Sexo não é, não foi e nunca será prova de amor. Garantia de amor.
Qualquer um pode seduzir e se deixar seduzir...
Realizou-se o sexo, consumou-se o ato, acabou qualquer vínculo que
tenha pretendido existir. Assim é o sexo.
O amor é algo mais profundo, e
embora o sexo penetre tão profundo no corpo, não consegue atingir a
profundidade da alma... do ser humano...
Um tem apenas a profundidade do corpo. O outro, a profundidade da alma.
Do Universo.
O amor cria laços sem que se dê um nó sequer. Criam-se vínculos
invisíveis, infinitos, mas indestrutíveis, incomensuráveis...
Casais às vezes vivem anos a fio, juntos, sem nunca realmente estarem
UNIDOS!
E amigos, por vezes, conseguiram atingir a esfera do amor de tal
maneira que seus vínculos perduram distâncias, tempo, e até superam a morte...
O sexo é uma vivência corporal, e embora dois seres se enlacem tão
apaixonadamente e se entreguem totalmente, serão sempre UM e UM! É impossível fundirem-se num só: serão sempre dois
corpos. Antes, durante e depois...
O amor quando acontece, é o encontro de sentimentos, pensamentos e
consciência. Transcende o corpo. E é a fusão, o entrelaçamento desses elementos
numa esfera inalcançável pelos cinco sentidos. É inquebrantável. Quando ocorre,
o Espírito do Universo todo se alimenta, se entusiasma e se encarrega de
preservá-lo. É imperceptível, embora seja sentido. Sabe-se quando é.
Para o sexo, se convidam. Para o amor, são convidados! Convidados pela
própria vida, pela própria natureza do amor, pelo próprio Universo!
No amor não se exige respeito: ele simplesmente acontece; não se deseja
que seja diferente. Não há cobrança. Não é necessário. Sabe-se... Não há ciúme.
Este acontece, sim, mas com relação a si mesmo: ama-se a si mesmo a tal
ponto que o corpo e o espírito não estão disponíveis para um ‘consumo’. Tem-se
ciúme de seu corpo, dádiva do Espírito do Universo, e por isso, não se permite que seja usufruído sem...
amor! Há o cuidado de preservá-lo. No amor não se exige atenção: ela é sempre
espontânea!
Alguns passam pelo mundo e não amaram... só realizaram sexo... ou
apenas estiveram com alguém... apenas “ficaram”...
Os que tiveram a graça de se deixarem absorver pelo amor, atingiram a
plenitude; alcançaram a maturidade do Espírito do Universo; alcançaram o
domínio da “liberdade” e desvendaram os mistérios da divindade do “ser” humano.
Mas do “ser”- verbo, não “ser”-substantivo... Porque o primeiro alcança as
esferas invisíveis e perenes que nos circundam. E o segundo está contido nos
limites das formas e da matéria. Este não transcende. Não conhece a liberdade.
Sua liberdade tem os limites da pele.
Sexo e amor. Ambos são belos. Ambos são verdadeiros. Ambos são
imprescindíveis ao homem. Mas sem ilusões: um é o limite. O outro é infinito.
Um ata. O outro desata.
Embora ambos gritem por liberdade, um só alcança a liberdade. O outro
se perde nos seus próprios limites.
Qualquer um seduz e se permite seduzir! Mas não é qualquer um que ama e
se deixa amar, porque não é com qualquer um que se criam laços, esses laços que
não necessitam de nó...
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