terça-feira, 17 de setembro de 2019

POLONESES EM ITAIÓPOLIS - Encontro com duas senhoras



Há mais de 10 anos atrás tive contato com Isabel e Venina, em Itaiópolis, na Colônia Lucena. O objetivo da visita era conhecer um pouco mais da vida dos imigrantes poloneses, nesta região. O nome ‘Lucena’ se deve ao Barão de Lucena.
Isabel, nascida em 1941, contou mais ou menos o seguinte: que os bugreiros eram os homens que matavam os índios, pois os índios atacavam as plantações e também matavam os donos de propriedade. Os poloneses ganhavam armas, mas não podiam matar; somente os bugreiros podiam matar. A vida não era fácil. Ser polaco não era simples: muitos foram perseguidos, principalmente na época das Campanhas de Nacionalização (do ensino de língua portuguesa).
Ainda na época destas Campanhas, o 2º., Batalhão do Exército necessitava de luz durante o dia, o que obrigava os colonos a trabalharem nos moinhos de farinha durante a noite. Este moinhos, que preparavam o trigo e centeio, eram movidos à roda d’água.
As casas da Colônia eram todas construídas de madeira e a comida era cozida e assada em fogão a lenha. Havia poços, e a água era retirada manualmente, com baldes. Mais tarde, muito mais tarde, foram instaladas bombas elétricas.
O tempo livre era usado para fazer bordados, pintar cascas de ovos (pisanke) e para leituras. Para o Natal faziam-se bolachas e o jantar era servido depois da primeira estrela brilhar no céu. Para a Páscoa eram preparadas cestas de alimentos e estas eram levadas para a Sacristia, para serem benzidas. Mas frequentemente o Sacristão furtava a cesta!
Do folclore, conta-se do diabo que tinha o rabo com alfinetes. Na Colenda o diabo era preto, pintado com carvão. Diz-se que ele abraçava e beijava as moças; passava por detrás das casas e pegava as moças. Havia também o bode, uma máscara de bode que mexia a mandíbula. E um homem carregava uma estrela enorme com uma luz interna.


Venina, nascida em 1943, conta que vieram com a Guerra. Não havia meios de comunicação na Colônia, apenas o trem servia como este meio. Seu avô ia de carroça para Joinville e Mafra a fim de buscar sal, querosene, cal e o mais que precisavam.
Passaram fome e muita discriminação devido ao idioma ser alemão ou polonês. Havia alemães imigrantes na região, por isso a discriminação. Também eram comuns os furtos de alimentos e plantas da lavoura. Em outra oportunidade chegou um trem que desembarcou uma turma que veio da Polônia – mas ninguém quis aceitá-los.
O pinhão, nativo da região, fazia parte da alimentação. Cozinhavam, mas ninguém tinha explicado que era preciso descascar. Também cultivavam milho e abóbora.
Havia aulas de polonês para os colonos e os pais de Isabel e Venina iam a pé para a escola do Prof. Wachowicz. Às mulheres não era permitido irem para a escola.
Estas foram algumas lembranças de Isabel e Venina, do seu tempo de infância.  

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