terça-feira, 1 de junho de 2021

A Arte do Bordado em Blumenau - 5 (O famoso Ponto Alemão, o Ponto Cheio)


 Nem é preciso falar muito sobre este tipo de bordado, sobre este ponto, um dos mais usados na arte bordadeira em Blumenau e região.

O detalhe está na escolha de cores e na variação de tons: é o que dá o belo efeito no bordado. O "contraste" é a chave mestra. 

O tecido utilizado deve ser o cânhamo, fino ou grosso. Para o fino, as linhas também serão mais finas e o contrário para o tecido mais grosso: linhas mais grossas. As agulhas não necessitam de ponta, são usadas as chamadas "agulhas sem ponta". Finas ou mais grossas, dependendo do tecido. Elas não precisam de pontas porque a linha é enfiada, passada, nos 'buracos' entre as tramas do tecido. E o bordado deve 'correr' a trama do tecido, em sentido sempre reto. 

E quando o risco for maior, borda-se em pequenos trechos, sempre desigual, até completar o desenho riscado. O bordado segue em linhas desiguais para que não fique marcada uma 'linha divisória' ao terminar o desenho bordado. 


E o ideal das cores é escolher 2 tons para as folhas e 2 ou 3 tons da mesma cor para flores, frutas etc. Nas folhas, os 2 tons serão usados na mesma folha. A não ser que a folha seja muito pequena usa-se apenas um tom. E nas pétalas de flores usam-se os 2 ou 3 tons. As fotos abaixo dão uma noção do uso.

Nos idos dos anos 60 e 70 meu pai riscava toalhas na Loja das Linhas, onde era gerente; e eu ajudei muito nesse trabalho de riscar. Temos uma parente que também fornecia toalhas riscadas e com material para bordar, as linhas já escolhidas e na quantidade certa para cada bordado.

Em Blumenau a Casa Meyer era famosa pelos seus riscos e belos bordados! Receber de presente um
tecido riscado para bordar era 'o must'! Nós, garotas do Sagrada, onde aprendíamos a bordar, curtíamos muito as toalhas e os bordados da Casa Meyer.

A foto ao lado mostra um detalhe de uma toalha oval que ganhei de presente e que era da Casa Meyer. Foi bordada com muito capricho e amor! 

                             (A toalha da foto foi cedida ao Museu de Hábitos e Costumes, Blumenau)

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