segunda-feira, 13 de abril de 2015

CÂNTICO DE OUTONO (1977)

Amanheceu... Das matas verdes, entre os galhos indefinidos das árvores, surgiam os raios do sol à procura da liberdade...
E se espreguiçavam (os raios) entre aquela mata variada, aquecendo a terra nua e arrancando-lhe suave neblina tranparente... e secando-lhe o orvalho frio...
Era um amanhecer excêntrico, como nunca houvera antes na lembrança das criaturas assim, esquecidas...
-Era o outono... suave e melancólico...
O sol queria abrasar aquela natureza toda e em toda sua força, apenas aquecia... num toque leve... e morno...
O verde das matas era  mais verde... as flores realçavam mais coloridas... mais perfumadas... Na natureza ouvia-se o canto melancólico dos pardais...
Nesse mundo de alegria, havia alguém que procurava o calor do sol... queria tocá-lo...queria-o só pra si... necessitava dele... adentrava todos os dias naquela suavidade que o dia lhe oferecia... o vento a tocar-lhe o rosto e não deixando que o sol a queimasse...
Mas ele era tão singelo, tão morno... queria-o... mas queria também o vento...
A sua ânsia dominava seu corpo e ela corria, corria... quanto pudesse... a brisa tocava-lhe mais forte contra o corpo... o canto dos pássaros era alta e rápida... não as ouvia direito... os seus pés não lhe permitiam parar. Nem a ela, nem àquela natureza...
Ansiava buscar o sol, só pra si. E corria, cada vez mais depressa... o sol já se punha, as aves se calavam... só a brisa a acompanhava.

Ansiava o sol... e de repente caiu em seus braços: em forma de um homem!