| Wilhelm e esposa, na varanda |
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| 1994 |
| Anos 2000 |
Wilhelm Blank nasceu na Pomerânia e tinha 9 anos quando veio da Alemanha para o Brasil acompanhado dos pais e mais um irmão. Atravessaram o oceano num veleiro, Segelschiff, numa viagem que, segundo relato da família, durou 18 meses.
Wilhelm, cujo nome de batismo foi Johann Friedrich Wilhelm Blank, nasceu em 26 de outubro de 1865 em Polzin, na então Pomerânia e faleceu em 25 de março de 1931, em Pomerode. Casou-se pela primeira vez em 19 de abril de 1888 com Caroline Johanne Fredericke Hein, filha de Friedrich Hein, nascido em 07 de abril de 1832, na Pomerânia e falecido em 20 de novembro de 1908, em Pomerode e Johanne, (nascida Radünz), nascida em 24 de outubro de 1865 em Jarchelin, Pomerânia e falecida em 8 de maio de 1898, em Pomerode. Tiveram 8 (oito) filhos e ao dar à luz a caçula Wilhemine Marta Johanne, acometida de febre e infecção pós-parto, veio a falecer nove dias mais tarde. Embora Wilhelm consultasse seus livros de medicina caseira recebidos por assinatura da Alemanha, todos os esforços para salvar a esposa foram inúteis.
A casa
da família existe hoje ainda, na rua XV de Novembro n. 4450, e sua arquitetura
é típica germânica, em estilo enxaimel. A frente da casa é composta de uma
varanda com colunas arredondadas e de tijolos aparentes. Nos fundos e na
lateral da casa havia um curral e mais um galinheiro. Era comum que galinhas
fossem roubadas pela vizinhança, mas como havia muitas, esses roubos ocasionais
não causavam maiores prejuízos.
Por toda extensão dos fundos do terreno encontravam-se árvores frutíferas como goiabeiras, laranjeiras, tangerineiras, limeiras e limoeiros. Ainda nos fundos da casa, subindo o morro que era coberto por mata-virgem, havia pés de ingazeiros, caquizeiros, caramboleiras, jabuticabeiras, pitangueiras, bananeiras, corticeiras, araçazeiros e árvores de fruta-do-conde, também conhecida como anona. Com muitas dessas frutas as mulheres elaboravam doces e geléias. A vida nessa propriedade consistia em trabalho na lavoura e na produção de vinhos e licores de frutas.
Assim que as crianças conseguiam segurar uma enxada ajudavam a arrancar mata-pasto e debulhar milho. Gostavam do serviço, mesmo sentindo o sol do verão calar em seus corpos ou o frio do inverno com suas geadas. A alegria dos pais era transmitida aos filhos pelo impulso que os animava a persistir no serviço em épocas mais duras. Quando necessário, vizinhos e parentes também ajudavam, pois plantava-se de tudo e não faltava o que fazer, nem mesmo o que comer. As mudas e sementes de todo tipo de cultura, inclusive flores, eram trocadas entre os colonos. Muitas espécies tinham sua reprodução de ramas, estacas ou bulbos. O aipim foi um produto amplamente cultivado e usado para fazer fécula, tapioca e polvilho para o consumo próprio e para comércio. Além desta raiz, havia os tubérculos: batata-doce, mangarita ou taioba e taiá. Plantava-se ainda: cana-de-açúcar, milho, café, feijão, verduras e frutas diversas.
O alimento para os animais também era produzido em casa, pois havia gado bovino, porcos, ovelhas, galinhas, patos, gansos e marrecos, além de algumas cabras, cabritos e oito cavalos que auxiliavam no trabalho de puxar as carroças e os arados. Alguns gatos e cachorros alegravam e divertiam as crianças, além de cuidar da casa.
Do
primeiro casamento de Wilhelm, com Caroline Johanne Fredericke Hein, nasceram
os seguintes filhos:
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| Wilhelm e Johanne |
Friedrich
(?) August Blank, nascido em 31.12.1888, foi batizado
em 03.02.1889; casou-se pela primeira vez em 09.10.1918 com
Alma M. Greuel, nascida em 23.08.1898. Tiveram três filhos Úrsula, Harry e
Nudy. Harry era gêmeo de um bebê falecido no parto. Do segundo casamento, com
Amanda Eigenberg, nascida em 21.03.1904 e falecida com 78 anos, em 22 de março,
teve cinco filhos: Bruno, Agnes, Linda, Lucia e Elvira.
