Quando Santa Catarina comemora 500 anos de legitimidade, relembro algumas das cidades que visitei e nas quais me hospedei, ou em casa de
Há mais de 60 anos, cruzando estradas de barro, de paralelepípedo, calçamentos de pedra e asfalto a fim de visitar parentes e amigos e, de quebra, conhecendo cantos e recantos deste Estado Brasileiro apaixonante.
Listei quase 50 cidades em ordem alfabética e uma segunda lista composta pelas cidades do Litoral, às voltas de Penha e Canto Grande.
Xanxerê
Foi lá nos idos de 80 que conheci Xanxerê: minha amiga Cida passou no concurso do BB e foi designada para trabalhar na agência daquela cidade. Naquela época, os aprovados em concurso tinham que assumir nas cidades designadas pela empresa. Depois de alguns meses ou anos, podiam pedir transferência para outras localidades. Muitas vezes, somente através de permuta com outros funcionários. Minha amiga mudou-se para Xanxerê e passou a morar com uma família: Dona Marga e seu Paulo. E quando fui visitá-la, em companhia de seus pais, também fiquei hospedada na casa deste casal. Firmamos amizade, ambos eram de origem alemã e trocamos muitas cartas e cartões de felicitações pelos aniversários, Natal, etc. Foi também em Xanxerê que fiz amizade com o dono do primeiro Foto: a família Zolet foi pioneira no segmento de fotografias em Xanxerê. E foi seu Zolet que recebeu com muito carinho e cuidado antigos negativos que tinham sido entregues a mim por meu pai. Negativos dos anos 40 e 50 e que não podiam ser revelados porque estavam manchados e até embolorados. Foram cuidadosamente tratados e escaneados pelo seu Zolet. Foi uma experiência significante, inesquecível, finalmente revellar as fotos.
Litoral: Itapema, Zimbros, Perequê e Canto Grande
Bora passar uma semana em Itapema, com a família Gabel. Elfride, a mãe, era Chefe de Lobinhos. Lá fomos nós, na Variant dirigida por ela. Anos 74 ou 75. Por aí. Íamos à praia todos os dias e teve um dia que fomos fazer piquenique em Zimbros. Umas poucas, pouquíssimas casas se viam em Zimbros. Igualmente em Itapema, havia apenas casas à beira mar, nenhum prédio: umas casas mais simples outras mais modernas e chiques. E havia vegetação rasteira, típica de praia, por sobre a areia. Perequê ficava logo ali também, era só passar a ponte sobre o rio e a gente estava em Perequê. Foi ali que fizemos um acampamento de Chefia num final de semana. Na época do Segundo Grau do Sagrada, passamos um final de semana em Canto Grande, a convite da colega Marily. Assim conheci Canto Grande, pela primeira vez. Outra vez passamos por lá com meu sogro, para que conhecesse nosso litoral. E já nos anos 2000, século XXI, levei minhas amigas Mônica e Dirlei a passeio por Canto Grande e chegamos na Praia da Tainha. Juro que nunca mais vou para lá... tal a pirambeira pra subir e descer! Fui com o coração na mão, passando toda tranquilidade possível para as amigas. Elas nem perceberam que eu estava nervosa. Íamos brincando e rindo. Ao final, o recanto, a praia, vale muito a pena! É lindo demais!
| Praia da Tainha |
Litoral: Balneário Camboriú
Havia um rio no meio do caminho... no meio do caminho tinha um rio... e lembro de passar por este rio, quando criança. O casal Goemann, amigos de meus pais, e mais outros casais, tinham casa em BC e visitávamos seguidamente. Lembro do rio que passava mais ou menos onde hoje passa a Avenida Brasil. Desta não havia nem sombra... nem prédios havia na praia. Talvez o Hotel Blumenau. E só. Muitas colegas do Sagrada tinham casa na beira da praia. Às margens da BR-101 havia apenas terrenos com mato. Podiam estar loteados, mas as casas se concentravam perto da praia. Aliás, não era muito comum "ir à praia". Não era moda e até que pontes cruzassem o Rio Camboriú, Itajaí, Itapocú e Tijucas, o acesso ao litoral era complicado. Mas os tempos trouxeram novidades, construções, pontes e estradas melhoradas. E assim desenvolveu-se também o mercado imobiliário. Balneário acabou sendo local de veraneio e mesmo de residência de muitos amigos e parentes. Tornou-se comum, para mim, passar em BC. Menos no verão, nos dias de hoje, por causa do congestionamento de temporada. Novos tempos... e se antes era difícil chegar por causa da falta de estradas ou estradas ruins, hoje é difícil chegar, na temporada, por causa do excesso de movimento nas estradas. Afff... novos tempos...
Tem Balneário mas tem também Camboriú, apenas. Antigamente chamada de Vila Camboriú. Fica do outro lado da BR-101 e lá conheci a Escola Técnica Agrícola. Era 1978 ou 1979.
Litoral: Laranjeiras
A família de nossa amiga Bárbara tinha construído uma casa na ponta de Laranjeiras. E por lá também íamos, vez por outra, passar um final de semana. A casa era muito fofa: parte inferior toda em pedras e a parte de cima toda em madeira. O pai dela foi quem construiu. Ele tinha muitas habilidades e uma delas era a construção. Em volta da casa havia muitas árvores, grama e flores. O local era um elevado, um morro na encosta do mar e, descendo-se a encosta, chegava-se a um recanto de pedras e mar, uma piscina natural, só nossa, no mar. Passando pelo outro lado da encosta, enormes pedras serviam de laje para se bronzear em dias de sol. E mais atrás da casa, seguindo por uma trilha, chegava-se à Praia de Laranjeiras, onde havia muito poucas casas e eram de veraneio. A praia era praticamente deserta. Muito diferente do que se vê hoje, modernizada e urbanizada.
