A LINDA ACARICIA, DA ARMAÇÃO UMA HISTÓRIA DE PESCADOR DO LITORAL DE SANTA CATARINA
Tradução e revisão Mônica
Funfgelt
15/06/2021
Este (Manoel), um belo
rapaz de 24 anos, forte e saudável, não comentava nada sobre sua própria cabana
construída de paus de palmito e paredes preenchidas com barro. O chão era de
terra crua. Algumas esteiras e tapetes de palha, serviam de assoalho. A fumaça
percorrera o casebre e pintara tudo de preto. Uma mesa frágil e um banco velho
era o que havia de mobília.
Além de Manoel,
o mais velho, via-se ainda uma infinidade de crianças cujo número sequer os
pais saberiam precisar. Os menores andavam totalmente nus enquanto que as
meninas um pouco mais velhas vestiam apenas alguns trapos com mais furos do que
propriamente tecido. É preciso admirar a destreza com que tal peça de roupa
podia ser usada sem cair do corpo.
O pai, uma
criaturinha miúda e raquítica, era tão preguiçoso e fraco que muito pouco
contribuía para o sustento da família. A mãe era descuidada e suja. Seus
cabelos aparentavam nunca terem sido penteados e o coçar constante sugeria,
ainda, que havia outras coisas.
Somente Manoel
era asseado e banhava-se frequentemente, ao contrário de sua família que nem
até o mar ia, embora este, estivesse a uma distância de menos de trinta passos
do casebre. Suas vestes eram compostas apenas de camisa e calça, no entanto não
eram esburacadas nem tampouco havia remendos. Era admirável que o rapaz, que
fora criado naquele ambiente, não aparentava aquele desleixo. A única razão
deveria ser mesmo a sua paixão por Acaricia. Ele via o quão encantadora ela
era, em suas vestes simples, e não queria sobressair-se.
Pedro Ricaço de
nada sabia sobre o namorico da sua filha com Manoel, até que um dia desses a
mãe de Acaricia, Dona Elvira, lhe abriu os olhos, “bobagem” retrucou ele, “
como você pode pensar que aquilo um dia daria em alguma coisa, o mendigo Manoel
e Acaricia. Há de ser convir que ele é um belo rapaz, porém meu genro é
diferente”.
“Então”,
ponderou a esposa, “quer dizer que você já tem um candidato?”
“Decerto que
sim”! Pois você conhece o vendeiro Hypólito, de Gravatá. Ele tem um filho,
Bento. Dia desses, quando aportei lá, naquela minha viagem para Itajaí, o pai
fez algumas insinuações de que estava querendo se aposentar e se ausentar por
mais tempo das suas lavouras de café e deixar o seu negócio a cargo do filho.
Por conta disso, o rapaz precisaria urgentemente ser casado. O pai ainda
reforçou que um dia desses gostaria de nos fazer uma visita.
“Mas marido”, vociferou a esposa, você não está pensando em
entregar a nossa linda menina para o Bento, está? O caipira corcunda e acanhado que engana
os fregueses, para quem nada é sagrado, que nunca se confessa e ainda fala mal
de todos! Esqueceu-se de como ele se portou no funeral do falecido Antônio,
quando lutou capoeira no meio dos enlutados e, quando chegou no cemitério
e jogou futebol com uma das caveiras caídas que então lançou em
direção à cabeça de um menino fazendo-o chorar alto. Toda a cerimônia
fora tumultuada e faltou pouco para ele que ele levasse uma bela surra. Somente
a consideração pelos mortos impediu as pessoas de fazê-lo.
“O que”, retrucou Pedro, “isso é arrogância juvenil, Acaricia vai mudar
isso quando ele for o marido dela. Pense, a herança de Hypólito está estimada
em cinco contos, além do mais Bento é seu
único filho e a mãe já é falecida há 10 anos”.
“Sim”, disse Dona Elvira, “pois ele vive com a empregada doméstica com quem
tem outros quatro filhos”.
“Mulher tola, eles nem herdarão nada! Veja bem, nossa
filha tirará a sorte grande com este casamento”.
“Ah”. “Ah”, suspirou dona Elvira, “não me parece bem isso. Além disso, a
Acaricia também deve ser questionada ”.
“Era só o que faltava”. Ela que fique feliz se nós arranjarmos um bom
casamento. A mulher silenciou.
continua...
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