O TESOURO DE BORUTA
Na cidade de Lódz, tempos atrás, morava um cavaleiro
chamado Wiktor, cuja força e coragem fizeram-no conhecido por toda a Europa.
Depois de longos anos de treino e prática se tornara um mestre na arte da
espada e conquistara tantas vitórias que seus inimigos fugiam quando vinha
desafiá-los. Todos os outros cavaleiros e nobres poloneses tinham o cuidado de
não provocá-lo. No entanto, Wiktor tinha um fraco por comidas, bebidas e belas
moças. E tolamente acabou gastando todo o seu dinheiro com banquetes e festas
para seus amigos. Tão logo gastou tudo o que tinha, perdeu suas terras e ficou
tão pobre que teve de vender seu cavalo para comprar comida.
Naquela época,
um demônio chamado Boruta habitava as ruínas do Castelo Leczyca, nas
proximidades de Lódz. Ninguém se atrevia a chegar perto
do castelo, embora todos bem soubessem que Boruta tinha todo o seu tesouro
escondido nas profundezas das masmorras.
Como o cavaleiro precisava de dinheiro, decidiu pegar o tesouro de
Boruta. Ele tinha tanta confiança em si mesmo, em suas habilidades e em sua
força, que não teve medo algum quando entrou sozinho no castelo e seguiu pelos
labirintos das masmorras adentro. Depois de vagar por um bom tempo, Wiktor
entrou em uma câmara cheia de ouro e prata. Havia uma coruja empoleirada sobre
a pilha de tesouros. Era Boruta, que se transformara quando sua mágica lhe
avisara que Wiktor havia entrado no castelo. O demônio também conhecia a fama
de Wiktor e tinha medo de atacá-lo.
“Talvez você nunca mais encontre esta câmara” disse a coruja. “É melhor
levar uma boa quantia do tesuro!” Wiktor encheu uma grande sacola com ouro e
quando estava prestes a sair, a coruja guinchou: “Leve mais, leve mais! Por que
não ser o homem mais rico da Polônia?” O cavaleiro encheu mais uma sacola e
quando se virou para a porta a coruja gritou mais uma vez: “Leve mais! Leve
mais! Por que não ser o homem mais rico do mundo?” Ao ouvir isso, o cavaleiro
ficou ganancioso, encheu uma terceira sacola e ainda estufou os bolsos com
moedas. Então, cambaleante, quase incapaz de carregar todo o tesouro, saiu da
câmara do tesouro enquanto a coruja o observava e ria.
Wiktor ficou perdido por muitos dias e noites no labirinto sob o castelo,
mas continuava carregando suas sacolas com dinheiro, sem deixar sequer uma
moeda para trás. Quando finalmente
conseguiu sair do castelo, o inverno havia chegado. Ele seguiu quase se
arrastando para casa, sempre carregando o pesado tesouro nas costas.
Embora não tenha se tornado o homem mais rico do mundo, agora era um
cavaleiro muito rico. Mas o frio e o peso do ouro haviam destruído sua coluna e
sua saúde para sempre. Wiktor nunca se recuperou e jamais voltou a levantar uma
espada novamente. Os outros cavaleiros já não o respeitavam mais e as belas
moças admiravam apenas o seu dinheiro.
E lá na sua câmara de dinheiro o Demônio Boruta apenas ria e ria.

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