Litoral: Navegantes
Bem antigamente, quando não havia a ponte sobre o Itajaí-Açú, o acesso à Penha, Piçarras e outras cidades e regiões do norte era feito pela balsa em Navegantes. Ir para o norte do Estado, ou mesmo voltando para o sul, o acesso era feito pela balsa. E esta também se modernizou, tanto na estrutura física, em solo, quanto às embarcações. Se antes não havia portões para aguardar o embarque, agora tem até bilheteria, portões e vigilância. Navegantes não tinha deck, nem a estrada à beira mar era calçada. Pensa... passar aquela avenida toda em estrada de chão! Mas assim era, e tudo valia a pena para continuar o passeio! Dava até uns arrepios, passar por lá em época de estrada de chão, pois também muito poucas casas havia. Bem antigamente mesmo, o acesso à Navegantes, por estrada, era beirando o Rio. Hoje tem o acesso Blumenau-Navegantes, que facilita chegar em qualquer ponto da cidade. O aeroporto, que até então ficava em Itajaí, trouxe renovação e muita melhoria para a cidade. O Rio comporta portos, dos dois lados: Itajaí e Navegantes. E pra quem gosta, é apaixonante passar no Farol da Barra e aguardar a entrada dos enormes navios no Porto! E em Navegantes tem uma casa que foi projetada por mim.
Litoral: Penha e Piçarras
Penha mereceu ser escrita em forma de livro! Pois frequento Penha desde pequena, desde os tempos que meus avós tinham casa por lá. As histórias são infindáveis... as visitas de parentes e amigos, os verões que passamos por lá, as muitas aventuras não podiam deixar de ser narradas em um livro: "Minha, nossa Penha, de outro tempos". Minha prima Cristina é co-autora no livro, pois igualmente tem vivências na cidade desde pequena. E como Piçarras é logo alí, mora nos nossos corações também. O mesmo casal de amigos, os Goemann, que mencionei em BC, tinha casa às margens do rio Piçarras, ali em Piçarras. Lembro de uma vez que lá passamos e comi marisco e siri. Lembro também das muitas árvores e um enorme bambuzal no jardim e das redes penduradas pra dormir. Era um dia de festa e havia muitas pessoas. Uma e outra vez íamos da Penha até Piçarras, a pé, para tomar banho. Só que não havia ainda o molhe e o mar era mais bravio, por isso a gente não ia muito. Nossa praia preferida era a Praia Alegre. Ou a Prainha, onde no canto das pedras ficava a Bacia da Vovó. Hoje a praia levou o nome de Bacia da Vovó, não mais Prainha. O nome era devido ao formato das pedras, quase em círculo e que formava uma piscina, uma pequena piscina onde o mar passava por cima das pedras e alimentava a piscina de água. Por isso bacia... uma bacia grande de banho! Ótima para as crianças, pois tinha toda a proteção das pedras, em volta. Passei a infância e adolescência em férias na Penha. Mas fui conhecer os arredores, os pontos maravilhosos e turísticos, as muitas praias, depois de 2010: Ponta da Vigia, Praia Grande (onde visitei a amiga Letícia e o esposo), Armação (já era conhecida da infância), Praia do Cascalho, Praia Vermelha, etc. Saudades ficam de todos os tempos, porque era tudo muito bom!
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| Praia Alegre |
Céus... lembrei ainda de Águas Mornas, cidade que visitei há tempos e este ano de novo. E Pirabeiraba, perto de Joinville, onde fizemos acantonamento com a Chefia dos Escoteiros, quando participamos do Curso da Insígnia da Madeira no ano de 1975. Um episódio marcou a viagem: findo o Curso, arrumei a mochila e voltei de carona com uma família. Mal pegamos a 101 lembrei que tinha esquecido o uniforme no varal do alojamento. Lá voltamos nós, para o campo. Uma sensação estranha ao ver tudo vazio, sem mais ninguém por ali, quando horas antes estávamos todos preenchendo aquele lugar e confraternizando. Anos depois, em 2017, tia Agathe e eu fomos visitar tia Ruth. Barra Velha foi outro lugar excêntrico, nos anos 80 ou 90, por aí. A convite de amigos, passamos o final de chuva inteirinho dentro da cabana, jogando cartas, tal era a chuva do lado de fora. Época em que Barra Velha era quase um deserto, sem prédios, com parcos recursos para o turismo. Hoje está totalmente urbanizada. Outro dia passei o Reveillon, a convite da amiga Thaís, na cobertura de um prédio Top! A família tinha o hábito de fazer a passagem de ano neste apartamento, que era de uma parente. Praia de São Miguel, onde passei um Reveillon na casa da família Lubow; Praia de Gravatá, onde mora o primo Tony e com quem tomamos café, ainda em companhia da minha mãe; e onde em tempos mais remotos acampamos com um casal de amigos. Porto Belo e Bombas/ Bombinhas: forma muitas as vezes que visitamos os amigos Dieter e Eduardo e, no tempo dos escoteiros, por lá acampamos muitas e muitas vezes.
| Porto Belo |
E se eu deixar, a memória vai me trazer mais cidades... estas são algumas que conheci ao longo destes mais de 60 anos de vida. Algumas foram só de passagem, como é o caso de Ilhota, Luiz Alves, Massaranduba, Guaramirim, Pouso Redondo, Rodeio, muitas outras do Oeste, etc...
Felizes 500 anos à Santa Catarina! Que é Santa e Bela, muito bela!
















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