Transmigração dos poloneses III: algumas notícias
Embarcados em 10/06/1869 no porto de
Hamburgo/Alemanha, imigrantes poloneses e suas famílias viajaram a bordo do
navio a vapor Vitória, rumo ao Sul do Brasil. Após dois meses navegando pelo
Oceano Atlântico, aportaram no Rio de Janeiro, de onde seguiram ao porto de
Itajaí, no litoral de Santa Catarina. Continuando viagem, seguiram pelas águas
do Rio Itajaí-Mirim, desta vez em canoas, até as Colônias Itajaí e Príncipe Dom
Pedro (futura cidade de Brusque/SC), chegando em meados de agosto de 1869.
Uma lista com os nomes desse primeiro grupo dá conta
de cerca de 80 pessoas, cuja maioria transmigrou em setembro de 1871 para o
rocio de Curitiba/PR.
Em 22 de abril de 1897 o jornal polonês “Nowiny
Raciborskie” publicou a lista dos poloneses com o título “Polacy Górnośląscy
w Brazylli”. É certo que já haviam se passado 28 anos desde a chegada e muita
coisa aconteceu nesse tempo de quase três décadas, entre a saída deles (1869) e
a publicação no periódico (1897), quando as histórias já eram outras e, a essas
alturas do tempo, os imigrantes estavam adaptados em suas novas colônias,
cultivando suas terras, vivendo a contínua esperança de melhores dias.
Algumas dessas famílias também ganharam outros
“roteiros”, como os aqui relatados:
1. Domin Stempka. Ele veio com a esposa
Karolina Synowska e a filha Sophia, de apenas 5 anos de idade. Apesar de não
existirem referências ao seu nome, tanto em documentos das Colônias Itajaí e
Príncipe Dom Pedro como em Livros de Atas da Câmara Municipal, em Curitiba,
muitas das quais, ao longo de 1873 acusavam a solicitação por parte de diversos
poloneses de “terras no rocio de Curitiba”, Ana Laura Freire Wedderhoff acabou
descobrindo, nos arquivos da Paróquia do Abranches, da mesma cidade, que
Sophia (futura tataravó de Ana Laura) continuou a escrever a história da
família. Em 02/09/1874 ela casou-se com Bertoldo Adam, e o registro de
casamento dá conta que a “noiva residia em Santa Candida, n’esta Capellania”.
Como testemunha do casamento, Philippe Kokot, companheiro de viagem de Domin
ao Brasil em 1869.
2. Szymon Otto. Seu nome é mencionado como sócio-fundador da Sociedade
Polono-Brasileira Tadeusz Kościuszko em Curitiba, 1890: “entidade que tornou
como prioridade a promoção da assistência cultural, educacional e social aos
imigrantes presentes no estado” (p. 36 da publicação 125 anos da Sociedade
Polono-Brasileira. Curitiba, 2015. Insight Editora). Szymon Otto foi um “dos 22
convidados poloneses com o objetivo de juntos pensar e fundar uma sociedade dos
poloneses de Curitiba” (p.101). Segundo consta, eram os 22 poloneses de
Curitiba mais destacados para que pensassem nisso (Ata da fundação da
sociedade, 15/06/1890): “somente 11 compareceram”, entre eles, Szymon Otto (ou
Simon Otto, conforme grafia diferente, encontrada em outros documentos).
3. Simon Purkott. Um convite de casamento de sua filha, o qual
pertence ao acervo da professora Maria Vanelli, secretária do núcleo BRASPOL do
Pilarzinho em Curitiba/PR - ela própria descendente de poloneses pelo lado
materno dos Pollak, Gbur e Purkott – sobrenomes de imigrantes, segundo informações
de Volnei Lopes da Silva, pesquisador da presença dos poloneses em Abranches,
a quem agradeço o repasse também da imagem.
A tradução do convite é do casal Bruno Kullock Barroso e Karolina
Wojciechowska Kullock Barroso, de Pelotas/RS, colaborador do Jornal Gazeta do
Abranches:
"Temos a honra de convidar ao senhor e a Família para o casamento
de nossa filha Elzbieta com o Sr. Jósef Polak, que ocorrerá no dia 5 de julho
às 9h da manhã na igreja de Sta. Anna no centro de Abranches. As festas de
casamento acontecerão em nossa casa na colônia Pilarzinho. Sofia e Szymon
Purkott - Pilarzinho, em junho de 1920."
4. Tais
reimigrantes, junto com os demais, haviam enfrentado muitos problemas: “Esses
colonos, illudidos pelo seu compatriota (aqui, refere-se a Sebastião
Saporski, responsável em trazê-los) contavam encontrar alli (o relato
refere-se a Paranaguá, aonde muitos aportaram quando chegaram de Santa Catarina) recebimento por
parte do Governo, e bem assim transporte até aqui.
Não encontrando nada disso e exaustos de meios,
trataram de procurar a caridade publica; do que sendo sabedor dei providencias
para que fossem recolhidos e transportados até a capital por conta da
província.
Chegados aqui queriam continuar a sustentar-se á custa
da província; mas disso dissuadiram-se logo que lhes fiz saber que havia
bastante trabalho nas obras publicas, onde ganhariam salário sufficente para
socorrer ás suas necessidades, e que tratassem de se estabelecer nos terrenos
da camara municipal.
Foram quase todos estabelecidos nos terrenos do rocio,
medidos por ordem da presidência no logar denominado – Pilarzinho;
encarregando-se disso o empregado da extinta repartição das terras, addido á
secretaria de Governo, Candido Rodrigues Soares de Meirelles.
Trabalhadores e morigerados como são esses colonos, é de se
esperar que a província tire resultados dos sacrificios que com elles fez.”
(grafia original) In: Jornal Dezenove de Dezembro. 13/04/1872 – portanto relato
que diz respeito aos fatos de 1871, ano da Transmigração dos Poloneses de
Brusque para Curitiba.
Da Parte Oficial do Governo Provincial do Paraná, cujo
Presidente era o Dr. Venancio José de Oliveira Lisboa. Relatório apresentado à
Assembléia Legislativa do Paraná na abertura da 1ª. sessão da 10ª. legislatura
e publicado na data acima citada no referido jornal.
A homenagem aos trabalhadores e morigerados colonos que com sacrifício escreveram a página da Transmigração Polonesa em setembro de 1871.
Maria do Carmo Ramos KRIEGER (Pesquisa e escreve sobre o elemento polonês, reconstituindo aspectos de sua chegada a Brusque/SC e de sua transmigração a Curitiba/PR.

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