quarta-feira, 11 de março de 2015


POLÔNIA: UMA JANELA PARA O MUNDO
Ellen Crista da Silva
2006 - UnB 

Relatório
51º. Curso de Verão de Língua e Cultura Polonesa
(51st summer course of Polish Language and Culture)
Universidade de Varsóvia - Polônia

Obrigada, muito obrigada!
Pelo apoio, pelo incentivo,pela amizade. 
Sem vocês esta experiência não teria acontecido em minha vida! 

À Profa. Malgorzata
Ao Prof. Henrik Siewierski
À equipe da Assessoria Internacional da 
Universidade de Brasília-UnB
À Equipe do Polonicum na Universidade de Varsóvia
Ao meu amigo e companheiro de vida, 
Getulio
Aos filhos que temos juntos, 
Vinícius, Heloisa e Taiane

A vida não é uma roda perpétua de ilusões,
mas um contato constante com o concreto, 
tanto em suas formas materiais quanto espirituais.
(Czesław Miłosz-1940)

Apresentação

Conforme solicitado pelo escritório de Assessoria Internacional da Universidade de Brasília, apresento meu Relatório como participante do 51º. Curso de Verão de Língua e Cultura Polonesa, promovido em conjunto com a UnB e a Universidade de Varsóvia. 

Por se tratar de um Relatório sem cunho científico, descrevo-o em linguagem um tanto quanto coloquial e com momentos de emoção transbordante!
-Se valeu? –Só valeu!
O enriquecimento do ser humano acontece por várias vias, e uma delas é a do conhecimento e do estudo. Da observação e da contemplação.
Há os que aproveitam a oportunidade e há os que se aproveitam das oportunidades. Para mim, esta foi uma experiência gratificante e renovadora, conforme pode ser verificado na descrição do presente Relatório.



Índice



1. Introdução



2. 51º. Curso de Língua e Cultura Polonesa

2.1 Polonicum
2.2 Infraestrutura
2.2.1 Hospedagem
2.2.2 Recepção  
2.2.3 Abertura do Curso
2.3 Ensino e aprendizagem
2.3.1 Aulas em sala
2.3.2 Aulas Suplementares
2.4 Atividades complementares
2.4.1 Filmes
2.4.2 Polonaise  
2.4.3 Literatura
2.5 Eventos extra-classe: passeios e visitações


3. Atividades Extra-Curso

3.1 Viagens à cidades
3.1.1 Varsóvia
3.1.2 Cracóvia
3.1.3 Opole
3.1.4 Auschwitz
3.1.5 Sosnowiec
3.1.6 Kęndzierzyn-Koźle e Koźle
3.2 Culinária


4. Aspectos diversos

4.1 No campo da Lingüística
4.1.1 Língua polonesa, língua inglesa e língua portuguesa
4.2 No campo das artes
4.2.1. Arquitetura
4.2.2 “Arte de rua”
4.3 No sistema de transporte urbano
4.4 No campo da economia
4.4.1 Agricultura
4.5 No clima, flora e fauna
4.5.1 O clima
4.5.2 Papoulas, girassóis e cegonhas


5. Considerações Finais



6. Referência Bibliográficas



1. Introdução



“Romanticamente antiga...” e modernamente desenvolvida. Esta é a impressão que a Polônia causou em mim e é a imagem que guardo do país. 

Na verdade minha relação com a Polônia data de mais tempo, pois minha mãe é nascida na Polônia, na cidade de Kielce. Mudou-se para o Brasil e fez deste sua pátria, juntamente com a família, logo após a segunda guerra mundial, quando contava com a idade de 13 anos. 
Da infância e adolescência guardo lembranças da voz de minha mãe cantando canções polonesas. Todavia, o estigma em torno da “Cortina de Ferro” não despertava em mim o desejo de conhecer a Polônia, menos ainda aprender a língua materna.
Mas à medida que avanços políticos deixavam para trás o regime comunista, e conseqüentemente, abriam a Polônia para o mundo, novos horizontes se descortinaram em minha vida. A transformação ocorrida no mundo não me permitiu uma atitude passiva. Curiosa quanto aos fatos que estavam ocorrendo, despertou em mim uma ânsia em conhecer mais sobre a história de minha mãe em seus anos de infância vividos na segunda guerra mundial.
Romperam-se as barreiras no mundo e no âmago de meu ser. Elos que antes eram tênues, quase imperceptíveis, reforçaram-se sob a égide de novos valores e expectativas.
Surgiram perguntas: -porque não aprender a língua materna? –porque não falar polonês? –porque não transmiti-la aos filhos? –porque não, ao menos tentar?
Um novo desafio tomava conta de meus pensamentos e meus dias.


E eis que o segundo semestre de 2004 adentrou como um furacão na minha vida e de minha família, pois enquanto ainda cursava o Mestrado em Lingüística na UFSC e cuidava da educação dos filhos, ocorreu uma inesperada mudança para Brasília. 

