terça-feira, 26 de julho de 2022

Redação & Textos: Da Argumentação - parte 1

Há diferenças entre "dissertação" e "argumentação".

Dissertação: tem como propósito principal expor, explanar, explicar ou interpretar ideias. Na dissertação expressa-se o que se sabe, o que se conhece ou no que se acredita a respeito de certo assunto. Externa-se a opinião sobre o que é, ou  parece ser. Pode-se expor, sem combater, ideias das quais se discroda ou que são indiferentes, sem tentar formar opinião, mas sim deixando o leitor ou ouvinte com total liberdade de se decidir sobre qualquer delas.

Argumentação: visa convencer, persuadir ou influenciar o leitor. Procura-se formar a opinião do leitor ou ouvinte, tentnado convencê-lo de que se está com a razão, se está com a posse da verdade. Em última análise, argumentar é convencer ou tentar convencer mediante a apresentação de razões, em face de evidências de provas e à luz de um raciocínio coerente e consistente.

Algumas condições da Argumentação:
*deve basear-se nos princípios da lógica
*deve ser construtiva na sua finalidade
*deve ser cooperativa em espírito e socialmente útil

A Argumentação está firmada em dois elementos principais:
*a consistência do racicínio
*a evidência de provas

Evidência: é o critério da verdade, segundo Descartes; é certeza manifesta, alcançada pelo raciocínio ou pela apresentação dos fatos, independente das teorias.

Tipos comuns de Evidência:
1. Fatos - comprovam, convencem, mas nem todos são irrefutáveis. Seu valor de prova é relativo, pois estão sujeitos à evolução da ciência, da tecnologia e dos próprios conceitos ou preconceitos.

2. Exemplos - são fatos típicos ou representantes de determinada situação.

3. lIustrações - há duas espécies de ilustrações: a hipotética e a real.

A hipotética é invenção, uma hipótese, pois narra o que pode acontecer ou provavelmente acontecerá em certas circunstâncias e necessita de versossimilhança e consistência. Seu propósito principal é tornar mais viva e impressiva uma argumentação sobre temas abstratos e é um recurso de valor didático incontestável. Entretanto, seu valor como prova é muito relativo e pode ser duvidoso.

A real descreve ou narra em detalhes um fato verdadeiro. É mais eficaz e persuasiva e vale como prova, pois sustenta, apoia, justifica uma determinada declaração. No entanto, deve ser clara e objetiva e sua feição dramática pode ser bem explorada (sem exageros). Muitas vezes faz referência a episódios históricos ou obras de ficcção, passíveis de enredo resumido.

4. Dados estatísticos - são os ditos fatos pespecíficos, pois tem valor de convicção, constituindo em prova ou evidência incontestável. Necessitam de cautela na apresentação ou manipulação, uma vez que sua validade é relativa: com os mesmos dados tanto se pode provar como refutar a tese.

5. Testemunho - é o fato trazido à colação por intermédio de terceiros. Se autorizado ou fidedigno, seu valor de prova é inegável, embora sua eficácia também seja relativa. O mesmo fato presenciado por várias pessoas pode assumir proporções e versões as mais diversas.

O testemunho continua a merecer fé até mesmo em tribunais. Sua presença na argumentação em geral, constitui, desde que fidedigno ou autorizado, valioso elemento de prova.

In: Garcia, Othon M."Comunicação em Prosa Moderna". FGV Editora: RJ. 2007
















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