Cipriano Algor sentou-se num velho banco de pedra que o avô fizera colocar ao lado do forno, apoiou os cotovelos nos joelhos, o queixo nas mãos juntas e abertas, não olhava a casa nem a olaria, nem os campos que se estendiam para lá da estrada, nem os telhados da aldeia à sua direita, olhava só o chão semeados de minúsculos fragmentos de barro cozido, a terra alvacenta e granulosa que por baixo deles aparecia, uma formiga extraviada que erguia nas mandíbulas potentes uma pragana com duas vezes o seu tamanho, o recorte de uma pedra de onde a fina cabeça de uma lagartixa espreitou, para logo se sumir. Não tinha pensamentos nem sensações, era apenas o maior daqueles pedacinhos de barro, um torrãozito seco que uma leve pressão de dedos bastaria para esfarelar, uma pragana que se soltara da espiga e era transportada pelo acaso de uma formiga, uma pedra aonde de vez em quando se acolhia um ser vivo, um escaravelho, ou uma lagartixa, ou uma ilusão. (p 127)
“A Caverna” é um livro apaixonante e intrigante! O livro me fascinou de uma maneira muito singular , me vi completamente envolvida com a redação de um trabalho e pesquisa a respeito de autor e obra, uma vez que se encontra pouco material bibliográfico disponível. Essa carência de material aguçou ainda mais minha curiosidade e procura, pois Saramago é um escritor da atualidade e está no nosso convívio.
Gacho, seu genro Marçal Gacho, a viúva Isaura Estudiosa/Madruga e o cão Achado.


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