Então, uma sacerdotisa disse:
"Fala-nos das Preces."
E ele respondeu, dizendo:
"Vós rezais em vossas aflições e em vossas necessidades; pudésseis rezar também na plenitude de vossa alegria e em vossos dias de abundância.
Pois o que é a prece senão a expansão de vosso ser no éter da vida?
E se vos traz conforto verter vossas trevas no espaço, exalar a aurora de vossos corações também vos traz deleite. (...)
Quando rezais, vos elevais a fim de encontrar aqueles que estão a rezar no mesmo instante, e com quem, salvo em preces, talvez não vos encontraríeis.
Portanto, que vossa visita a esse templo invisível não sirva a outro propósito além de êxtase e harmoniosa comunhão. (...)
Não posso ensinar-vos a orar com palavras.
Deus não escuta vossas palavras, salvo quando Ele próprio as pronuncia através de vossos lábios.
Deus não escuta vossas palavras, salvo quando Ele próprio as pronuncia através de vossos lábios.
E não posso ensinar-vos a oração dos mares, das florestas e das montanhas.
Mas vós que nascestes das montanhas, das florestas e dos mares, podeis encontrar suas preces em vosso coração, e se escutardes apenas em meio ao silêncio da noite, podereis ouvi-los dizendo em silêncio:
'Deus nosso, que és nosso Eu-alado,
é Tua vontade em nós que se expressa.
É Teu desejo em nós que deseja.
É Teu ímpeto em nós que deseja transformar nossas noites,
que são Tuas, em dias que são Teus também.
Nada Te podemos pedir, pois conheces nossas
necessidades antes mesmo que surjam em nós:
Tu és nossa necessidade; e dando-nos mais de Ti,
Tu nos dás tudo'."
(In: O Profeta. Kahlil Gibran. Ediouro, RJ. 2002)

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