Em janeiro de 2005 estávamos instalados em Brasília e em abril pude receber minhas primeiras lições de língua polonesa! Este era para mim um desafio em especial, pois tinha relação com minha dissertação que versa sobre o aprendizado de línguas estrangeiras para pessoas com idade superior aos 14 anos.
O mundo continuava se descortinando diante de meus olhos... se antes os interesses estavam em torno de vestígios da história, agora era a vez do mundo das línguas! Do mundo da língua polonesa... tão diferente do português, do alemão (minha primeira língua, por força da origem alemã do meu pai), do francês e inglês (línguas estudadas no ginásio). Uma língua repleta de recônditos ocultos que querem ser descobertos; de curiosidades gramaticais, lexicais... fascinante como bolas de sabão assopradas ao sol e ao vento, pois trazem em si matizes indescritíveis!!!


Minha intenção, então, era apenas aprender a língua materna. E embora o caminhar no aprendizado desta língua estivesse aparentemente distante de tudo que eu vinha fazendo em termos de lingüística, hoje estou convicta de que esta caminhada serviu para mostrar que o estudo da língua polonesa guarda íntima relação com pesquisas científicas que serviram de base à minha dissertação de Mestrado. A UnB, possibilitou diversas coisas:

* o estreitamento de laços afetivos com a nação ancestral;
* a ampliação do conhecimento nas mais diversas áreas (geo-política, economia, artes, literatura);
* o encontro de base acadêmica para o aprofundamento da pesquisa científica no campo da Política Lingüística.


É um fato inusitado na minha vida, pois expectativas foram superadas. Jamais imaginava alcançar tal patamar. 

À pergunta “como o estudo e aprendizado de uma língua eslava poderiam ter relação com a Política Lingüística?”, o presente Relatório demonstrará. 



2. 51º. Curso de Verão de Língua e Cultura Polonesa



2.1 Polonicum



O Polonicum é um Instituto da Universidade de Varsóvia e umas das mais antigas escolas de língua polonesa como língua estrangeira. Oferece continuamente classes em polonês, inglês e russo para estrangeiros interessados em história, literatura e artes polonesa.

O ano de 1956 marca o início das atividades do Polonicum. A partir de 1974 são organizados dois cursos de verão: o curso A, em agosto, para estudantes; o curso B, em setembro, para conferencistas, tradutores, jornalistas, etc. A partir de então os cursos também passaram a ser organizados em cooperação com a Universidade da Cracóvia.
Durante muitos anos o Polonicum provisionou instituições de ensino estrangeiro com material didático e metodológico, tais como livros, dicionários etc. Este centro de língua e cultura polonesa para estrangeiros é um importante ponto de encontro para pessoas de várias culturas. É um lugar mágico, onde o diálogo cultural nunca cessa e onde a tolerância sobrepuja, e a permuta de pensamentos e idéias distintos enriquece favorecendo os dois lados da equação. 


2.2 Infraestrutura



2.2.1 Hospedagem 

O 51º. Curso de Verão de Língua e Cultura Polonesa teve lugar nas instalações da Universidade de Varsóvia no período de 28 de julho a 26 de agosto de 2006. A estrutura da Universidade de Varsóvia conta com alojamentos em diversos pontos da cidade para a acomodação dos estudantes.
Saí do Brasil no dia 26 de julho e cheguei em Varsóvia no dia 27 à tarde. Meu primeiro pernoite se deu em um albergue. Renata, a colega brasileira co-participante no curso, já estava instalada no albergue há uma semana. No dia seguinte seguimos para a Residência Estudantil da Universidade. Fomos acomodadas num apartamento de dois quartos equipados com duas camas, duas escrivaninhas e armários. Além dos quartos havia um BWC e uma mini-cozinha. Ficamos hospedadas em companhia de duas colegas estrangeiras: Swetlana, da Rússia e Agnieska, da Finlândia. Eram ocupantes do quarto contíguo. Além do café, era nesta cozinha que preparávamos nossas jantas e conversávamos, ora em português, ora em inglês ou em polonês e às vezes até em alemão, pois Anne também falava alemão.
Na Residência encontravam-se lavanderias localizadas no porão e onde, ao preço de 4 złotys se adquiria uma moeda que fazia as lavadoras funcionarem e assim tínhamos as roupas novamente asseadas! Em frente à Recepção deparava-se com um salão enorme onde cadeiras aguardavam espectadores de filmes e programas de TV. Neste mesmo salão encontravam-se três micro-computadores que serviam aos alunos para acessar a Internet. Estas máquinas estavam em número insuficiente e por vezes ficava-se uma hora esperando a vez... isto quando não dava pane nas máquinas!
Também aconteciam, neste salão, exibições de filmes (em polonês!), festas de aniversário e confraternização cultural, quando os alunos davam verdadeiros ‘shows’ tocando e cantando músicas de todo o mundo. Outras três grandes mesas permitiam que fizéssemos as tarefas quando não queríamos ficar nos quartos. Ou simplesmente, que sentássemos à sua volta e conversássemos com alunos de outros países, de outras terras. 