Friedrich, mais conhecido como Fritz, tinha uma padaria que ficava na casa em frente à casa dos pais, em Rio do Testo. Além do pão produzia e comercializava vinho de carambola e laranja. Quando se casou, mudou-se para Taió, onde comprou terras e trabalhou na agricultura. Além dessa atividade praticava comércio na cidade de Rio do Sul, para onde levava as mercadorias em batera, um tipo de canoa. Mas este transporte só podia ser realizado com êxito quando o nível do rio estava mais alto, isto é, quando se elevava após algumas chuvas, caso contrário as corredeiras do rio impediam o transporte. Estas canoas eram manejadas com remos ou mesmo com taquaras. Em Taió, Fritz participou ativamente da fundação da cidade.
Wilhelmine
Alwine H. Blank, nascida em 10.10.1890, foi batizada em 21.12.1890;
casou-se em 09.03.1911 com Hermann Grützmacher, nascido em
24.10.1887. Tiveram sete filhos Emma Johanna Anna (*25.01.1912), Hedwig,
Frieda, Illa (Guilhermina(?)), Hermann, Gerhard e Edgar.
Wilhelmine e o marido foram lavradores e donos de terras
| Casa Família Gruetzmacher |
Anna Augustine
Wilhelmine Blank, nascida em 05.03.1892, casou-se com Heinrich Letzow e tiveram cinco filhos Harold e Waldemar (gêmeos),
Alfons, Emma e Wally. Moravam no Serraberg,
Marie W.
Bertha Blank nascida em 22.07.1893, casou-se com Adolph Bernhard Hermann Konell (nascido em 06.04.1892, filho de
pai ilegítimo e de Bertha Konell). Tiveram dois filhos Tusnelda e Rubens.
Moraram em Rio
do Testo, na entrada da cidade de Pomerode, onde atualmente se encontra uma
farmácia. Adolph era funileiro da firma Weege,
Robert L. Otto
Blank nascido em
17.03.1895 (gêmeo), casou-se com Wilhelmine Oltmann
e tiveram três filhos Irmgard, Ethel e Margot.
Robert era um exímio alfaiate e montou uma alfaiataria e
tinturaria na Rua XV de Novembro, local da atual Relojoaria Universal,
Alwin Heinrich
(?) Blank nascido em
17.03.1895 (gêmeo), casou-se com Anna Luy e tiveram
três filhos Irma, Ingrid e Quito.
Alwin era sapateiro e aprendeu o ofício em Joinville, quando ainda era jovem. Consertava e fabricava sapatos sob medida e teve a primeira loja de calçados em Pomerode, no centro, nas proximidades do Cemitério. Sua loja era bonita e bem conceituada. Mais tarde, no mesmo local, os descendentes instalaram a Confeitaria “Tortenparadies”. A Rua Alwin Blank, no centro de Pomerode, leva o nome em sua homenagem. O filho Quito, aos nove anos, ajudava o pai na confecção de tacões e solas de borracha.
Pauline Anna
Ottilie Blank nascida em
02.12.1896; casou–se com Hermann Schwanke e teve quatro
filhos Egon, Heinz, Rita e Ilse.
Pauline tinha o hábito de vender malhas em quilo,
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| Rita e Ilze Schwanke |
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| Heinz e Egon Schwanke |
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| Fritz, Wilhelmine, Anna, Marie e Pauline |
Wilhelmine Marta Johanne Blank; nascida em 29.04.1898; casou-se com Joseph Probst e tiveram dois filhos Otte e Arno.
Wilhelmine,
conhecida apenas como Johanne trabalhou como Haustochter (babá) em uma casa de família
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| Johanne, Otti Probst e Emilie (Blank) Schulz |
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| Johanne, jovem |
Quando faleceu sua esposa Johanne Hein após o parto desta última filha, Wilhelm Blank viu-se só, de uma hora para outra, com oito filhos, a produção de vinhos e licores e todo o campo para cuidar. Enquanto a esposa era viva, a família contava com a ajuda da babá Anna Oestreich. Com a falta da mãe, as crianças da casa chamavam por Anna, a babá, e por fim Wilhelm foi à casa dos pais de Anna e pediu-a em casamento. Menos de três meses após a morte da esposa Johanne foram realizadas as bodas.
Wilhelm casa-se então, pela segunda vez, em 22 de julho de 1898 com Anna Oestreich; nascida em 24 de junho de 1878, em Blumenau e falecida em 22 de julho de 1956. Era filha de Wilhelm Oestreich e Emilie (nascida Gustmann). O casal teve nove filhos:
Bertha
Wilhelmine Emilie Blank; nascida em 12.05.1899, casou-se em 16.05.1928, em Blumenau com Otto Marquardt, nascido em
10.05.1891 e filho de August Marquardt, vindo da Alemanha, e de Wilhelmine
Teich. Tiveram uma filha: Elgita, nascida em 25.05.1929 que, casada com
Casemiro Gregório, teve seis filhos: Marli, Cláudio Davi, Liliane, Luiz Carlos,
Celso Roberto e Rosângela.
