A lembrança daquele Natal continua viva em minha memória. Com alguns lapsos, provavelmente, mas ainda permanecem flashes da alegria, curiosidade e surpresa ao vermos o lindo e enorme trem com sua locomotiva e vagões desfilando pela sala. Trem de madeira, soalho da sala de madeira... ambos ruidosos como se o trem estive rolando e marchando em cadência por sobre trilhos, marcaram aquele dia de Natal!
Foi habilmente
construído por meu pai, em casa, na pequena oficina contígua à área de serviço. Cada
elemento da composição era cuidadosamente detalhado na pintura com arabescos e
outros elementos.
Desde tenra idade,
meu irmão e eu viajávamos mundos, terras e planetas ao longo das calçadas e do
jardim em volta da casa puxando o trem. Havia espaço nos vagões pra acomodar uma e outra boneca ou boneco, e ursos, e rumar terras
distantes em nossas fantasias! O mundo rodava no ciclo das horas e nós
rodávamos com o trenzinho em torno da casa, sem preocupações com dias e horas.
A alegria de brincar bastava!
Os anos ultrapassaram
a barreira da infância, da juventude, e foram se acomodar nos matrimônios e
nova geração de filhos. Ambos, eu e meu irmão tivemos três filhos cada um. E
meu irmão teve duas filhas e um filho. E eu tive também duas meninas e um
menino.
Novos lares, nova composição familiar... mas um vagão da composição sobreviveu aos tempos... Escrito em sua lateral: Oriente. Não sei o motivo da inspiração, mas com certeza, nos levou em sonhos e fantasias do acidente ao oriente e vice-versa. Ainda foi parceiro de brincadeira dos netos por algum tempo e então, por ser tão especial, foi doado ao Museu de Hábitos e Costumes de Blumenau.


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