2.2.2 Recepção

No primeiro dia tivemos contato com três ‘secretárias’ do Polonicum. Estas figuras desprendidas e muito atenciosas nos acompanharam no primeiro dia até à Universidade de Varsóvia, indicando-nos o caminho e os ‘trams’ que podíamos utilizar, uma vez que a Residência Estudantil se encontrava afastada das dependências da Universidade.
Também eram elas que nos acompanhavam nos passeios extra-classe, nas exibições de filmes na Residência e nas festas programadas. Além disso, passavam nas salas de aulas para transmitirem os avisos.


2.2.3 Abertura do Curso

E no sábado, dia 29 de julho, 
lá estavam as três moças,
à hora combinada, para nos 
acompanhar à Universidade 
e nos acomodarem no 
Auditorium Maximum. Neste, 
após discurso de abertura e 
apresentação do corpo docente 
do Curso, realizamos uma 
prova de nivelamento.
Os 200 alunos vindos de 40 
países foram distribuídos em 
20 grupos e estes grupos, 
por sua vez, foram distribuídos 
em 4 níveis: básico (grupos 1 a 6),
intermediário 1 (grupos 7 a 10), 
intermediário 2 (grupos 11 a 16) 
e avançado (grupos 17 a 20).




2.3 Ensino e aprendizagem



2.3.1 Aulas em sala

As aulas começaram na segunda-feira, dia 31 de agosto. O horário era das 9:00 às 12:30hs. Este horário foi cumprido durante todo o período de curso. O ensino em sala do Grupo 5, do qual eu fazia parte, era realizado pelo Prof. Kowalski e pela Profa. Marta. O Prof. Kowalski era quem apresentava a língua polonesa em seus aspectos tanto gramaticais quanto de entonação. Fazia também com que todos praticassem conversação, aspecto este reforçado pela Profa. Marta. Nas primeiras semanas as explicações a respeito do que estava sendo transmitido eram feitas em língua inglesa. Na medida que o grupo evoluía as explicações passaram a ser feitas em língua polonesa.
Vários recursos tais como tabelas, exercícios xerocopiados, canções de CD’s e com acompanhamento ao violão foram usados para complementação do aprendizado da língua. A paciência dos professores para com o aprendizado lento de alguns alunos, bem como o cuidado para que todos participassem e mantivessem o foco na aula, foi a nota tônica no meu Grupo. 


2.3.2 Aulas Suplementares

O intervalo do almoço consistia de 45 min após os quais seguiam-se aulas suplementares com enfoque em fonética e programas audio-visuais. Estes programas audio-visuais consistiam de exibições de filmes e documentários. A Profa. Magda assumia os trabalhos na parte da tarde, nas aulas suplementares, e o Prof. Jelonkiewicz organizava e explanava sobre as exibições de filmes.



2.4 Atividades complementares: 



2.4.1 Filmes 

Ao todo foram exibidos 17 filmes de produção polonesa. Destes, oito eram de gênero ‘drama’ e 9 eram documentários. Estes documentários versavam sobre questões históricas, políticas, culturais e folclóricas. Além destes, no salão da Residência Estudantil tivemos algumas exibições de filmes de gênero ‘drama’ e ‘comédia’. 


2.4.2 Polonaise

As tardes da última semana foram reservadas para ensaios da “polonaise”, dança típica polonesa. A apresentação ao público ocorreu no pátio em frente à Reitoria, no encerramento do curso, no dia 26 de agosto. Após a apresentação realizada pelos alunos, e ao som das palmas, foi solicitado “bis” da dança, o que também ocorreu!


2.4.3 Literatura

Neste último dia, o do encerramento do curso, após a polonaise, os alunos dirigiram-se a um salão do Polonicum localizado em um dos prédios da Universidade. O local fora escolhido para que as turmas mais avançadas e que enveredaram pelos caminhos da literatura polonesa apresentassem pequenas encenações e recebessem premiações pela participação em um ‘concurso literário’. Ao final foram entregues os certificados pelos professores de cada Grupo aos seus alunos.


2.5 Eventos extra-classe: passeios e visitações

Na programação do curso foram cumpridas as seguintes visitações: dia 30 de julho, ao Campus Universitário, Biblioteca Universitária e Centro Histórico de Varsóvia; dia 1º. de agosto, dia do Levante de Varsóvia,  aconteceu a visitação ao Cemitério Powązki. A Polônia confere enorme importância ao Levante de Varsóvia, fato histórico que marcou para sempre a resistência do seu povo à opressão nazista. Pessoas de todas as idades e as autoridades governamentais estavam presentes à cerimônia e homenagens prestadas aos mortos e combatentes no Levante. Viam-se escoteiros e escoteiras espalhados por todo o cemitério, prestando ajuda a quem precisasse. Viam-se também ex-combatentes fardados e portando suas faixas alvi-rubras nas mangas de suas fardas. É um momento de profundo respeito e homenagem. Pouco se fala, pouco se comenta. O cemitério fica completamente lotado, mas ninguém pisa em sepulturas ou nas amuradas destas para obter melhor visão ou para descansar. Salvas de tiros encerram a cerimônia. Porém o silêncio continua até o fim. A primeira semana de agosto homenageia a cidade de Varsóvia. Os seus cidadãos expressam a sua gratidão em todos os cantos: calçadas, praças, Universidade, igrejas, monumentos, etc. onde flores e fitas são depositadas. Velas acesas e coroas de flores completam um cenário que simboliza reverência, gratidão e orgulho do passado do seu povo. 


