A linda ACARICIA, da Armação.
UMA HISTÓRIA DE PESCADOR DO LITORAL DE SANTA CATARINA
Tradução livre do jornal 'Der Urwadsbote', de Blumenau 18 de abril de 1922, com ajuda de dicionários e da internet, por Aloisius Carlos Lauth. Blumenau, 25/04/2021
A três horas de viagem do porto de Itajaí, encontra-se a enseada de Itapocoroy, que oferece abrigo aos navios durante as tempestades do mar. A bela Armação de Itapocoroy, é um balneário popular de veranistas que brincam despreocupados nas águas do mar. O vilarejo é muito antigo, a pequena igrejinha de São João Batista surgiu antes da de Itajaí. No passado, Armação foi uma estação de baleeiros portugueses [o autor escreve holandeses] que fabricava uma espécie de bacon de baleia para cozinhar alimentos. Hoje ainda você pode ver os restos das instalações, como a casa grande na qual o óleo era derretido e depois armazenado em barris de madeira. Algumas panelas enormes de ferro, redondas, estão 'enterradas' na areia da praia. A Casa Grande, cujas ruínas foram vistas até 1918, servia de casa para os portugueses [ele insiste em holandeses]. As vértebras e as costelas de baleias foram preservadas até agora, parcialmente desgastadas. Elas serviam de poltrona para os moradores, enquanto que os ossos de costela serviam de arranjo para o caramanchão, que dá uma impressão bonita e original.
Os habitantes da Armação são, em geral, pescadores pobres que vivem de forma singela. Você pode vê-los pescando com tarrafas, as redes de lançamento, a qualquer hora do dia ou da noite. Já os encontrei com águas até os quadris nas noites de luar no inverno, bastante frio, tentando ganhar a comida [ração] para o dia seguinte. É incrível como essas pessoas podem aguentar uma jornada da pescaria. São muito despretensiosos. Peixe, e peixe sempre, seco ou fresco, é a comida, mais a farinha de mandioca, café com bastante açúcar, banana e laranja. Às vezes, tem carne bovino nos dias festivos, quando a população de compradores se reúne para abater uma cabeça de gado. É ruim o ganha pão para a família quando o pescador morre. Herdam grande miséria porque a maioria das famílias é ricamente abençoada de filhos e, então, vão depender da sorte dos vizinhos que já não tem o suficiente para si próprios. Essa desnutrição resulta em doenças. Além disso, a doença de vermes é comum em toda a costa litoral.
Um desses pescadores era rico para os padrões populares. Era chamado de Pedro Rico, ou Pedro Ricaço. Dificilmente ele conseguiria muito dinheiro assim. Tinha uma boa propriedade, um lote de terras, de posse do governo da qual era ocupante de longa data, e de lá não poderia ser expulso, vários barcos grandes e pequenos, muitas canoas e as redes grandes de arrasto e de espera de peixe. Em geral, ele não comentava isso aos pescadores pobres que não podiam comprar uma daquelas tão cara, no valor da metade da venda do peixe capturado. Em junho, na temporada da tainha, milhares desses peixes eram pescados e os pescadores eram obrigados a pedir sua ajuda em troca de uma porcentagem de venda. Os peixes eram vendidos em peças, e depois defumados nas cidades vizinhas. Além disso, Pedro Ricaço tinha outro tesouro, que não podia ser avaliado em dinheiro, a sua linda filha Acaricia! Ela tinha 18 anos de idade, olhos feitos cerejas, cabelos cacheados escuros, tez levemente acastanhada, uma boca adorável e esguia, muito parecida com o cervo brasileiro, a moça linda! Em resumo, uma beleza que se destacava entre os brancos do litoral, quase todos afetados por vermes de Mal da Terra. Certamente, ela foi galanteada pelos jovens da praia, mas seu coração já tinha escolhido um, e como muito acontece, por um dos mais pobres: o pescador Manoel Castro!
Agradecimento especial à escritora e professora Maria do Carmo R. Krieger,
por ter me direcionado a este texto.
Foto: Capela de São João Batista, Armação do Itapocoroy, Penha-SC.
Crédito foto: Lincoln Cirpiano, 2013.

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