao redor como se poderia trazer Pedro para a terra firme. Não seria pela Armação. O vento novamente soprava mais forte e era impossível cruzar contra o vento com aquele barco pequeno. Mesmo se alguém realmente quisesse ousar, demoraria muito e nas condições em que se encontrava a vítima, ele não iria aguentar. Então Manoel deu um pulo. “Tive uma ideia”. Logo foi até até o barco, aproximou-se da vela e escalou até o topo da ilha. Aí ele acenou e balançou a vela em direção à Penha por um tempo até que do outro lado também acenaram. Se ao menos eles entenderam o que eu quis dizer, pensou Manoel, e desceu da colina para se juntar aos outros a quem ele se reportou.

Na Penha um barco havia desencalhado. Depois de uma hora, estava na ilha. Pedro Ricaço foi carregado até o barco em uma maca feita de galhos e cipós. Dali, as duas embarcações atravessaram para a Penha. Uma vez lá, um mensageiro foi enviado para a família porque o homem ferido não resistiria ser transportado até em casa. Um pescador com conhecimento médico aplicou no pé o curativo de emergência.

A esposa e a filha vieram imediatamente. A alegria delas ao verem aquele que se acreditava estar perdido foi grande. Depois de um dia de descanso, Pedro foi levado cuidadosamente para casa, onde o médico, a quem naquele meio tempo haviam chamado, esperava para tratar do hematoma e das feridas. A cura prosseguiu normalmente. Mas enquanto ainda estava doente, Pedro Ricaço mandou buscar Manoel e disse-lhe que ele era um sujeito e tanto com o coração no lugar certo e que se quisesse ser seu genro certamente não faria nenhuma objeção.

Manoel ficou tão surpreso com a mudança de humor de Pedro que só conseguiu gaguejar seu agradecimento, enquanto Acaricia se jogava no pescoço dos pais e ria e chorava alternadamente. “Então,” disse Pedro, “apenas discuta todo o resto com sua mãe. Eu quero ter minha paz agora. Mocinha, você está realmente eufórica!”

continua...

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