NOITE
DE SÃO JOÃO
Desde há muito
tempo o povo eslavo mantém viva a celebração, ao ar livre, dia 23 de junho, a
primeira noite do verão.
A Polônia se tornou
uma nação cristã no ano de 996 e, a partir de então, esta noite passou a
chamar-se “Noite de São João”. Era sempre uma época de muita diversão, magia e
romance; além dos festejos de boas-vindas aos meses vindouros, meses de calor.
Alguns dizem que nestas noites os demônios e as bruxas saem das trevas para
pregar peças e se divertir.
Assim que o sol se põe,
grandes fogueiras são acesas ao longo das margens de lagos e rios. Os jovens,
seguindo a tradição, pulam por cima das fogueiras demonstrando coragem e
ousadia. As moças se vestem com vestidos longos e de cor clara. Trazem coroas
de flores nas cabeças e cantam e dançam em volta das fogueiras. Então, armas atiram: é o sinal em que as
moças solteiras atiram suas coroas nas águas e sua sorte poderá estar lançada,
dependendo do caminho que as coroam fizerem sobre as águas. Os jovens solteiros
tentam pegar as coroas, com varas compridas, em pequenos barcos ou mesmo
pulando na água e nadando em busca de alguma. Conta a lenda que o jovem
possuidor de uma dessas coroas se casará com sua respectiva dona. Muitos casais
iniciam seu namoro nesta noite alegre e festiva.
Há muito tempo
atrás, um jovem muito pobre e desajeitado, de nome Jasiu (Jack em polonês)
morava perto do rio Narew. Jasiu não tinha sorte na Noite de São João, pois era
muito lento e não conseguiu pegar a coroa de sua amada. Para piorar a situação,
tinha chamuscado sua calça nova ao pular uma fogueira. Estava muito triste
quando, no caminho de volta pra casa, encontrou uma senhora muita velha. “Pobre
Jasiu”, disse a velhinha. “Mas, talvez esta lhe seja uma noite de sorte! Na
floresta há uma planta que floresce apenas uma vez no ano, e é na Noite de São
João! Esta planta tem uma flor vermelha e, quem colher esta flor, tem direito a
fazer um pedido.”
Sem mesmo agradecer
a velha senhora, Jasiu correu pela floresta adentro, à procura da flor. Não
demorou muito para encontrar a flor mágica! Colheu-a e gritou: “Desejo ser
muito rico!” No mesmo instante viu-se vestido como um príncipe, com todos os
seus bolsos cheios de ouro e moedas.
Jasiu retornou à
cabana do seu pobre pai, mas nenhum dos parentes o reconheceu. Se aproveitando
da situação, também não lhes disse quem era. Em vista disso, foi à cidade
desfrutar do seu ouro, deixando sua família com nada mais que uma moeda.
Os anos se passaram
e Jasiu continuava rico, até que um dia sentiu muita solidão e saudades de
casa. Decidiu retornar à casa paterna, mas seus pais já tinham morrido na
pobreza e todos os amigos tinham ido embora. Jasiu emagreceu tal qual um
graveto, de tanta tristeza. Sofreu o resto de sua vida, ressentido por sua
fortuna e falta de solidariedade. Aprendera muito tarde que ninguém pode ser
feliz, a não ser que compartilhe tudo o que tem com os outros.

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