Sábado, dia 05 de agosto, foi a vez de visitarmos a casa de infância de Fryderyk Chopin, na cidade de Żelazowa Wola, a 56 km distante de Varsóvia. Em lá chegando, fomos agraciados com a interpretação de composições do gênero de música clássica de Chopin por uma pianista enquanto passeávamos pelos lindos jardins da casa. Após o concerto visitamos o interior da casa. 



Em seguida tomamos rumo para a Fortaleza de Modlin, nas imediações e que servira de abrigo ao exército comunista. Atualmente está em estado precário e algumas construções estão em ruínas, mas permanece aberto à visitação. Subindo a torre tem-se uma ampla vista da planície polonesa. A Polônia é um país com relevo plano quase que em sua totalidade do seu território e fartamente cultivado.



O sábado terminou com uma recepção nos jardins de um hotel onde foram servidas iguarias da cozinha polonesa e regado a bebidas. Numa fogueira rodeada de bancos de troncos, eram assadas lingüiças em espetos. Um conjunto musical recepcionou-nos com canções polonesas, enquanto o sol insistia em fazer parte da  festa, mas o manto da noite cobriu-lhe vagarosamente a luz. Ainda teimou em permanecer, colorindo o céu com os mais requintados matizes... mas a noite não lhe permitiu participar mais da festa. A noite se tornou então, senhora daquele momento. E após a degustação das iguarias, um tablado de madeira aguardava a apresentação de ‘corajosos’ em partilhar suas culturas nesta aventura lingüística internacional. Cada um pode compartilhar do seu modo. Renata e eu, dentre outros que ousaram se apresentar, cantamos “Vou voltar na Primavera”, de Kleiton e Kledir. Alguns estavam mais nervosos, outros mais seguros; alguns eram ‘um’ só a se apresentar, mas outros se encorajavam quando em grupo. Enfim, todos estavam animados e se divertiram. Fiquei atônita, perplexa diante de tamanho intercâmbio. Esperava aprender muito; mas jamais imaginara tamanha hospitalidade e carinho. A fogueira aquecia magicamente aquele encontro, a ao final, o som de discoteca animou a galera que dançou até às 10:00hs da noite! 



O dia 19 de agosto foi reservado à visitação do Palácio Wilanów, em Varsóvia. 

E no domingo, dia 20 de agosto, foi a vez de visitar o Museu do Levante.


3. Atividades Extra-Curso

Minha proximidade com a descendência polonesa e a possibilidade de visitar parentes, permitiu-me algumas viagens ao sul da Polônia, nas regiões de Śląsk e Małopolska. Estas viagens aconteceram nos finais de semana dos dias 29 e 30 de julho; 12 a 15 de agosto e 25 a 29 de agosto. Minha cidade de destino era sempre Kędzierzyn-Koźle, cidade de residência dos parentes. Realizei passeios às cidades de Cracóvia, Opole, Auschwitz, Sosnowiec, Kędzierzyn-Koźle e Koźle.  


3.1 Viagens à cidades



3.1.1 Varsóvia

Cidade-sede do Curso: capital do país desde 1596, o que mais emociona o visitante de Varsóvia é a sua reconstrução no período pós-guerra. Bombardeada e destruída durante a guerra, deu-se com esmero ao trabalho de reconstrução, recuperando os traços originais em todas suas edificações. A ‘Stare Miasto’, o centro histórico,  comprova a dedicação de tal reconstrução. Um verdadeiro monumento arquitetônico, o centro histórico localiza-se não muito distante da Universidade de Varsóvia; do Palácio Presidencial; do monumento ao Soldado Desconhecido; do monumento à Copérnico e da Igreja de Santa Cruz, onde estão os corações de Chopin e de Władysław Reymont (este um escritor).
No centro comercial da cidade encontra-se o Palácio de Cultura e Ciência, um edifício insólito, sem igual. Por ser um presente de Stalin à Polônia, gera muitas controvérsias entre os poloneses. Há os que se agradam do edifício, mas há os que repudiam sua existência. Seja como for, sua torre é visível de quase todos os pontos da cidade e a vista panorâmica que se tem do seu terraço no 30º. andar permite reconhecer os pontos mais distantes de Varsóvia. Quando da nossa visita, havia nos jardins em frente à entrada do Palácio de Cultura e Ciência, uma exibição de fotos da época da segunda guerra, mostrando os diversos pontos da cidade antes e depois dos bombardeios que a destruíram. A trilha sonora apresentada durante a exibição me chamou a atenção. Procurei informação com diversas pessoas, e o que me resultou foi a aquisição de um CD com toda a exibição! 
Varsóvia é singular... embora cidade grande, capital do país, o trânsito apresentava-se intenso mas não congestionado nem excessivamente ‘nervoso’! 
Ao longo de sua história muitos monumentos e edifícios importantes foram construídos: Palácio Wilanów, Palácio Łazienki, a Cidadela, o Castelo Real, a casa de nascimento de Maria Skłodowska Curie (atualmente museu), muitas igrejas, vários teatros, museus, praças, parques, o shopping Arcadia e ruas famosas. 


