Olho teus olhos e
vejo azul
Rasgo os céus
e entranho nos
seus claustros
ofuscantes...
Vago em teus
olhos e penetro
cantos impenetrantes...
É como a brisa
É como o hálito
E num momento
não é mais...
Foi-se...
Virou-se numa
lâmina avessa
transparente
translúcida
úmida...
Transformou-se
num absinto
neste recinto
e já não sinto...
Perfumes espargem
seu odor.
Se ando, não sinto.
Se sinto, não ando.
Vê-se em redor:
- há o redor.
Vê-se o mundo:
- ainda há mundo!
Vê-se o pensamento!
Toca-se a alma e
pisa-se no invisível.
O que foi extinguiu-se
como imagem
no espelho d’água...
O que foi, foi.
Agora reluz o
céu em chamas,
arde o olho
de estudar,
de ler,
de escrever,
de ver...
queima o sol
a pele,
a flor que fenece,
a hora que se esvai...
Corre o tempo.
Mas fica o agora.
Texto e foto: Ellen Crista da Silva
Texto e foto: Ellen Crista da Silva
