quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

T2.E1único: Minha segunda viagem à Buenos Aires (1996)

Porto Madero

    Mais uma vez o Universo conspirou a favor e programamos nova viagem à Buenos Aires. Seria só para a capital argentina, pois tínhamos poucos dias disponíveis. Desta vez não fomos à passeio: desta vez eu tinha uma reunião marcada com um grupo de pensadores da Ciência Cristã. O lugar: Buenos Aires. O Mês: agosto. O dia da reunião: sábado, o dia todo.

      Lembro que meu pai veio de Blumenau à Florianópolis, para onde tínhamos nos mudado em 1984, a fim de levar nossos três filhos, Vinícius, Heloisa e Taiane para Blumenau. Lá ficaram aos cuidados dos avós enquanto estávamos fora. Lembro também, de ter comentado que, enquanto fazíamos um voo de duas horas de Florianópolis para Buenos Aires, meu pai levara exatamente duas horas para ir de carro, de Florianópolis a Blumenau. Eram percepções que eu tinha. Contas que eu fazia. 

        Ir a Buenos Aires apenas para uma reunião, não tinha graça. Aproveitamos uns dias a mais para passear por lugares já dantes passeados e por lugares nunca dantes caminhados! E agosto ainda trazia em si o gosto do inverno. As malas teriam que ser recheadas de roupas mais grossas, mais pesadas. 

Portão com detalhes dourados. 

        Assim que chegamos em Buenos Aires, nos acomodamos no hotel cuja reserva já tinha sido feita no Brasil. Em seguida procuramos um orelhão e tentei contato com Oscar e Marisa. O número de telefone continuava sendo o mesmo. Na segunda tentativa, um garoto atendeu e chamou a Mama: Marisa. Me reconheceu de pronto, e nos passou a triste notícia do passamento de Oscar. 

        No dia seguinte procuramos uma padaria para tomar o café da manhã. Café com medialuna, o cotidiano dos argentinos. Conferimos os preços no tabela exposta na parede, pedimos e nos sentamos. Mas fomos surpreendidos com outro preço, na hora de chegar no caixa. E questionamos, pois na tabela o preço era outro. Então nos explicaram que 'sentamos'. E quando se escolhe uma mesa para sentar, o preço do produto é outro. Levamos um baita susto... nada mais de sentar nos próximos cafés!

        Naquele dia aproveitamos e visitamos o famoso Cemitério da Recoleta, onde está depositado o corpo de Evita Perón. Um espetáculo um tanto estranho, pois os caixões, os esquifes, ficam expostos, mesmo que dentro dos mausoléus das famílias. Fiquei muito impressionada. Não quis permanecer por muito tempo neste local.

        E continuamos nossa jornada, sempre a pé, pelas ruas nas cercanias, onde aproveitamos e fizemos um lanche. Voltando ao centro, artistas espalhados pela cidade brincavam de 'estátua viva', ou dançavam tango ao som de um aparelho de som improvisado. "Passar o chapéu" da gorjeta é imprescindível nestes momentos e os espectadores acabam sempre reconhecendo e gratificando os talentos. 

        Noutro dia passeamos pelo recém inaugurado Porto Madero, lindo, deslumbrante. Como não se apaixonar? Como não ficar estonteante com tão magnífica arquitetura, com tão lindo reaproveitamento do antigo porto? E então um passeio pelo Delta do Rio da Prata também aconteceu desta vez. Belas casa, belas mansões às margens do Rio da Prata. Lembro ainda que encontramos um brasileiro, morador de Pomerode ou Timbó, por aí. Era descendente de alemães, pois tinha sotaque. Mantivemos correspondência com este amigo, por algum tempo, depois que voltamos ao Brasil. 

        Desta vez foram menos dias de viagem. Não foram 12 dias que nem na primeira viagem. Revisitamos a Plaza de Mayo, conhecemos shoppings que antes não existiam, apreciamos novamente o lomo com papas fritas, regado a vinho e acompanhado da garrafa de água mineral, tal qual los hermanos fazem. 



        Desta vez foram menos dias de viagem. Dias igualmente inesquecíveis. Dias em que a memória de Oscar nos tocou muito. Dias em que lembramos da primeira viagem e partimos com o coração grato, pelos amigos que nos acolheram com tanto carinho em 1983 e por todos os lugares que conhecemos e visitamos nestas duas viagens.



Passeio de barco pelo Delta do Rio da Prata







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