segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Transmigração dos poloneses III: algumas notícias

 

Transmigração dos poloneses III: algumas notícias

Embarcados em 10/06/1869 no porto de Hamburgo/Alemanha, imi­grantes poloneses e suas famílias viajaram a bordo do navio a vapor Vitória, rumo ao Sul do Brasil. Após dois meses navegando pelo Ocea­no Atlântico, aportaram no Rio de Janeiro, de onde seguiram ao porto de Itajaí, no litoral de Santa Catari­na. Continuando viagem, seguiram pelas águas do Rio Itajaí-Mirim, desta vez em canoas, até as Colônias Itajaí e Príncipe Dom Pedro (futura cidade de Brusque/SC), chegando em meados de agosto de 1869.

Uma lista com os nomes desse pri­meiro grupo dá conta de cerca de 80 pessoas, cuja maioria transmigrou em setembro de 1871 para o rocio de Curitiba/PR.

Em 22 de abril de 1897 o jornal po­lonês “Nowiny Raciborskie” publi­cou a lista dos poloneses com o títu­lo “Polacy Górnośląscy w Brazylli”. É certo que já haviam se passado 28 anos desde a chegada e muita coisa aconteceu nesse tempo de quase três décadas, entre a saída deles (1869) e a publicação no periódico (1897), quando as histórias já eram outras e, a essas alturas do tempo, os imi­grantes estavam adaptados em suas novas colônias, cultivando suas ter­ras, vivendo a contínua esperança de melhores dias.

Algumas dessas famílias também ganharam outros “roteiros”, como os aqui relatados:

1. Domin Stempka. Ele veio com a esposa Karolina Synowska e a filha Sophia, de apenas 5 anos de idade. Apesar de não existirem re­ferências ao seu nome, tanto em do­cumentos das Colônias Itajaí e Prín­cipe Dom Pedro como em Livros de Atas da Câmara Municipal, em Curitiba, muitas das quais, ao longo de 1873 acusavam a solicitação por parte de diversos poloneses de “ter­ras no rocio de Curitiba”, Ana Laura Freire Wedderhoff acabou desco­brindo, nos arquivos da Paróquia do Abranches, da mesma cidade, que Sophia (futura tataravó de Ana Laura) continuou a escrever a his­tória da família. Em 02/09/1874 ela casou-se com Bertoldo Adam, e o registro de casamento dá conta que a “noiva residia em Santa Candida, n’esta Capellania”. Como testemu­nha do casamento, Philippe Kokot, companheiro de viagem de Domin ao Brasil em 1869.

2. Szymon Otto. Seu nome é men­cionado como sócio-fundador da So­ciedade Polono-Brasileira Tadeusz Kościuszko em Curitiba, 1890: “en­tidade que tornou como prioridade a promoção da assistência cultural, educacional e social aos imigran­tes presentes no estado” (p. 36 da publicação 125 anos da Sociedade Polono-Brasileira. Curitiba, 2015. Insight Editora). Szymon Otto foi um “dos 22 convidados poloneses com o objetivo de juntos pensar e fundar uma sociedade dos polone­ses de Curitiba” (p.101). Segundo consta, eram os 22 poloneses de Curitiba mais destacados para que pensassem nisso (Ata da fundação da sociedade, 15/06/1890): “so­mente 11 compareceram”, entre eles, Szymon Otto (ou Simon Otto, conforme grafia diferente, encon­trada em outros documentos).

3. Simon Purkott. Um convite de casamento de sua filha, o qual pertence ao acervo da professora Maria Vanelli, secretária do núcleo BRASPOL do Pilarzinho em Curiti­ba/PR - ela própria descendente de poloneses pelo lado materno dos Pollak, Gbur e Purkott – sobreno­mes de imigrantes, segundo infor­mações de Volnei Lopes da Silva, pesquisador da presença dos polo­neses em Abranches, a quem agra­deço o repasse também da imagem.

A tradução do convite é do casal Bruno Kullock Barroso e Karolina Wojciechowska Kullock Barroso, de Pelotas/RS, colaborador do Jornal Gazeta do Abranches:

"Temos a honra de convidar ao senhor e a Família para o casamen­to de nossa filha Elzbieta com o Sr. Jósef Polak, que ocorrerá no dia 5 de julho às 9h da manhã na igreja de Sta. Anna no centro de Abranches. As festas de casamento acontecerão em nossa casa na colônia Pilarzi­nho. Sofia e Szymon Purkott - Pilar­zinho, em junho de 1920."

4. Tais reimigrantes, junto com os demais, haviam enfrentado muitos problemas: “Esses colonos, illudi­dos pelo seu compatriota (aqui, re­fere-se a Sebastião Saporski, res­ponsável em trazê-los) contavam encontrar alli (o relato refere-se a Paranaguá, aonde muitos apor­taram quando chegaram de Santa Catarina) recebimento por parte do Governo, e bem as­sim transporte até aqui.

Não encontrando nada disso e exaustos de meios, trataram de procurar a caridade publica; do que sendo sabedor dei providencias para que fossem recolhidos e transportados até a capital por conta da província.

Chegados aqui queriam continuar a sustentar-se á custa da província; mas disso dissuadiram-se logo que lhes fiz saber que havia bastante trabalho nas obras pu­blicas, onde ganhariam salário sufficente para socorrer ás suas necessidades, e que tratassem de se estabelecer nos terrenos da camara municipal.

Foram quase todos estabelecidos nos terrenos do ro­cio, medidos por ordem da presidência no logar denomi­nado – Pilarzinho; encarregando-se disso o empregado da extinta repartição das terras, addido á secretaria de Governo, Candido Rodrigues Soares de Meirelles.

Trabalhadores e morigerados como são esses colo­nos, é de se esperar que a província tire resultados dos sacrificios que com elles fez.” (grafia original) In: Jornal Dezenove de Dezembro. 13/04/1872 – portanto relato que diz respeito aos fatos de 1871, ano da Transmigra­ção dos Poloneses de Brusque para Curitiba.

Da Parte Oficial do Governo Provincial do Paraná, cujo Presidente era o Dr. Venancio José de Oliveira Lisboa. Relatório apresentado à Assembléia Legislativa do Paraná na abertura da 1ª. sessão da 10ª. legislatura e publicado na data acima citada no referido jornal.

A homenagem aos trabalhadores e morigerados colo­nos que com sacrifício escreveram a página da Trans­migração Polonesa em setembro de 1871.

Maria do Carmo Ramos KRIEGER (Pesquisa e escreve sobre o elemento polonês, reconstituindo aspectos de sua chegada a Brusque/SC e de sua transmigração a Curitiba/PR.


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