3.1.2  Cracóvia 

 Localizada ao sul de Varsóvia e antiga capital da Polônia, hoje tem como atração principal o seu centro histórico original, pois foi preservado dos ataques da guerra. Uma das atrações deste centro é o Mercado Público, onde se comercializa o rico artesanato polonês composto de peças em âmbar, ovos pintados (pisanki), toalhas bordadas, peças em cristal, madeira entalhada e/ou pintada, chinelos em couro, pullovers de lã, bolas de Natal, etc. O Mercado, além do seu edifício suntuoso, está cercado de restaurantes e cafés ao ar livre. Alí encontram-se a Bazylika Mariacka, cujo altar é motivo de orgulho dos poloneses; e o monumento ao seu mais famoso escritor, Adam Mickiewicz. Pelos pátios que circundam o Mercado vêem-se músicos tocando e cantando canções do folclore polonês; vêem-se atores de rua encenando suas pequenas peças e palcos montados para o público apreciar grandes encenações. O verão é motivo suficiente para que o povo saia às ruas, tanto para executar atividades quanto para apreciar o movimento; freqüentar bares e restaurantes ou simplesmente caminhar.
O Castelo de Wawel também faz parte do centro histórico de Cracóvia. Situado às margens do Rio Vístula, o Wawel é uma imponente fortaleza do séc. XI edificado num ponto mais alto da cidade. Junto do Wawel está a Basílica de onde Karol Woytila era cardeal quando foi designado Papa João Paulo II. 


3.1.3 Opole

 Opole é um destes recônditos mágico que existem no mundo e a gente descobre ‘por acaso’! Descrever é quase impossível, porque não se descreve com exatidão o sentimento que perpassa pelo pensamento quando se está num lugar assim. -Mas assim como?- Assim... inusitado, mágico, pequeno, alegre, simpático... romanticamente antigo e modernamente desenvolvido...
Lá visitei um ‘museu ao ar livre’. Um museu diferente do que já tinha visto, pois neste, além de estar contemplado com artefatos, móveis, peças e louças do passado, há pessoas que vivem na vida real o papel em que atuam como atores, ou seja, utilizam de fato as peças do vestuário e ferramentas, pois passam o dia trabalhando: fiando, tecendo ou plantando como faziam há séculos os personagens que eles representam. A impressão que se tem é de estar revivendo tempos antigos, e não apenas conhecendo os utensílios de outrora e assistindo uma performance encenada pelos atores. O centro da cidade é todo preservado, mantendo intacta a sua história. Nas praças e ruelas de Opole havia exposições de fotos e quadros. A cidade é deliciosamente banhada pelo rio Oder e suas margens são adereços na paisagem. 


3.1.4 Auschwitz




Um novo olhar

se lança sobre Auschwitz...
sobre o fim-da-linha 
do trem...


O menino segura uma

pedrinha:
-pedras ferem...
-com pedras agora o menino 
brinca...


E um novo olhar

ele lança sobre
Auschwitz...



3.1.5 Sosnowiec

A história move os seres humanos, muitas vezes, em busca de retalhos da colcha que forma sua própria existência. Não foi por outro motivo que visitei e conheci Sosnowiec: cidade de nascimento de meu avô, pai de minha mãe. É uma cidade simples, como qualquer outra do planeta. Mas uma aura mágica, intocável, circunda esta cidade e minha história. Quando meu avô ali nasceu, Sosnowiec fazia parte da Rússia, Era uma cidade russa. Era um ponto minúsculo na divisa entre três países: Rússia, Alemanha e Polônia. Este ponto minúsculo, como tantos outros, teve importância geo-política e hoje demanda novas fronteiras da Polônia do pós-guerra. Coisas do mundo, do mundo das guerras e das conquistas. Neste meio de fronteiras, meu avô cresceu falando russo. Posteriormente teve de aprender o alemão e o polonês. Coisas do mundo das guerras e das conquistas. Quisera eu encontrar vestígios de meus antepassados, mas ainda não foi desta vez. Talvez não mais existam registros materiais, mas ainda são fortes nas mentes de certas pessoas. Encontrei apenas a igreja em que fora batizado. Mas Sosonowiec está lá: tem sua história para ser contada, conhecida. Tem seus monumentos, suas praças, sua gente. Hoje são tempos mais harmônicos, sem as alucinações dos tempos de guerras e de conquistas naquele canto do mundo. 


