terça-feira, 11 de outubro de 2022

A Conversa (Kahlil Gibran)

 

E então, uma sábio disse:

"Fala-nos da Conversa."

E ele respondeu, dizendo:

"Vós conversais quando deixais de estar em paz com vossos pensamentos; e quando não mais podeis habitar a solidão de vosso coração, viveis em vossos lábios, e o som é uma diversão e um passatempo.

E em muitas de vossas conversas, o pensamento é obliterado. 

Pois ele é um pássaro livre que, confinado a palavras, pode até abrir as asas, mas é incapaz de voar.


Há, dentre vós, os que buscam conversar por medo de ficarem sós.

A quietude da solidão revela aos seus olhos seu Eu-desnudo, e preferem esquivar-se.

E há os que conversam e, sem conhecimento ou preocupação, revelam uma verdade que eles próprios não compreendem.

E há os que tem consigo a verdade; mas não a expressam com palavras. No íntimo destes habita a alma em silêncio rítmico.

Ao encontrar vosso amigo na estrada ou no mercado, deixai que o espírito que existe em vós mexa vossos lábios e conduza vossa língua.

Deixai que a voz dentro de vossa voz fale para o ouvido dentro de seu ouvido.

Pois sua alma guardará o segredo de vosso coração; como o sabor do vinho é lembrado, quando a cor é esquecida e o cálice não existe mais."



(In: O Profeta. Kahlil Gibran. Ediouro, RJ. 2002)



Nenhum comentário:

Postar um comentário