sexta-feira, 9 de abril de 2021

Penha de outrora T1E6: Casa da Penha sempre cheia!

 

Verão entrava e férias na casa da Penha eram rotina! O Opa e a Oma tratavam de avisar parentes e amigos e providenciavam quem cuidasse das coisas na casa em Blumenau. Em geral era a tia Tina, uma das primas da Oma.

Então era hora de revisar o carro na garagem, um Ramona Verde-abacate, e de colocar as malas, mais os apetrechos e as caixas com víveres. Na Penha havia uma vendinha perto da casa, a venda do seu Zito. E mais outra, lá em cima atrás da igreja.  Por isso era prudente e necessário levar junto na viagem, tudo que fosse preciso para cama, mesa, banho e despensa.

Os preparativos demoravam sempre alguns dias. Mas finalmente, carro com radiador abastecido, óleo conferido, passageiros acomodados, o Opa ligava o carro. Partiu Penha! Que alegria quando eu e meu irmão podíamos ir nessa. Outras vezes íamos depois, de carona com meus pais. E por lá ficávamos uma semana ou mais.

E sempre tinha visita: havia vezes em que tia Ruth e tio Ernesto vinham de Joinville e passavam a temporada conosco. E tia Joana, de São Leopoldo, também vinha passar férias em Santa Catarina. Visitava algumas das irmãs e por fim ficava conosco na praia. Tia Joana contava muitas histórias, muitos contos românticos, quase impossíveis, mas que tinham sempre um final feliz. A galera ali presente não desgrudava os olhos da tia até o final do conto. Tia Joana também era hábil em preparar um chimarrão adocicado, todas as tardes, enquanto conversávamos em volta do poço, debaixo da sombra do enorme jambolão, ali no quintal. Mate amargo a gente não aceitava muito, mas o chimarrão adocicado era tudo de bom!  

Lembro de outro dia em que extrapolei na exposição ao sol e levei uma 'torrada' feia, fiquei muito vermelha, com muito calor e ardor na pele. Tia Joana cortou folhas verdes de bananeira e acomodou-as sobre as pernas, braços e barriga até murcharem totalmente. Então colocou novas folhas verdes de bananeira. O calor diminuiu muito, mas por várias noites sofri pra dormir. Assim era tia Joana: sabia remédios caseiros e muitas histórias que nos alegravam.

Tia Ruth e tio Ernesto, naqueles tempos idos, queriam melhorar seus conhecimentos e passaram a fazer o Artigo-99. Houve época em que este estudo era possível de ser acompanhado na televisão. No caso dos tios, era acompanhado por fascículos comprados em Bancas. Quando tinham tempo livre, ali na Penha, sentavam fora, no quintal e liam e estudavam, cada um ‘tomando o ponto’ do outro. Ou um fazia as perguntas e outro respondia. Exames concluídos, receberam os certificados. “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena!” (Na foto, Janka está botando bobies no cabelo da tia Joana, em São Leopoldo.) 

As tias, primos e muitos outros parentes também faziam parte do ciclo de visitas ao ranchinho do Opa e da Oma, na Penha. Muitos tinham casa na Praia da Armação e assim, por vezes nós fazíamos visitas a eles. Lembro da visita dos Gruetzmacher, do tio Evald e esposa, tio Fred e tia Gisela e filhos. E muitos outros amigos e vizinhos de Blumenau que passavam férias conosco, como por ex., Mary e Edson e Elisabeth. Nós, adolescentes, por vezes acordávamos de madrugada e íamos à Prainha ver o nascer do sol.

Mas de manhã, depois do café, era hora de tomar banho no mar. À tarde, em geral, ia-se de novo. A decisão de ir pra Prainha, Bacia da Vovó, ou Praia Alegre, era feita na hora de sair. E foi numa dessas que fomos à Prainha, ali na Praia da Saudade e de repente demos de cara com uma tartaruga morta, boiando na beira da praia. Ao voltar pra casa, meu irmão e eu acomodamos a tartaruga numa das toalhas e a levamos pra casa, onde retiramos o casco e o deixamos secar por um bom tempo. Este casco ainda existe, como cúpula de luminária, na casa do meu irmão Harry.

Na foto ao lado, vê-se a casa, com as duas janelas de um dos quartos e uma das janelas 'projetantes'  da varanda e que ficavam abertas com o auxílio de um sarrafo. Todo cuidado pro sarrafo não ser deslocado, era pouco. As janelas, de tábuas, eram pesadas.

Boas e divertidas lembranças. Passamos algumas aventuras no tempo de infância e adolescênscia. Bons momentos, numa Penha em que não existia ainda a avenida Eugênio Krause, muito menos Beto Carrero. As ruas eram de chão batido, terra. O progresso veio e muitas delas foram calçadas. Outras foram asfaltadas.  O comércio cresceu e muitas casas foram sendo construídas. Em 1973 o Opa partiu do nosso convívio e ficaram as boas e belas lembranças!

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