3.1.6 Kędzierzyn-Koźle e Koźle 

Por três vezes, durante o curso, tomei o trem com destino à esta cidade. Na realidade são duas cidades gêmeas, ou quem sabe, gêmeas siamesas, pois uma está colada à outra. A cadência empreendida pelo trem soltava minha imaginação em busca de retalhos da minha história. E lá, em Kędzierzyn-Koźle, ao reencontrar os parentes, eu encontrava sempre quem satisfizesse um pouco mais minha curiosidade e relatasse fatos da família. Lá, encontrava também quem me incentivasse na continuidade do aprendizado da língua polonesa. Tia Joanna, professora de língua polonesa, sempre dava explicações entre um passeio e outro. Discorremos sobre algumas personalidades importantes da literatura polonesa, bem como sobre os intrincados da gramática, tais como as declinações e os tempos verbais.
Um dia pegamos o ônibus e fomos passear no pequeno centro da cidade. Visitamos a igreja, a prefeitura e a rua perto da estação do trem. Naquele dia tomamos um banho de chuva!
Noutra oportunidade fomos até Koźle, um centro um pouco maior. Percorremos as ruas do centro conhecendo as praças, os prédios antigos, um Palácio em restauração. Kędzierzyn-Koźle e Koźle se localizam ao sul da Polônia, e ficam um pouco mais afastadas do miolo composto pelas cidades de Katowice, Sosnowiec, Chorzów, Zabrze, Ruda, Gliwice, etc. É um recanto romanticamente antigo..! Uma urbis cercada de campos e matas, um lugar onde a vida de cidade parece brigar para manter os encantos da vida rural.


3.2 Culinária

A mesa dos poloneses é muito variada e rica em pães, verduras e hortaliças, frutas, cogumelos, batatas, queijos, carnes, carne de porco e uma grande variedade de lingüiças. Estes são os elementos básicos utilizados na elaboração de seus pratos principais: sopas (das quais a mais famosa é a żurek), pierogui (espécie de pastelzinho cozido, recheado com carnes, repolho, queijos ou frutas), omeletes, kiełbasa (que quer dizer lingüiça e é um elemento indispensável na cozinha polonesa; existem muitos tipos de kiełbasa),  panquecas doces e salgadas, bigos (prato composto de feijão, chucrute, cogumelos e carnes), kluski (uma variação do nhoque). Para beber são comuns os chás, compotas (líquido resultante do cozimento de frutas para serem servidas como sobremesa) e sucos, além do café, da cerveja e da famosa Wodka.
Em Kędzierzyn-Koźle tive a oportunidade de aprender a fazer pierogui, panqueca e kluski com tia Joanna.


4. Aspectos diversos



4.1 No campo da Lingüística



4.1.1 Língua polonesa, língua inglesa e língua portuguesa

A ‘barreira da língua’ nem sempre é fácil de ser transposta, mormente quando se tem pouco conhecimento, pouco vocabulário da língua a ser contactada. No meu caso, o conhecimento da língua polonesa nos primeiros dias ainda era muito básico. Assim, muitos contatos e informações acabaram por acontecer na língua inglesa na maiora das vezes, e na língua alemã outras vezes. À medida que o curso avançava, o vocabulário se expandia e a fluência também adquiria mais consistência. Aos poucos as comunicações foram acontecendo em língua polonesa, nos mais diferentes locais e momentos: restaurantes,  lojas, bancas, supermercado, etc.
Fato interessante observado foi a insuficiência do conhecimento e uso da língua inglesa por parte dos poloneses, principalmente os de mais idade. A geração mais jovem não tem dificuldades em se comunicar na língua inglesa, ao passo que a geração mais antiga, que estudou russo como segunda língua, se comunica apenas em polonês. Mas mesmo com a dificuldade apresentada, não se furtam de tentar entender e explicar o que é solicitado. A hospitalidade do povo polonês é comovente. A sua vontade está em todos os lugares: bilheterias das estações, bancas de revista, em restaurantes, lojas, etc. 
No campo da Lingüística, se percebem similitudes entre a língua polonesa e a língua portuguesa. Fui tomada de surpresa ao deparar com palavras muito parecidas com o nosso português. Um exemplo: “Nie ma problemu” significa ‘não tem problema’. Em ambas línguas a palavra problema tem o mesmo significado. A palavra ‘mãe’ tem sua significação e similaridade em quase todas as línguas, como por exemplo, mother (inglês), mutter (alemão), mère (francês), madre (espanhol) e na polonesa: “matka”. E outras ocorrências de similaridades são percebidas nestas duas línguas, como pode ser observado nas seguintes palavras: komplikować (complicar), kompositor (compositor), kompromis (compromisso), komplement (elogio, gentileza), normalny (normal), nowy (novo), obligacja (obrigação), sympatia (simpatia), paszport (passaporte). Estes são apenas alguns exemplos, pois o léxico polonês tem muito mais exemplos.
A língua polonesa é puramente semântica e a gramática tem toda uma função semântica. Exemplo disto são as declinações e a inexistência de artigos. A semântica é que é transformada e levada, por assim dizer, para a gramática. Um pequeno texto, em polonês, ilustra esta semanticidade:


Już nie jestem Robert! Polacy czasami mówią Roberta, czasami Robertowi, czasami Robercie albo Robertem.Teraz wiem, zé to moje imię, ale jescze nie rozumiem, dlaczego ma tyle form.



