terça-feira, 21 de abril de 2020

Contos Poloneses: A Rainha do Báltico


A RAINHA DO BÁLTICO


 Há muito, muito tempo atrás, o Mar Báltico era governado por uma formosa rainha de nome Jurata que vivia num palácio de âmbar abaixo das ondas. Ela era muito amada e bela de se olhar, com seus longos cabelos dourados e olhos verdes da cor do mar, que mesmo Percun, o terrível deus dos trovões e relâmpagos, apaixonou-se e não permitia que suas tempestades perturbassem as águas do reino.

Jurata era gentil e bonita, e instituiu leis para proteger suas criaturas marítimas. Uma das leis proibia  qualquer um de armar redes para capturar muitos peixes de uma só vez. Embora a rainha gostasse de comer linguado frequentemente servido no jantar, ela ordenara aos serviçais que preparassem apenas metade de cada peixe e que libertassem a outra metade, a qual permanecia viva por causa de sua mágica. Esta é razão do linguado ter uma forma estranha até hoje.

Nas costas do Báltico vivia um jovem pescador que tinha espírito atrevido e descuidado, além de pouco bom senso. Sabendo da lei de Jurata, secretamente lançou armadilhas com redes na cabeceira de um rio e pescou grande quantidade de peixes que vendeu aos moradores da região. E ele gastou a maior parte do dinheiro com a confecção de finas roupas para si mesmo.

A rainha ficou muito zangada quando seu peixe falou-lhe sobre as redes. Ela deciciu nadar até a praia, atrair o pescador para dentro das águas e afogá-lo. Mas quando Jurata viu o jovem esbelto em suas novas roupas, apaixonou-se no mesmo instante, assim como ele apaixonou-se por ela. E todas as noites ela nadava até a praia para encontrar o seu amado.

No entanto, Jurata havia violado sua própria lei, pois os deuses haviam dito que seres mágicos devem amar apenas os da sua própria espécie. Percun estava enciumado e furioso. Destruiu o palácio de âmbar com Jurata em seu interior e ela mesma nunca mais foi vista. Percun então aprisionou o jovem pescador no fundo do mar. Mesmo quando sopram fortes ventos de tempestade sobre as ondas do mar, o jovem pescador pode ser ouvido, clamando por seu amor perdido. Tudo o que sobrou do palácio de Jurata são os fragmentos de âmbar que o mar sempre lança nas praias do Báltico.

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