Avós, nossa referência.
Maria
do Carmo Ramos Krieger
A
maioria dos adultos, hoje, conheceu/sentiu a cultura polonesa através do viver
e do falar, do contar e recontar, de lembranças queridas que se perpetuaram em
fotos, cartas, documentos, num porta-retrato, num quadro na parede.
Então,
como ficam aquelas figuras para lá de especiais na história familiar, os avós?
A própria palavra remete à uma cadeira de balanço, à uma cozinha com cheiros e
sabores de infância, a figuras tão sisudas como a época em viveram,
envolvendo-os numa relação de respeito, hierarquia, educação, trabalho e,
sobretudo, amor.
Por
isso tudo os avós são destaque nesse artigo para o BoletimTAK! que na presente
edição lembra pessoas importantes na vida de tanta gente.
Eles
são considerados referências familiares e quero destacar que encontrei menção a
alguns nomes nos registros do Livro dos Batizados: Brusque, 1869-1876. Arquivo
Histórico Eclesiástico da Cúria Metropolitana, Florianópolis/SC:
1.Estevão
Simiovski:neto paterno de Urbano Sieniovski e Maria Nastek (25.08.1869);
2.Izabella
Kokott: neto paterno de Jacob Kokot e de Agnes Kannia, neto materno de Johan
Gebur e de Francisca Pampuok (14.11.1869);
3.
Juliana Gebur: neta paterna de Sebastiano Gebur e de Narbara Solasch
(04.01.1870);
4.
Sophia Motzko: neta paterna de Braz Motzko e de Maria Makiotka, neta materna de
Bernardo Hemmen e de Angela Jasperse (24.12.1870);
5.
Pedro Purkott: neto paterno de Pedro Purkott e de Catharina Waldera, neto
materno de Christiano Skroch e de Maria Kretschmer (29.05.1871).
As
referidas crianças nasceram na então Colônia Príncipe Dom Pedro, futura
Brusque/SC, local da chegada dos primeiros imigrantes poloneses ao Brasil. A
Colônia encontrava-se distante, à época, cerca de 30 dias de viagem de navio da
aldeia polonesa de Sielkowice, - local de emigração dos seus pais, cujos pais
(os avós em questão, citados no Livro dos Batizados) devem ter ficado com uma
saudade enorme, pois a perspectiva de verem seus filhos retornarem à Polônia era
tão impossível quanto a própria distância interoceânica entre os dois
continentes: Europa e América do Sul (cujo retorno, de fato, nunca aconteceu).
Avós!
Palavra mágica que expressa um carinho especial. Isso levou muitos governantes
de países a criarem um dia a eles dedicado. No Brasil é a 26 de julho, dia em
que a Igreja Católica celebra Santa Ana e São Joaquim – pais de Maria e avós do
Menino Jesus. Por coincidência, a Igreja do Abranches, no bairro do Abranches,
em Curitiba (cidade que recebeu, em setembro de 1871, os poloneses
transmigrados de Brusque), um dos principais núcleos de colonização polonesa no
rocio curitibano, é dedicada a Santa Ana.
A
história de celebração dessa data festiva foi lembrada, na Polônia, com um
Doodle especial pelo Google, em 21.01. 2009 (by Renê Fraga, Google Discovery,
posted on:21.01.2009). A imagem tornou-se um desenhosimpático e continua
agradando pela forma carinhosa e sugestiva com que contempla os avós poloneses.
É
bom lembrar que na Polôniao Dia das Avós (Dzien Babci) é comemorado em 21.01.
Já o Dia dos Avôs (Dzien Dziadka) é celebrado um dia depois, a 22.01 (fonte:
Wikipédia).
Ainda
no pontificado do polonês Papa João Paulo II – depois Santo -, a página da
cnbb.org.br destacou a sua fala aos participantes do Fórum Internacional sobre
Envelhecimento, em 1980: “As pessoas mais velhas, por sua sabedoria e
experiência, fruto de uma vida, entram numa fase de extraordinária graça,
abrindo-lhes novas oportunidades de oração e de união com Deus”, numa clara referência
aos avós.
Já
na atualidade, o Papa Francisco anunciou a criação do dia Mundial dos Avós e
dos Idosos, na Igreja Católica Apostólica Romana, a ser comemorado no quarto
domingo de julho pela comunidade católica em todo o mundo.
Que
os netos/netas posam acolher com alegria e afeto os avós – pessoas fundamentais
na História de todos nós. Afinal, o polonês/polonesa que habita em ti um dia
também habitou um ancestral.
Por
conta de minha ascendência italiana paterna através da minha Ômama Adelaide
Diegoli (era costume chamá-la assim,não “nonna”, como é o correspondente
italiano; em terra cuja maioria era alemão, como Brusque, fazer o quê?), eu e
um grupo de vinte e um descendentes da “ômama” conseguimos a cidadania italiana.
Se não tenho lembranças de Adelaide, pois ela faleceu no ano em que nasci,
guardo, com zelo, uma sopeira que lhe pertenceu, depois ao meu pai – seu filho -,
e agora é minha.
Sendo assim, toda uma trajetória de vida, como a minha, a tua, caro leitor, passa pelas conquistas de nossos antepassados, transformando nossas lembranças em registros memoráveis sobre pessoas especiais: os AVÓS!
Maria
do Carmo Ramos KRIEGER. Tenho avós de diversas origens: italiana, alemã, portuguesa (açoriana),
brasileira. Ao contrário do que muitos pensam, não possuo ascendência polonesa,
a não ser no coração, pelo respeito e admiração que os poloneses souberam tecer
à própria volta, em Brusque, onde nasci e vivi um bom par de anos.

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