terça-feira, 28 de abril de 2020

Contos Poloneses: Noite de São João


NOITE DE SÃO JOÃO

Desde há muito tempo o povo eslavo mantém viva a celebração, ao ar livre, dia 23 de junho, a primeira noite do verão.
A Polônia se tornou uma nação cristã no ano de 996 e, a partir de então, esta noite passou a chamar-se “Noite de São João”. Era sempre uma época de muita diversão, magia e romance; além dos festejos de boas-vindas aos meses vindouros, meses de calor. Alguns dizem que nestas noites os demônios e as bruxas saem das trevas para pregar peças e se divertir.

Assim que o sol se põe, grandes fogueiras são acesas ao longo das margens de lagos e rios. Os jovens, seguindo a tradição, pulam por cima das fogueiras demonstrando coragem e ousadia. As moças se vestem com vestidos longos e de cor clara. Trazem coroas de flores nas cabeças e cantam e dançam em volta das fogueiras.  Então, armas atiram: é o sinal em que as moças solteiras atiram suas coroas nas águas e sua sorte poderá estar lançada, dependendo do caminho que as coroam fizerem sobre as águas. Os jovens solteiros tentam pegar as coroas, com varas compridas, em pequenos barcos ou mesmo pulando na água e nadando em busca de alguma. Conta a lenda que o jovem possuidor de uma dessas coroas se casará com sua respectiva dona. Muitos casais iniciam seu namoro nesta noite alegre e festiva.

Há muito tempo atrás, um jovem muito pobre e desajeitado, de nome Jasiu (Jack em polonês) morava perto do rio Narew. Jasiu não tinha sorte na Noite de São João, pois era muito lento e não conseguiu pegar a coroa de sua amada. Para piorar a situação, tinha chamuscado sua calça nova ao pular uma fogueira. Estava muito triste quando, no caminho de volta pra casa, encontrou uma senhora muita velha. “Pobre Jasiu”, disse a velhinha. “Mas, talvez esta lhe seja uma noite de sorte! Na floresta há uma planta que floresce apenas uma vez no ano, e é na Noite de São João! Esta planta tem uma flor vermelha e, quem colher esta flor, tem direito a fazer um pedido.”

Sem mesmo agradecer a velha senhora, Jasiu correu pela floresta adentro, à procura da flor. Não demorou muito para encontrar a flor mágica! Colheu-a e gritou: “Desejo ser muito rico!” No mesmo instante viu-se vestido como um príncipe, com todos os seus bolsos cheios de ouro e moedas.

Jasiu retornou à cabana do seu pobre pai, mas nenhum dos parentes o reconheceu. Se aproveitando da situação, também não lhes disse quem era. Em vista disso, foi à cidade desfrutar do seu ouro, deixando sua família com nada mais que uma moeda.

Os anos se passaram e Jasiu continuava rico, até que um dia sentiu muita solidão e saudades de casa. Decidiu retornar à casa paterna, mas seus pais já tinham morrido na pobreza e todos os amigos tinham ido embora. Jasiu emagreceu tal qual um graveto, de tanta tristeza. Sofreu o resto de sua vida, ressentido por sua fortuna e falta de solidariedade. Aprendera muito tarde que ninguém pode ser feliz, a não ser que compartilhe tudo o que tem com os outros.

Nenhum comentário:

Postar um comentário