A LINDA ACARICIA, DA ARMAÇÃO UMA HISTÓRIA DE PESCADOR DO LITORAL DE SANTA CATARINA
Tradução e revisão
Mônica Funfgelt
15/06/2021
Finalmente eles se aproximaram e olharam em volta para tentar localizar
algum resquício do barco desaparecido. Eles notaram uma mancha escura, que,
meio escondida atrás dos penhascos, revelou ser a forma de um ser humano. Mas
atracar onde o corpo jazia era impossível. Eles evitaram as ondas e ancoraram
no lado norte da ilha, o que, se não foi bom, permitiu que aportassem. Eles se
esforçaram para prender o barco à raiz de uma árvore e retornaram por uns 10
minutos para ver quem era a pessoa e se ainda poderia receber ajuda.
Era Pedro Ricaço. Ele ainda se movia mas, quando os pescadores tentaram
levantá-lo, perceberam que o seu pé estava gravemente ferido. As ondas haviam
lançado suas espumas sobre o acidentado e nada se via da embarcação e dos dois
outros marinheiros. O velho Castro, que gostava de tomar uns goles, estava de
posse de sua garrafa de cachaça que chamava de bússola o que, desta vez, foi
realmente providencial. Pedro tomou um pouco daquele aguardente o que fez com
que melhorasse e finalmente, com um pouco de
esforço, pudesse falar. “Oh, ele disse, vocês são meus salva-vidas, sim,
eu não teria acreditado nisso, tenho muito que lhes compensar!” “Não se
aborreça caro Pedro, é melhor contar como tudo aconteceu e onde estão seus dois
companheiros”, falou Manoel.
“Devo presumir que infelizmente eles se afogaram. Fomos surpreendidos pelo
vento. Uma terrível rajada virou nosso barco antes que pudéssemos pegar as
velas. Primeiro, segurei-o com meus dois camaradas, mas apenas por um curto
período de tempo, quando uma onda me separou do barco e dos meus companheiros.
A princípio tentei nadar, mas não sabia para onde ir, não conseguia ver nada da
terra, então me joguei de costas e me deixei flutuar. É um milagre nenhum
tubarão ter me visto. Quanto tempo eu estive vagando, seja por horas ou apenas
minutos, não sei. Eu lutei desesperadamente e estava prestes a parar de me
mover quando ouvi o rugido das ondas nas proximidades. Fui pego por elas e
arrastado para a ilha rochosa e assim devo ter quebrado meu pé.
Com um esforço desesperado, levantei-me um pouco para que a maré não
pudesse mais me atingir, e então minhas forças chegaram ao fim. Devo ter
desmaiado há muito tempo porque não sei muito sobre a noite. Meu corpo dói como
se estivesse todo quebrado”.
Observou-se então ao redor como se poderia trazer Pedro para a terra firme.
Não seria pela Armação. O vento novamente soprava mais forte e era impossível
cruzar contra o vento com aquele barco pequeno. Mesmo se alguém realmente
quisesse ousar, demoraria muito e nas condições em que se encontrava a vítima,
ele não iria aguentar. Então Manoel deu um pulo. “Tive uma ideia”. Logo foi até
até o barco, aproximou-se da vela e escalou até o topo da ilha. Aí ele acenou e
balançou a vela em direção à Penha por um tempo até que do outro lado também
acenaram. Se ao menos eles entenderam o que eu quis dizer, pensou Manoel, e
desceu da colina para se juntar aos outros a quem ele se reportou.
Na Penha um barco havia desencalhado. Depois de uma hora, estava na ilha.
Pedro Ricaço foi carregado até o barco em uma maca feita de galhos e cipós.
Dali, as duas embarcações atravessaram para a Penha. Uma vez lá, um mensageiro
foi enviado para a família porque o homem ferido não resistiria ser transportado
até em casa. Um pescador com conhecimento médico aplicou no pé o curativo de
emergência.
A esposa e a filha vieram imediatamente. A alegria delas ao verem aquele
que se acreditava estar perdido foi grande. Depois de um dia de descanso, Pedro
foi levado cuidadosamente para casa, onde o médico, a quem naquele meio tempo
haviam chamado, esperava para tratar do hematoma e das feridas. A cura
prosseguiu normalmente. Mas enquanto ainda estava doente, Pedro Ricaço mandou
buscar Manoel e disse-lhe que ele era um sujeito e tanto com o coração no lugar
certo e que se quisesse ser seu genro certamente não faria nenhuma objeção.
Manoel ficou tão surpreso com a mudança de humor de Pedro que só conseguiu
gaguejar seu agradecimento, enquanto Acaricia se jogava no pescoço dos pais e
ria e chorava alternadamente. “Então,” disse Pedro, “apenas discuta todo o
resto com sua mãe. Eu quero ter minha paz agora. Mocinha, você está realmente
eufórica!”
continua...
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