Bertha aprendeu costura e chapelaria,
Na foto: as moças usando chapéus confeccionados por Bertha
Wilhelm Emil
Albert Blank, nascido em 09.12.1900, casou-se em 17.01.1924 com Alwine Schernikau, nascida em
16.01.1900 e tiveram uma filha Asta.
Wilhelm trabalhou com o pai na indústria de vinhos, licores e bebidas finas, juntamente com Otto Marquardt, marido de Bertha (filha de Wilhelm Blank). Além de vinho de uvas, faziam vinho de jabuticabas, banana, coquinho e outras frutas, com receitas desenvolvidas por Otto. O pai Wilhelm permanecia fiel ao receituário vindo da Alemanha, mas os jovens ousaram novas receitas. O filho Wilhelm também fazia localização de águas subterrâneas com forquilha. Após a morte do pai, foi trabalhar no comércio, com Bubi, em Blumenau.
Erich Albert
Friedrich Blank nascido em 06.08.1902, casou-se em 31.05.1930 com Herta
Dittrich, nascida em 20.04.1909 em Blumenau, filha de Hermann Dittrich e Emilie
(nascida Meyer). Tiveram uma filha Sílvia.
Erich trabalhou algum tempo na Companhia Weege,
Emilie Bertha
Anna Blank nascida em
28.08.1904 e falecida em 05.02.1994. Casou-se em
28.05.1927 com August Schulz, nascido em 03.07.1905 com quem teve
três filhos Ingomar, casado com Janina Schulz (nascida
Neuwiem) e falecido em 18.06.2005; Agathe, casada com Fábio Magnani e Eldritha, casada com João
Valdir Klitske).
Emilie, quando jovem, seguiu para Joinville e foi aprendiz de costura na indústria de confecções Vogelsanger, onde trabalhava em troca de comida e moradia. Quando se casou com August mudou-se para Benedito Novo, onde o casal abriu um pequeno comércio de secos e molhados. Tempos depois mudaram-se para Blumenau e alugaram a casa no bairro Vorstadt que hoje abriga o Museu Fritz Müller. Anos depois compraram um lote de terras na Rua Araranguá, onde construíram casa, fizeram roça no morro e criaram muitos animais.
Ernst Emil
Otto Blank nascido em 28.08.1906, casou-se com Hulda Bachmann e tiveram dois filhos Etha e Lothar.
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| Casamento de Ernst e Hulda |
Ernst
profissionalizou-se como padeiro e montou sua própria padaria ao lado da casa
dos pais,
Hedwig Iva
Anna Blank nascida em
11.06.1908, casou-se com Francisco Pires (natural
do Rio de Janeiro) e tiveram uma filha Ana Maria.
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| Agathe, Tânia, Ana Maria, Hedwig (sentada|), Francisco Pires e Emilie |
Hedwig, ainda jovem, trabalhou na Confeitaria Heinrich
Schmidt, localizada na Rua XV de Novembro,
Alida Emilie Ottilie Blank nascida em 26.03.1910 e falecida em 19.12.1927. Segundo relatos, Alida deixou todos consternados com sua morte prematura aos dezessete anos, por problemas cardíacos.
Bubi
August Hermann Blank nascido em 13.12.1911, casou-se pela primeira
vez com Gertrud, com quem teve uma filha Brigita. O segundo casamento aconteceu
com Matilde.
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| Brigitte, Gertrud e Buby |
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| Buby e Matilde |
Conhecido apenas como Bubi, era um exímio charuteiro e boêmio. De espírito alegre, contava piadas com muita facilidade. Trabalhava em sua oficina de bicicletas, localizada no porão do Hotel onde antigamente eram as Casas Pernambucanas, no centro de Blumenau, em sociedade com o irmão Wilhelm. A sociedade com o irmão perdurou por bons longos anos.
Hertha
Wilhelmine (?) Blank nascida em 19.07.1913, casou-se com Alwin Volkmann e teve dois filhos Ruth e Renato.
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| Ruth como "Schwester" |
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| Hertha, como babá, no RJ |
Hertha morou algum tempo no Rio de Janeiro, em companhia da irmã Hedwig, onde trabalhou como doméstica. Quando voltou a Blumenau, trabalhou numa fábrica de confecção têxtil na Rua Itajaí. Casou-se com o alfaiate Alwin Volkmann e passou a ajudá-lo na alfaiataria, primeiramente numa grande casa em Pomerode e anos depois numa casa
E esta foi a Saga de Wilhelm Blank e sua Família.
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| 4 Gerações: Anna, Emilie, Agathe e Tânia |
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| Alwine, Asta e Wilhelm Blank |
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| Hertha Ditrich, Bertha Marquardt, Buby, Marie Konell, August Schulz, Emilie Schulz, Anna Letzow, Pauline Schwanke, Wilhelm, Minna Schernikau As moças, casadas, passaram a usar o sobrenome dos maridos. |




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