quinta-feira, 16 de setembro de 2021

"Tem que ler de novo...": Uma Pequena Cidade na Campina (Laura Ingalls Wilder)

 


Quem nunca? Obrigatório ler, lá pelos anos 70... Eita! que isso faz tempo! Leitura obrigatória, não na escola, mas sim entre os grupos de amigos. 

De novo a leitura fazia a gente viajar. Viajar no tempo, pelas campinas, cidades, jardins, casas e quartos que eram meticulosamente descritos. Cada capítulo deixava um gosto de querer logo saber o que aconteceria no próximo capítulo. 

Muitas narrativas lembravam das casas de nossos avós que viviam ou já tinham morado ou que contavam histórias de suas infâncias vividas no interior, no campo. No meio das pastagens, hortas, pomares e em suas casinhas de madeira (mais tarde, de material). 

Blumenau crescia. Os anos 70 marcaram a ascensão urbana da cidade. As ruas das antigas vilas, antes de barro, chão batido e poeirento,  passaram a ser calçadas com paralelepípedos ou asfalto. Uma nova era convergia os interesses e o crescimento da cidade. Baixadas passaram a ser aterradas, morros foram cortados e assim iam recebendo construções. O velho, antigo, passou a dar lugar ao novo, inovado e inovador. 


"Já era hora da ceia quando ele voltou, dirigindo-se para o estábulo. Desatrelou o cavalo e correu para dentro de casa, esbarrando em Carrie e Grace, que corriam para fora.

-Meninas! Carolina! Adivinhem o que eu trouxe para vocês! (...)

-Balas! responderam juntas Carrie e Grace. 

-Coisa melhor, disse o pai. (...)

Laura observava o bolso de papai. Estava certa de que alguma coisa, e não a mão de papai, estava se mexendo dentro do bolso.(...)

-Um gatinho, disse ela."

Ali perto de casa, da minha antiga casa, havia famílias que criavam vacas e vendiam o leite para os vizinhos. Das galinhas eram vendidos os ovos. Meus avós moravam perto do Hospital Santa Catarina e criavam galinhas. Como não tinham mais vacas, um carroceiro deixava garrafas de leite no portão da casa. A diversão, nas férias, era passear na casa dos avós e ajudar na colheita de morangos, descascar aipim, alimentar as galinhas. 

Ou então ajudar o Opa a recolher a lenha que ele cortava na serra fita, lenha essa para o fogão a lenha onde a Oma cozia todas as refeições. Mais tarde compraram um fogão a gás, mas o velho fogão a lenha não parou de ser usado. Muitos pintinhos que não conseguiam descascar foram salvos no calor deste fogão a lenha. A Oma os colocava dentro de uma caixa de papelão, de sapatos, e acomodava a caixa de forma a receber o calor do fogão. Muitas aventuras! Muitas histórias! Lembranças que ficam na memória.

E a autora de "Uma Pequena Casa na Campina" passou as suas vivências de infância e adolescência descritas em vários livros. Uma forma de não deixar morrer o que já passou, mas que foi marcante na vida de muitas pessoas e cidades.

Laura Ingalls Wilder nasceu em 1867 em Wisconsin, USA e faleceu em 1957. A série Uma Casa na Campina é composta de 10 livros, sendo que o 10o. foi publicado postumamente. 


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