A RAINHA DO
BÁLTICO
Há muito, muito tempo atrás, o Mar Báltico era
governado por uma formosa rainha de nome Jurata que vivia num palácio de âmbar
abaixo das ondas. Ela era muito amada e bela de se olhar, com seus longos
cabelos dourados e olhos verdes da cor do mar, que mesmo Percun, o terrível
deus dos trovões e relâmpagos, apaixonou-se e não permitia que suas tempestades
perturbassem as águas do reino.
Jurata era gentil e bonita, e
instituiu leis para proteger suas criaturas marítimas. Uma das leis
proibia qualquer um de armar redes para
capturar muitos peixes de uma só vez. Embora a rainha gostasse de comer
linguado frequentemente servido no jantar, ela ordenara aos serviçais que
preparassem apenas metade de cada peixe e que libertassem a outra metade, a
qual permanecia viva por causa de sua mágica. Esta é razão do linguado ter uma
forma estranha até hoje.
Nas costas do Báltico vivia um
jovem pescador que tinha espírito atrevido e descuidado, além de pouco bom
senso. Sabendo da lei de Jurata, secretamente lançou armadilhas com redes na
cabeceira de um rio e pescou grande quantidade de peixes que vendeu aos
moradores da região. E ele gastou a maior parte do dinheiro com a confecção de
finas roupas para si mesmo.
A rainha ficou muito zangada
quando seu peixe falou-lhe sobre as redes. Ela deciciu nadar até a praia,
atrair o pescador para dentro das águas e afogá-lo. Mas quando Jurata viu o
jovem esbelto em suas novas roupas, apaixonou-se no mesmo instante, assim como
ele apaixonou-se por ela. E todas as noites ela nadava até a praia para
encontrar o seu amado.
No entanto, Jurata havia violado
sua própria lei, pois os deuses haviam dito que seres mágicos devem amar apenas
os da sua própria espécie. Percun estava enciumado e furioso. Destruiu o
palácio de âmbar com Jurata em seu interior e ela mesma nunca mais foi vista.
Percun então aprisionou o jovem pescador no fundo do mar. Mesmo quando sopram
fortes ventos de tempestade sobre as ondas do mar, o jovem pescador pode ser
ouvido, clamando por seu amor perdido. Tudo o que sobrou do palácio de Jurata
são os fragmentos de âmbar que o mar sempre lança nas praias do Báltico.
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