Em suma, o texto acima diz o seguinte: “Já não sou Robert! Ás vezes os poloneses falam Roberta, às vezes Robertowi, às vezes Robercie ou Robertem. Agora sei, que é o meu nome, mas ainda não entendi o porquê de tantas formas.”

No caso do texto, Roberto é um estrangeiro que está aprendendo a língua polonesa e se depara com a problemática das declinações!


4.2 No campo das artes



4.2.1 Arquitetura

Na Polônia o novo não se mistura ao velho, pois este tem seu lugar de destaque e de respeito tão valorizado quanto. O velho é conservado como reconhecimento ao que um dia já foi novo, já representou desenvolvimento. E o novo consubstancia novos valores, novas aprendizagens, novos interesses, sem perder de vista o que já foi bom no passado. O novo vem carregado de novas inspirações: leveza, transparência, luminosidade. Abastece o íntimo do ser humano com suas formas ousadas e arrojadas quase voluptuosas. Vem brilhar e trazer esperança para novos caminhos, sem esquecer das flores das praças do passado. Ambos se refletem magicamente, numa mistura que se relaciona, mas não se funde. Que se une sem se tocar... derivada do que é considerado ‘antigo’, os traços da contemporaneidade se individualizam, mas num gesto de reverência ao seu antecessor. Assim caminha a humanidade. Assim caminha a arquitetura polonesa e seus estilos. Assim caminha toda manifestação artística e cultural, seja na metrópole Varsóvia, seja na histórica e poderosa Cracóvia, seja nas pequenas cidades como Sosnowiec, Kędzierzyn-Koźle, Opole, etc.


4.2.2 “Arte de rua”

No campo das artes o Brasil também é representado por Fayga Ostrower, célebre artista plástica e teórica das artes, nascida na cidade de Łodz, na Polônia, em 1920. Veio ao Brasil em 1930 e naturalizou-se em 1934. Fayga (102) escreve a respeito das artes:  
  “O homem desdobra o seu ser social em formas culturais.” 
Durante os passeios realizados na Polônia, presenciei manifestações de arte e cultura nos mais diversos estilos e recantos: nas ruas, nos vitrais das igrejas, nas paredes externas de edificações, nos Cafés, etc.


A arte é necessária ao ser humano. Traz em si a capacidade de equilibrar emoções e de reverter a desesperança em nova expectativa. Segundo Fayga (99),



“Quando vemos uma forma expressiva, vemos em seu equilíbrio interior que várias forças diferentes foram de algum modo reunidas e em algum ponto compensadas, adquirindo um novo sentido de unidade.”



Não há limite de idade, não há tempo, lugar, nem elementos materiais que não possam ser usados para expressar através da arte o que passa no mais íntimo do ser humano. Relembrando Fayga (43),



“Toda atividade humana está inserida em uma realidade social, cujas carências e cujos recursos materiais e espirituais constituem o contexto de vida para o indivíduo. São estes aspectos, transformados em valores culturais, que solicitam o indivíduo e o motivam para agir.” 



As fotos falam por si. Pouco é necessário dizer ou acrescentar.



4.3 No sistema de transporte urbano

A Europa toda é servida de vários e bons meios de transporte urbano. A Polônia não é exceção. As mais diversas cidades polonesas, grandes como Varsóvia ou pequenas como Kędzierzyn-Koźle, oferecem ótimos serviços de táxi, ônibus, metrô e tramways. Os tramways, ou simplesmente ‘tram’, são bondes elétricos de dois vagões apenas, que circulam entre as principais artérias das cidades. O mesmo tiquet utilizado para deslocamento com ônibus pode ser igualmente utilizado para metrô e ‘tram’. Facilmente adquiridos em bancas (as Ruch) e conforme o tempo que se pretende utilizá-los, os tiquets tem os mais variados preços. A maioria dos estudantes adquire um tiquet de 30 dias a 66 złotys, enquanto que um tiquet para 24 horas custava 7,20 złotys e um tiquet de uma ida apenas, 2,40 złotys. Para se ter uma idéia da qualidade do serviço, é possível fazer quantas viagens de metrô ou de tram forem necessárias, conforme o itinerário a ser seguido, sem mais despesas. O tiquet apenas deve ser introduzido uma única vez na maquininha existente no interior do meio de transporte para ser validado. No verso do tiquet fica registrada a hora e data de validade. 


