quarta-feira, 31 de março de 2021

Penha de outrora T1E2: o dia em que a maré subiu... subiu...

Estávamos de férias por mais uns dias, na casa do Opa e da Oma, na Penha. E outro dia fomos de pegos de surpresa, sem mais nem menos, com uma maré cheia, alí no quintal de casa. Pensamos que fosse enchente, mas não havia chovido. 

A casa do Opa e da Oma ficava na rua Abelardo Correia, bem em frente à fábrica de produtos pesqueiros da Hemmer. A meia-água já tinha virado uma casa de duas águas e era onde todo anos passávamos alguns dias das férias de verão.

Aquelas férias foram inesquecíveis... pois pisamos por algum tempo na água da 'enchente' da maré, ali no gramado dos fundos da casa. A foto registrou o momento. E na foto vê-se, ao longe, casas da avenida Nereu Ramos. Não havia casas no meio do caminho e nem a rua Joinville existia. Estávamos na segunda metade dos anos 60. Na foto ainda se veem alguns Pés-de-Silva, muito espinhentos, por sinal. O campo aberto, ali nos fundos, era, em anos passados, coberto destas árvores e outras. Um verdadeiro matagal. A foto da postagem de data anterior mostra bem o matagal.

E na foto à direita, vê-se o fluxo das águas enchentes da maré por sobre a avenida Nereu Ramos. Bem ao fundo, a ponte 'nova' sobre o rio. E a casa grande, branca, à direita, está localizada onde foi construída a fábrica de pescados Krause. 
Até os primeiros anos da década de 70 era possível acessar o mar e a praia pela rua Abelardo Correia. Lembro como saíamos de casa pela ruazinha de chão batido, passávamos pelo enorme Jambolão que muitas vezes serviu de abrigo e descanso nas tardes quentes e seguíamos até chegar na margem do rio. Atravessávamos o rio, caminhávamos mais um pouco e -pronto! Estávamos na Praia Alegre. 

Nesta foto já se veem obras do aterro que a fábrica Krause empreendeu. Enquanto o terreno não tinha sido cercado, ainda podíamos passar para a praia por este trecho. Quando cercaram, acabou a mordomia de se chegar à praia e ao mar... pelos fundo da casa. Particularmente neste dia da foto, voltamos apressados pra casa, pois um temporal estava se armando. Estão na foto: meus avós, meu irmão, mãe e o primo Renato. 
Em muitas outras ocasiões, chegar ali nas margens do rio, era um deleite. Havia árvores que dobravam seus galhos por sobre o rio que se misturava com o mar e sentávamos nas pedras da margem e brincávamos com conchas e a água. 
Eu vi... eu vivi isso. Era refrescante por demais sentar na margem do rio sob as árvores. Lembro que noutra ocasião minha mãe recolheu cavalos-marinhos num balde de brinquedo. Curiosidade satisfeita, os bichinhos voltaram ao mar. Em outra ocasião, ao andar pelo terreno que levava ao costão, no meio do capim, enchi minha roupa com pega-pega. Chorei de pavor, pois não sabia o que era aquilo que grudava tanto e não queria desgrudar! 

E então veio o 'progresso' e o curso do rio foi desviado e grande parte de todo aquele mundo de árvores, mar e rio e brincadeiras de tardes quentes de verão, sucumbiu sob o aterro. Lembro de como muitos ficaram indignados com esta obra. Até então, era comum ouvirmos o tuc-tuc-tuc dos motores dos barcos de pescadores passando ali pelo rio. Parecia tão longe de casa, por causa de todo o matagal nos fundos da casa, mas era realmente tudo muito perto. Histórias! Quantas lembranças e histórias!

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