4.4 No campo da economia



4.4.1 Agricultura

A Polônia é, por assim dizer, um extenso campo agriculturado, facilitado pela extensa planície que forma o país. Nos caminhos percorridos pelo trem, pelo interior da Polônia, vêem-se extensões enormes de campos de trigo, aveia, verduras e hortaliças. Os fardos de feno enrolados para estocamento formam uma imagem marcante  que não sai do pensamento. A exceção é o extremo sul, onde ficam os picos nevados do Tatry e que abrigam a estação turística de esqui na neve, na famosa cidade de Zakopane.


4.5 No clima, flora e fauna



4.5.1 O clima

Durante o curso de verão de agosto de 2006, a 
temperatura alternou semanas de muito calor, 
chegando aos 30º, com semanas de frio, 
chegando aos 15º. Embora o verão apresente 
calor extremo, os dias de chuva são prenúncio 
de vento e frio. Comparo o frio do verão 
de Varsóvia ao frio do inverno de Florianópolis, 
no sul do Brasil, onde morei por 21 anos.


4.5.2  Papoulas, girassóis e cegonhas

Há quem diga que cegonhas não existem... mas na Polônia elas existem, sim! Na época do verão elas se abrigam no sul do país, onde fazem seus ninhos em cima de postes de luz, chaminés de casas, telhados, etc. Mas, se carregam recém-nascidos nos seus bicos, ah!, isso eu não sei, não!!!
Os caminhos ao longo das margens dos trilhos do trem, na viagem para a Cracóvia, floresciam de papoulas. Simples, frágeis, lindamente vermelhas no meio dos capins verdes. A papoula é conhecida pelo ópio, extraído de frutos imaturos. Mas na Polônia são extraídas outras essências, outras substâncias não tóxicas e que são aproveitadas na culinária.
As sementes de girassóis são igualmente aproveitadas na culinária polonesa; e as flores revestem de encantos as floriculturas espalhadas por todos os cantos das cidades. É hábito corriqueiro do polonês, tanto homem quanto mulher, oferecer flores. Os girassóis fazem parte deste contexto. 


5. Considerações Finais

Ao realizar o curso de língua polonesa na Universidade de Varsóvia, minha intenção era de aprender a língua, pura e simplesmente. Esperava rever parentes e conhecer outros lugares e aspectos da vida polonesa, mas meus objetivos se concentraram no aprendizado de uma língua nova.
Um dos desafios a que me propus, conforme mencionado na Introdução, tem relação com o tema de minha dissertação de Mestrado e que enfoca o ensino e aprendizado de uma língua nova para estudantes com mais de 14 anos. Neste anos todos em que lecionei língua alemã para adultos, principalmente estudantes universitários, convivi com pessoas que acreditavam na possibilidade de se aprender uma língua em idade mais avançada e pessoas que negavam totalmente esta possibilidade. Há mais dificuldades para os adultos, mas não impossibilidades. Sinto-me assim, recompensada por esta demonstração e comprovação.
Por outro lado, não imaginava deparar-me com um programa de ensino e aprendizagem de língua estrangeira tão complexo, abrangente e eficaz. Um verdadeiro exemplo de Política Lingüística que independe da vontade de governos e autoridades. O período de 50 anos de existência deste programa, mostra a sua solidez e demonstra a importância que o governo da Polônia e a Universidade dão ao ensino do polonês junto a outros povos. Um programa totalmente elaborado, organizado e mantido pelas autoridades da Universidade de Varsóvia, independente de regime político e/ou econômico. Um exemplo de que a cultura, a ciência, o ensino, as artes e a divulgação da língua estão acima de quaisquer interesses, e que são a melhor ‘janela’ a ser aberta para que os povos conheçam um pouco mais dos outros e, conseqüentemente, de si mesmo. Ficou muito evidente, que o importante numa Política Lingüística, não é apenas o ensino e aprendizado de uma língua, mas são importantes todos os aspectos constituintes da identidade desta língua: cultura, artes, ciências, costumes etc.


Retomando o que descreveu Miłosz a respeito da vida, que esta não é uma roda de ilusões, mas um contato constante com o concreto, tanto em suas formas materiais quanto espirituais, creio que o 51º. Curso de Verão de Língua e Cultura Polonesas” ratificou as palavras do escritor. 

Enquanto no curso, os alunos estiveram em constante contato com o concreto, com o visível e o palpável... sem perder de vista as idéias, os pensamentos, as equações, as soluções buscadas e encontradas, as batalhas individuais, as batalhas coletivas que até se transformaram em  Levantes... a busca e a aceitação de uma fé incontestável... enfim, todas as abstrações individuais e coletivas que permeiam o ser humano e suas realizações. 


A Polônia é um país encantador. Um país antigo com espírito novo. Com espírito construtivo mas não em detrimento do antigo. Um país que respeita e cultua suas personalidades, sua cultura, sua história e sua língua. A Polônia é um país que ama o colorido, o bonito, o verdadeiro, o simples. Um país “romanticamente antigo...”




6. Referências Bibliográficas



Ostrower, Fayga. 2005. Criatividade e Processos de Criação.Ed. Vozes: Petrópolis.



Siewierski, Henryk. 2000. História da Literatura polonesa. Ed. UnB: Brasília.